Blog do Flavio Gomes
F-1

LA PACE È FINITA! (2)

SÃO PAULO (saudades desse céu) – Oscar Piastri fez a pole-position para o GP da Emilia-Romagna numa disputa emocionante em Ímola. Emocionante e importante, porque na pista italiana, que recebe a sétima etapa do Mundial, ultrapassar é tarefa estafante. Quem larga nas primeiras posições aumenta consideravelmente as chances de vitória. Em 31 corridas realizadas nessa […]

Piastri: monstrinho em Ímola

SÃO PAULO (saudades desse céu) – Oscar Piastri fez a pole-position para o GP da Emilia-Romagna numa disputa emocionante em Ímola. Emocionante e importante, porque na pista italiana, que recebe a sétima etapa do Mundial, ultrapassar é tarefa estafante. Quem larga nas primeiras posições aumenta consideravelmente as chances de vitória. Em 31 corridas realizadas nessa pista, ainda que ela tenha mudado de traçado depois de 1994, 11 pilotos ganharam a partir da pole e mais nove largando em segundo. Ímola recebeu a F-1 pela primeira vez em 1980 e teve seu GP, sem interrupção, até 2006. Voltou ao calendário em 2020, ano da pandemia, pulou a temporada de 2023 por causa das enchentes da região e voltou no ano passado.

O líder do campeonato teve em Max Verstappen seu maior adversário na classificação. É com ele que o australiano vai dividir a primeira fila amanhã. Lando Norris, companheiro de Piastri na McLaren, voltou a se complicar sozinho, com uma volta ruim no Q3. Larga em quarto, atrás ainda de George Russell, da Mercedes.

A classificação foi tensa, com dois acidentes violentos e algumas interrupções por indecisões da direção de prova. Os acidentados foram Yuki Tsunoda e Franco Colapinto, no Q1. Ambos destruíram seus carros em curvas tristes, a Villeneuve e a Tamburello. Mas, felizmente, não se machucaram.

Vamos ao sábado de Ímola para entender o que aconteceu na pista que abre a temporada europeia em 2025.

Os tempos no Q1 começaram altos, na casa de 1min16s, mesmo quando cronometrados por pilotos que, nos treinos livres, tinham virado voltas mais rápidas – em especial os carros da Ferrari. Quando Verstappen e a dupla da McLaren resolveram ir para a pista, a brincadeira começaria a ficar séria.

Mas nem deu tempo. Eles já tinham saído dos boxes para abrir voltas rápidas quando, faltando 12min13s para o fim do Q1, Yuki Tsunoda sofreu um acidente pavoroso na curva Villeneuve. Seu carro saltou na zebra interna, rodou e foi em alta velocidade até a barreira de pneus. Ali decolou, bateu na tela de proteção, virou de ponta-cabeça no ar e caiu de pé. O piloto saiu meio grogue, mas inteiro. Em outros tempos, sem o Halo, a coisa teria sido muio grave. A bandeira vermelha foi acionada imediatamente. O carro da Red Bull deu perda total. Todos os pilotos que passaram pelo ponto do acidente entraram imediatamente no rádio para perguntar se o japonês estava bem. Seus engenheiros tranquilizaram-nos: “Ele está OK, já saiu do carro”. Alívio geral. A Villeneuve é a curva onde, em 1994, bateu e morreu Roland Ratzenberger.

A sessão foi retomada cerca de 15 minutos depois, enquanto Yuki era examinado no centro médico do autódromo. Naquele momento, com 1min16s164, Alexander Albon liderava a tabela de tempos. Os tempos foram caindo e Verstappen foi o primeiro a andar realmente rápido, com 1min15s175. Era uma referência. Norris não ficou nem perto: 0s767 de diferença. Piastri foi, em sua primeira tentativa, 0s325 pior que o holandês. Ambos fizeram voltas imperfeitas.

Com sol, 22°C, o asfalto estava mais quente que nos treinos anteriores, passando dos 41°C. Na última sessão livre, algumas horas antes, Norris tinha sido o primeiro com 1min14s897. Piastri ficara 0s100 atrás dele. Teriam, portanto, de buscar tempos na casa de 1min14s – não havia motivo algum para que não conseguissem.

E o cronômetro já estava zerado quando outra pancada assustou. Na saída da chicane da Tamburello, Franco Colapinto pegou a zebra do lado esquerdo, seu carro rodou, chicoteou para o lado de dentro da pista e bateu forte perto do ponto onde Ayrton Senna morreu 31 anos atrás. Dois acidentes em curvas trágicas. O argentino já estava em 14º naquela altura, passando ao Q2. Mas, claro, teria de torcer, mesmo, para a Alpine reconstruir o carro para amanhã.

Os cinco eliminados no acidentado Q1, a princípio, foram Liam Lawson, Nico Hülkenberg, Esteban Ocon, Oliver Bearman e Tsunoda. Gabriel Bortoleto, que era o 16º quando a bandeira vermelha foi mostrada, acabou avançando porque Bearman, que estava à sua frente, teria fechado sua volta com a sessão já interrompida – o tempo, então, seria cancelado. A Haas reclamou com a direção de prova, que reviu tudo que tinha acontecido. E longos minutos depois decidiu que o inglês da Haas perderia, mesmo, sua volta. O rapaz ficou revoltado. Lá na frente, os dez primeiros foram Verstappen, Piastri, Fernando Alonso, Lance Stroll, Russell, Norris, Pierre Gasly, Kimi Antonelli, Carlos Sainz e Charles Leclerc. Lewis Hamilton? Só 12º.

Comunicado da Sauber: erro de informação sobre o brasileiro (caí, mas corrigi)

Bortoleto, que pela terceira vez no ano escapou da degola no Q1 (as outras foram na Austrália e em Miami; o press-release da Sauber informou equivocadamente que era a segunda vez), foi o primeiro a sair da garagem para abrir o Q2, dois minutos antes do horário anunciado para o reinício. Na dúvida, se mandou antes que alguém mudasse de ideia. A primeira volta relevante em termos de grid foi de Verstappen, 1min15s400. Não era grande coisa. Norris veio na sequência e baixou sem tempo em 0s139. Por fim, Piastri, o terceiro favorito, bateu os dois: 1min15s241. A pista parecia mais lenta do que no último treino livre.

Hamilton e Leclerc: vexame em casa

Todos fizeram uma segunda tentativa no Q2, porque a maioria ainda não estava garantida no Q3. A 4min do final, fila na saída dos boxes e salve-se quem puder. Sainz operou um milagre e levou a Williams à primeira posição, com 1min15s198. Piastri veio logo depois, a 0s016. Na sequência, prestem atenção: Norris, Russell, Verstappen, Alonso, Stroll, Gasly, Isack Hadjar e Albon.

E cadê a Ferrari? Ah, amigos… ACABOU A PAZ!

Leclerc e Hamilton abriram a lista dos eliminados no Q2. O monegasco ficou a 0s406 de Sainz. O inglês, a 0s567. Um vexame completo. Para piorar o humor dos italianos, Antonelli também caiu e ficou em 13º. Bortoleto se segurou numa boa 14ª colocação. Colapinto ficou em 15º no grid e depois ainda perdeu uma posição por ter sido liberado dos boxes antes do tempo pela Alpine. Surpresas? A dupla da Aston Martin, que passou com seus dois carros para a fase final da classificação, e Gasly, com a Alpine – o francês tem guiado com sangue “nozóio”, como se diz.

(Há certa poesia nesse P1 de Sainz no Q2. O espanhol foi dispensado pela Ferrari no ano passado e em sua primeira aparição diante da torcida italiana crava uma primeira colocação, deixando os dois carros vermelhos fora do top-10. Por dentro, deve ter tido aquele sentimento de vingança que, às vezes, é bem doce.)

O primeiro a abrir volta rápida no Q3, entre os favoritos, foi Norris. Fez um bom tempo, finalmente, com 1min14s962. Piastri devolveu em seguida: 1min14s821. E Verstappen, tirando leite de pedra de novo, jantou os dois: 1min14s772.

Faltava um round e o fantasma de Max, que já tinha feito três poles neste ano, voltou a assombrar a dupla da McLaren. E lá se foram os dez últimos moicanos para a pista nos minutos finais da sessão para ver no que daria.

E deu Piastri. O australiano, líder do campeonato, fez uma volta alucinante, driblou o tráfego, não levantou o pé e bateu o cronômetro em 1min14s670, baixando em 0s102 a marca de Verstappen. Norris veio atrás dele, mas cometeu vários erros e não melhorou nem seu tempo anterior. Verstappen vestiu a armadura, mas no segundo setor da pista italiana o pneu começou a perder rendimento. Acabou muito perto, 0s034, mas não superou Piastri, que assim confirmou sua terceira pole no ano e na carreira. Max larga em segundo. O terceiro foi Russell, que ainda bateu Norris – e usando pneus médios. Lando ficou com a quarta posição e, fechando os dez primeiros, Alonso, Sainz, Albon, Stroll, Hadjar e Gasly.

Foi a melhor classificação do ano para a Aston Martin, e seus dois pilotos também usaram os pneus médios para fazer seus tempos. Aqui vale uma explicação. Os macios para Ímola foram batizados pela Pirelli como C6 e estão sendo usados pela primeira vez no ano. São muito aderentes, mas inconsistentes. “Um mistério”, disse Piastri. Perdem performance no fim da volta. Por isso, ninguém vai usá-los na corrida. Os médios para este fim de semana são os macios que vêm sendo usados desde o início da temporada, já bem conhecidos e eficientes. Daí a opção de Russell, Alonso e Stroll por eles na classificação. Funcionou. Teve gente, como Sainz, que preferiu guardar um jogo a mais de médios novos para as 63 voltas da prova. “O domingo é muito importante e vale sacrificar o sábado”, avaliou o piloto da Williams.

O grid em Ímola: Colapinto acabou caindo para 16º

Piastri é o grande favorito à vitória amanhã. Ímola é um circuito difícil de ultrapassar, como já dito. Com a cabeça no lugar, frente a um Norris meio atormentado, luta pelo quinto triunfo no ano para ampliar a liderança no Mundial.

Se tem alguém que pode atrapalhar, neste momento, é mesmo Verstappen. A largada será decisiva. Nenhum dos dois costuma tirar o pé numa dividida. Quem passar pela chicane da Tamburello na frente tende a vencer a prova. Quem está atrás torce para nenhum dos dois sobreviver ao primeiro embate.