A IMAGEM DA CORRIDA
SÃO PAULO (temos um campeonato, claro!) – Normalmente não repetimos aqui, na abertura de nossos rescaldos de GP, fotos publicadas na véspera. Mas não tem como, hoje. A quase batida de Oscar Piastri em Lando Norris foi o momento mais tenso da prova da Áustria. Poderia ter criado um climão insuportável na equipe — algo que esteve perto de acontecer no Canadá, e só não prosperou porque Norris pediu desculpas antes mesmo de desligar o carro.
Encontros entre os dois vão continuar acontecendo, aqui e ali. Por enquanto, estão no limite da civilidade. E eles já sabem que o baile não terá outros convidados. Ontem, se alguém tinha alguma dúvida ainda, foi a despedida de Max Verstappen da disputa pelo título. O abandono na primeira volta, após batida de Kimi Antonelli, deixou o holandês a 61 pontos do líder Piastri. E apenas nove à frente de George Russell, o quarto colocado no Mundial.
Como dito ontem, já era.
Verstappen, ontem, interrompeu uma sequência de 31 GPs nos pontos. O último abandono tinha sido na Austrália no ano passado, com problemas nos freios. Mas não era sua maior série. Entre os GPs da Emilia-Romagna de 2022 e da Arábia Saudita de 2024, foram 43 provas seguidas pontuando. A maior sequência de todas é de Lewis Hamilton, com 48 entre Inglaterra/2018 e Bahrein/2020.
O NÚMERO DA ÁUSTRIA
77
…GPs seguidos marcando pontos tinha a Red Bull, até o “duplo-zero” de ontem — Verstappen bateu e Yuki Tsunoda ficou em 16º. Desde o GP do Bahrein de 2022 que o time austríaco não passava uma corrida em branco. Nesse período, dos GPs da Arábia Saudita de 2022 até o do Canadá deste ano, foram 2.370 pontos marcados. Max foi responsável por 1.621 deles (68,4%). A maior sequência de uma equipe pontuando na história é da Ferrari: 81 GPs entre Alemanha/2010 e Singapura/2014.
Notícias de hoje, antes de falarmos sobre a boa corrida de Gabriel Bortoleto. Começando com a oficialização da pré-temporada de 2026, que será mesmo dividida em três sessões. A primeira, de cinco dias, aparentemente será fechada ao público e aos curiosos. Será de 26 a 30 de janeiro em Barcelona, na Espanha. Depois, Bahrein: de 11 a 13 e de 18 a 20 de fevereiro. No total, 11 dias para as equipes entenderem os novos carros, novos motores, novos combustíveis, tudo novo.
Teve uma mudança de data, também, no calendário. O GP do Azerbaijão foi antecipado de 27 para 26 de setembro, por causa de um feriado local. Vai ser a segunda corrida de sábado em 2026, ao lado de Las Vegas.
E a última de hoje: o estoniano Paul Aron vai fazer dois treinos livres pela Sauber, embora seja contratado como reserva da Alpine. Ele anda em Silverstone e Budapeste no lugar de Nico Hülkenberg. Aron, terceiro colocado na F-2 no ano passado, ainda fará três treinos livres pela Alpine até o fim do ano. O empréstimo se dá porque a Sauber não tem piloto reserva, nem programa de jovenzinhos. E cada time precisa abrir quatro treinos livres para novatos por temporada. A Sauber usou as duas primeiras corridas para “pagar” parte dessa cota, já que Bortoleto era estreante.
Mais algumas pílulas. Começando com boato bom, que tem a ver com o segundo parágrafo deste texto, lá em cima. Lembram que disse que Verstappen já está olhando para trás, com a aproximação de Russell? Pois. De acordo com a imprensa alemã, se Max chegar ao break de verão, depois do GP da Hungria, abaixo do terceiro lugar na classificação, terá a prerrogativa de romper o contrato com a Red Bull, que vai até 2028. Ironia do destino: quem iria atrás dele, claro, seria a Mercedes. Que, para ter o holandês, precisaria dispensar Russell. Justamente aquele que pode empurrar o tetracampeão para a quarta posição na tabela.
A outra informação importante: o GP da Áustria, certamente por causa de Bortoleto, teve a maior audiência do ano na Band(eirantes). A prova teve pico de 4,7 pontos e média de 3,7.
Bortoleto teve, disparado, seu melhor fim de semana no ano. Recebeu elogios de todos os lados, a começar por Jonathan Wheatley, chefe da Sauber, que se derreteu para o brasileiro. Gabriel, como mencionado ontem, entrou para a galeria dos agora 21 pilotos do país que já marcaram pontos na categoria. Andou bem desde a sexta-feira, foi ao Q3 pela primeira vez e terminou em oitavo. Ele gosta da pista, onde conseguiu ótimos resultados na F-4, na F-3 e na F-2.
O final da corrida foi bem emocionante, quando imprimiu um forte ritmo com pneus novos e chegou em Fernando Alonso e Liam Lawson, que tinham uma estratégia de apenas uma parada. Era muito provável que conseguisse passar os dois. O azar foi ter recebido uma bandeira azul por causa da aproximação de Norris. Teve de dar passagem e perdeu um pouco o contato com o veterano da Aston Martin. Aí não teve tempo de buscar os rivais de novo. “A bandeira me salvou”, disse Alonso, que cumprimentou Bortoleto assim que ele estacionou no Parque Fechado. “Ainda bem que não batemos, porque provavelmente eu não teria como voltar para casa”, brincou o brasileiro, que costuma pegar carona no avião do espanhol, também seu empresário.
Gabriel foi escolhido pelo amigo internauta o “Piloto do Dia” na Áustria. O engajamento dos brasileiros nas redes é grande. Podem esperar que cada vez que ele pontuar, será assim. Não acho que tenha sido o melhor do dia. Largou em oitavo, chegou em oitavo — depois de Alonso, que estava três posições atrás no grid, colocação compensada pelo abandono de Verstappen, que estava à frente. Meu voto teria sido em Lawson, sexto. Também terminou na mesma posição em que largou, mas parou apenas uma vez, o que não é fácil na Áustria, com o calorão de ontem.
A FRASE DE SPIELBERG
“A Alpine sempre arrumando um jeito de me foder.”
Oscar Piastri
Piastri fala pouco, mas quando fala chega a ser engraçado. No fim da corrida, quando foi colocar uma volta em Franco Colapinto, da Alpine, foi fechado pelo argentino, que não notou sua presença do lado direito. Teve de colocar as rodas na grama e quase rodou. Colapinto tomou uma punição de cinco segundos e levou uns pontinhos na carteira. Admitiu que não viu, mesmo.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… da Sauber, que pontuou com seus dois pilotos pela primeira vez desde o GP do Catar de 2023, ainda como Alfa Romeo — com Valtteri Bottas em oitavo e Guanyu Zhou em nono. E é a primeira vez desde 2022 que o time fica três corridas seguidas nos pontos. Naquele ano, foram cinco, entre os GPs da Austrália e de Mônaco. Detalhe: tirando McLaren, Ferrari e Mercedes, a Sauber foi a equipe que mais marcou pontos nas últimas três corridas: 20. A Red Bull fez 19.
NÃO GOSTAMOS… da Williams, que viu seus dois pilotos abandonarem com problemas mecânicos. No carro de Carlos Sainz, deu para ver que o defeito foi nos freios. No de Alexander Albon, o time não explicou, ainda. O fato é que nas últimas três corridas a equipe marcou apenas um ponto. Todas as que estão atrás dela na classificação marcaram mais: 14 para a Pode Parcelar em Três, 3 para a Haas, 14 para a Aston Martin, 20 para a Sauber e 4 para a Alpine.
