Blog do Flavio Gomes
F-1

TOMOU NO RING (1)

SÃO PAULO (perdeu o gás) – A sexta-feira na Áustria começou com Mercedes e acabou com McLaren. Com uma surra da McLaren, diga-se de passagem (sempre que escrevo isso lembro do Craque Neto). George Russell foi o mais rápido no primeiro treino livre. No segundo, Lando Norris e Oscar Piastri abriram a caixa de ferramentas […]

Norris na frente: novo massacre?

SÃO PAULO (perdeu o gás) – A sexta-feira na Áustria começou com Mercedes e acabou com McLaren. Com uma surra da McLaren, diga-se de passagem (sempre que escrevo isso lembro do Craque Neto). George Russell foi o mais rápido no primeiro treino livre. No segundo, Lando Norris e Oscar Piastri abriram a caixa de ferramentas e, como diria aquele saco de merda, entubaram todo mundo.

O Red Bull Ring é curtinho e normalmente as diferenças de tempo não são muito grandes. Mas já volto ao tema. Antes, cabe uma informação curiosa. Alguém deve ter levado uma trena hoje à pista, porque sua extensão mudou. Era de 4.318 m e passou para 4.326 m. A imagem abaixo não me deixa mentir. O dado foi alterado no site oficial da F-1.

De onde vieram esses oito metros, ninguém sabe. Nenhuma alteração foi feita no circuito. Aquecimento global e expansão dos materiais por conta da dilatação térmica? Asfalto também dilata, como trilho de trem?

Nada disso. O mais provável é que quando mediram pela primeira vez o fizeram de forma, sei lá, analógica. Com uma trena Starrett, mesmo. Talvez fosse até o Datena a manipular o equipamento. E assim ficou: 4.318 m e não se fala mais nisso. Hoje, com dispositivos eletrônicos a laser digitais via satélite alimentados por inteligência artificial essas coisas são mais precisas. O fato é que o traçado agora tem 4.326 m. Não altera o câmbio do velho Schilling austríaco, mas merece registro.

Voltemos aos treinos. Na primeira sessão, de Russell, o mais rápido, a Esteban Ocon, o 19º, 0s968. Oh, como é equilibrada a F-1! Já cansei de explicar que quanto menor o tempo de volta numa pista, menores serão as diferenças entre os carros. É uma lógica física, uma obviedade matemática. Mas leva muita gente a exaltar o momento que vivemos. Gente burra.

Seja como for, na segunda sessão a diferença do primeiro ao 19º passou para 1s338. Porque a McLaren, de fato, voou. De Norris para Piastri, 0s157 – o que já é bastante, até. De Piastri para o terceiro, Max Verstappen, 0s318. É um monte. Mais de 0s3 numa pistinha que começa aqui e acaba ali é coisa demais.

O dia foi nublado na Estíria e os termômetros não passaram dos 25°C. A previsão é de que as temperaturas sejam mais altas amanhã e depois, o que vai tirando a Mercedes do jogo. O time torce sempre pelo frio. Deveria estar correndo em Cascavel, neste fim de semana. Provavelmente venceria.

O quarto colocado foi uma surpresa, Lance Stroll, a 0s442 de Norris. E em quinto o primeiro carro da Ferrari: Charles Leclerc, a longínquos 0s610 do líder. Russell, no segundo treino, tomou 0s649 de Norris. E Lewis Hamilton, o décimo, ficou a 0s931. Vai mal, a Ferrari. Muito mal. Vai mal, Hamilton. Muito mal.

Quem foi bem nos dois treinos foi Gabriel Bortoleto. O brasileiro ficou em sexto no treino 1 e em oitavo no treino 2. Mostra que a Sauber, de fato, melhorou desde Barcelona, quando estreou um pacote de atualizações (esta noite meu computador também ficou atualizando) que levou seu companheiro Nico Hülkenberg aos pontos em duas provas seguidas. Ainda que a posição tenha sido boa, a diferença para os ponteiros foi igualmente gigantesca: 0s831. Mas, McLaren à parte, o menino está no bolo: pouco mais de 0s5 atrás de Verstappen, 0s2 atrás de Russell, 0s1 à frente de Hamilton. Parece ser uma daquelas provas em que, sabendo aproveitar a oportunidade, é possível pensar grande. No caso de Bortoleto, pensar grande, hoje, é terminar uma corrida entre os dez primeiros.

Vamos a umas caixinhas, agora, para passar a régua na sexta. Ou a trena.

SUDERJ INFORMA – Sai Gianpiero Lambiase, entra Simon Rennie. A substituição é do conhecidíssimo engenheiro de Verstappen. Mas não se assustem, não é crise nenhuma. Lambiase teve questões familiares que o tiraram dessa corrida. Rennie está na Red Bull desde 2013. Já foi engenheiro de pista de Mark Webber, Daniel Ricciardo e Alexander Albon. Atualmente faz parte do time que fica na fábrica cuidando da performance a distância em tempo real.

DORAMA – A notícia vem da Austrália, da revista “Auto Action”: a Hyundai estaria interessada em comprar a operação da Renault na F-1, conhecida por vocês mortais como Alpine. Entendam a frase: a Hyundai não quer comprar a Alpine! A Alpine continuará existindo, marca de carros esportivos ligada à Renault. A operação de F-1 é que, hoje, se chama Alpine. Poderia ser Dacia. Antes da guerra Rússia-Ucrânia, até Lada poderia ser. Bem, os boatos se intensificaram a partir da saída de Luca De Meo, CEO da Renault, na semana passada. Ele vai assumir o comando do Grupo Kering, que possui marcas de luxo como Gucci, Saint-Laurent e Balenciaga. Trocou motores e pneus por cuecas e óculos de sol. A equipe, no ano que vem, vai usar motores Mercedes. A Renault já havia desistido de fazer motor de F-1. Está tirando o time de campo aos poucos. E mais uma curiosidade nesta sexta-feira curiosa: quem comanda as ações de motorsport da marca coreana atualmente é um certo Cyril Abiteboul. Sim, ele mesmo, que era chefe da Renault na F-1 até o começo de 2021. E foi demitido por De Meo, que agora vai vender cuecas. O mundo dá voltas.

BOCA-MOLE – Russell deu com a língua nos dentes. “A Mercedes está negociando com Verstappen”, afirmou. “É uma marca de excelência que procura liderar em tudo que faz, por isso faz sentido ir atrás dos melhores em qualquer área.” Sincericídio cometido, o inglês, cujo contrato termina no final do ano e ainda não foi renovado, forçou a imprensa a correr até Toto Wolff. Verdade ou mentira?, perguntariam Sá e Guarabyra. “Verdade”, admitiu o dirigente. Falou em “flerte”, “conversas”, elogiou Russell, não esclareceu muita coisa. Mas ficou evidente que nessa latinha aí tem energético. Aguardemos.

FOI BEM – Dois novatos andaram no primeiro treino livre em Spielberg. Cada piloto, ao longo do ano, é obrigado a ceder seu carro a pilotos que tenham disputado no máximo dois GPs. Hoje, Leclerc cedeu o seu ao sueco Dino Beganovic. E Norris deu o lugar a Alex Dunne, irlandês de 19 anos que lidera a F-2 e é piloto júnior da McLaren. O menino foi bem e ficou em quarto lugar na sessão. Beganovic, com a Ferrari, foi o 18º.