Blog do Flavio Gomes
F-1

TOMOU NO RING (2)

SÃO PAULO (acelerou) – Desta vez Lando Norris não espanou o parafuso, não pipocou, não amarelou, não queimou o filme, não pisou na bola, não enfiou o pé na jaca. O inglês da McLaren cravou a pole-position para o GP da Áustria, sua terceira no ano e 12ª na carreira. Desde ontem, no segundo treino […]

Bortoleto: oitavo no grid, primeira vez no Q3

SÃO PAULO (acelerou) – Desta vez Lando Norris não espanou o parafuso, não pipocou, não amarelou, não queimou o filme, não pisou na bola, não enfiou o pé na jaca. O inglês da McLaren cravou a pole-position para o GP da Áustria, sua terceira no ano e 12ª na carreira. Desde ontem, no segundo treino livre, o vice-líder do Mundial vem andando bem. Ficou em primeiro em todas as sessões das quais participou – no primeiro treino livre cedeu o carro a Alex Dunne, piloto júnior do time.

Mas a gente sabe que na hora decisiva, na hora H, na hora de a onça beber água, quando a porca torce o rabo, Lando costuma falhar. Desta vez, não. Com uma volta próxima da perfeição, garantiu o primeiro lugar no grid em Spielberg. Com autoridade e tranquilidade. É grande favorito à vitória na 11ª etapa do campeonato.

Lando ponteia um grid que terá, pela primeira vez, Gabriel Bortoleto entre os primeiros. O brasileiro fez sua melhor classificação desde que chegou à F-1. Foi ao Q3 pela primeira vez no ano – primeira vez da Sauber, também – e colocou seu carro verde-alface em oitavo. É uma ótima posição, a melhor de um brasileiro no grid desde o nono de Felipe Massa em Interlagos/2017, pela Williams. Uma posição que pode resultar em pontos, se ele e o time executarem bem suas ações nas 71 voltas da corrida de amanhã, que começa às 10h.

O sábado foi de sol e calor na região da Estíria, com termômetros marcando 26°C na classificação e o asfalto bem quente, 48°C. Vamos, então, saber como Norris conseguiu sua pole, para tentar se aproximar de Piastri na tabela de pontos e fechar a primeira metade da temporada no retrovisor do parceiro australiano.

Piastri cumprimenta Norris: McLaren dominante

Os olhos estavam todos na McLaren quando começou a sessão que definiria o grid, mas é claro que sempre pode haver uma surpresa. E esta poderia ser Max Verstappen, que de vez em quando dá uma bicada nos favoritos. Mas não foi o caso, hoje. A primeira volta do holandês no Q1 foi cronometrada em 1min05s106. Norris, imediatamente, colocou 0s434 no tetracampeão. Um soco no estômago. Depois veio Piastri e passou o rubro-taurino também, mas ficou longe de seu parceiro – 0s332. Landinho, realmente, estava inspirado no fim de semana.

McLaren à parte, o resto brigava por décimos, centésimos e milésimos de segundo. Na curta pista spielberguiana, algo já dito aqui uma vez por ano pelo menos desde 2005, quando este blog entrou no ar, as diferenças são sempre mínimas. E o Q1 chegou ao final com várias surpresas: os dois pilotos da Débito ou Crédito? em terceiro (Liam Lawson) e quinto (Isack Hadjar); Pierre Gasly em quarto; Verstappen só em sexto; e Franco Colapinto deixando a lanterna que vem carregando há semanas e passando ao Q2. Bortoleto, que já tinha andado bem ontem, voltou a impressionar e fechou a primeira parte da classificação em oitavo. Foi a quinta vez que passou ao Q2 na temporada. E tinha esperança de, pela primeira vez, avançar para o Q3.

Os eliminados foram Lance Stroll, Esteban Ocon, Yuki Tsunoda, Carlos Sainz e Nico Hülkenberg. A Williams, que esperava um bom desempenho na pista austríaca, ficou fora do Q2 com o espanhol, que disse que seu carro estava “inguiável”. Hülkenberg terminou em último, um vexame – maior ainda porque errou feio em sua volta, num fim de semana em que a Sauber tem potencial para pontuar. O alemão ficou a 0s934 do líder. Todos os 20, pois, no mesmo segundo. Tsunoda, coitado, já está pensando em abandonar a carreira. A promoção para a Red Bull foi a pior coisa que aconteceu em sua vida. Ocon, normal. E Stroll, bem… Vinha fazendo ótimos tempos nos treinos livres, mas quando valia, mesmo, dançou. Ah, Norris, com 1min04s672, fechou o Q1 em primeiro, com Piastri em segundo.

No Q2, a McLaren continuava sobrando. Norris e Piastri entraram na casa de 1min04s com facilidade, deixando todo mundo a léguas de distância. Faltando 5min42s para o final, a bandeira vermelha foi acionada e a sessão, paralisada. Motivo: um foco de incêndio na grama seca, causado por faíscas oriundas da cloaca de algum carro. A pista estava bem suja, também, com a brita sendo jogada para o asfalto frequentemente por pneus mal-educados. Uma breve faxina foi providenciada, assim como alguns baldes para molhar a grama. Naquele momento, Alexander Albon, Oliver Bearman, Fernando Alonso, Bortoleto e Colapinto estavam fora da lista dos dez primeiros, mas ainda tinha jogo pela frente.

Verstappen, enquanto esperava, conversava com a equipe pelo rádio. Seu diagnóstico era tenebroso. “O carro sai de frente, de traseira, não freia, não troca as marchas, não acelera, pula muito, não vira direito, não tem aderência, em resumo, está uma merda.” A frustração de Max podia ser notada em sua voz.

Limpeza concluída, pista liberada, tirando a dupla papaia todo mundo corria risco de cair no Q2. Era só ver a folha de classificação: Leclerc, o terceiro colocado, estava a 0s468 do inglês. Em outras palavras: os tempos todos registrados antes da interrupção pirotécnica eram muito altos, o tráfego seria intenso, seria um pega pra capar a briga pelas dez primeiras posições. Uma voltinha para cada um e olhe lá.

Bortoleto foi muitíssimo bem em sua volta voadora, subindo para terceiro assim que bateu no cronômetro. O primeiro Q3 de sua carreira estava garantido. Verstappen e Leclerc chegaram a superá-lo, mas o quinto lugar, ainda assim, era uma posição bem acima da média. Norris ficou com o melhor tempo do Q2, 1min04s410. Piastri, em segundo, ficou 0s146 atrás. O brasileiro terminou a 0s436 de Landinho, com Gasly, em sexto, tendo feito exatamente o mesmo tempo — ambos à frente da dupla da Mercedes e de uma Ferrari, a do desmotivado, desolado, decepcionado, desconsolado, desapontado, desiludido, desencantado e desenganado Lewis Hamilton. Os cortados foram Alonso, Albon, Hadjar, Colapinto e Bearman.

Carros de sete equipes passaram ao Q3: McLaren, Ferrari, Mercedes, Red Bull, Sauber, Alpine e Também Pode Pagar com Pix. Apenas Williams, Aston Martin e Haas foram para o vestiário mais cedo. Quando os boxes foram abertos para o Q3, ninguém teve muita pressa para ir à pista. Nem todos tinham pneus macios novos para a fase decisiva da classificação.

A briga pela pole estava restrita à dupla da McLaren, mas Leclerc se enfiou entre os dois na primeira jornada de voltas rápidas. Norris fez 1min04s268, com Chaleclé a 0s224 e Oscar em terceiro a 0s286. Hamilton, o quarto, estava a 0s351 do líder. Esses quatro fizeram suas voltas com pneus novos. Bortoleto, com pneus usados, fechou o “primeiro tempo” do Q3 em oitavo, a 1s073 do líder. Com pneus novos, em sua segunda tentativa, tinha chance de fazer melhor.

O grid na Áustria: algumas surpresas, como…

A segunda bateria de voltas rápidas colocou todo mundo na mesma condição, com borracha zero quilômetro. Mas não foi totalmente despida de incidentes. Norris melhorou, fez uma volta espetacular em 1min03s971 e assegurou sua previsível e merecida pole-position. O segundo colocado acabou sendo o ferrarista Leclerc, a 0s521 do inglês. É uma diferença gigantesca, mas se explica: com quase todo mundo ainda fazendo volta rápida, Gasly rodou e causou uma bandeira amarela. Muitos tiveram de tirar o pé. Um deles, Piastri – o único que poderia afrontar Norris. Resultado: ficou em terceiro com um tempo 0s583 pior que o do companheiro. Ao seu lado na segunda fila larga Hamilton, com o outro carro da Ferrari. Depois vieram, pela ordem, George Russell em quinto, um excelente Lawson em sexto, Verstappen em sétimo, Bortoleto numa não menos excelente oitava posição e Kimi Antonelli e Gasly na quinta fila, fechando a turma dos dez primeiros.

A corrida austríaca é bem rápida, apesar das 71 voltas. A média de velocidade é alta e as coisas acontecem num ritmo frenético e intenso, por conta da curta extensão da pista – 4.326 metros corrigidos. Em tese, todos vão parar duas vezes para trocar pneus. A previsão para amanhã é de mais calor. No ano passado, não sei se vocês lembram, Norris e Verstappen se pegaram a tapa e a vitória caiu no colo de Russell. A rodada de Gasly no Q3 deu uma embaralhada no grid. Poderemos ter surpresas amanhã, claro. Mas não na briga pela vitória. Norris só perde essa corrida se largar mal. Com a cabecinha no lugar, é ele que leva.