Blog do Flavio Gomes
F-1

SPANTALHOS (1)

SÃO PAULO (pau a pau) – Oscar Piastri larga na pole-position para a Sprint da Bélgica, a terceira minicorrida de 2025. O líder do Mundial ficou com o primeiro tempo na sessão que definiu o grid em Spa-Francorchamps. Max Verstappen estará ao seu lado na primeira fila, com Lando Norris, companheiro de Piastri na McLaren, […]

Piastri na pole: retomada do australiano?

SÃO PAULO (pau a pau) – Oscar Piastri larga na pole-position para a Sprint da Bélgica, a terceira minicorrida de 2025. O líder do Mundial ficou com o primeiro tempo na sessão que definiu o grid em Spa-Francorchamps. Max Verstappen estará ao seu lado na primeira fila, com Lando Norris, companheiro de Piastri na McLaren, em terceiro. Pode ser o início de uma retomada do australiano, batido por Norris nas duas últimas etapas, na Áustria e na Inglaterra.

Para a dupla papaia, separada por apenas oito pontos na tabela do campeonato, essa prova é importante. Eles vão brigar pelo título até o fim do ano e qualquer pontinho vale, nessa hora. Para os demais, a relevância é um pouco menor. Os pontos contam, é claro, mas não vão mudar o destino de ninguém. Por isso mesmo, atenção na largada: Verstappen, franco atirador, vai buscar o vácuo de Piastri logo depois da primeira curva, La Source, para fazer sua espuminha. O mesmo deve acontecer com Charles Leclerc, da Ferrari, quarto no grid. O brasileiro Gabriel Bortoleto, da Sauber, fez uma boa classificação e larga em décimo. O grande vexame do dia foi Lewis Hamilton, em 18º com a Ferrari.

Hamilton: penúltima fila, vexame

A sexta-feira teve sol entre nuvens e termômetros na casa dos 22°C nas Ardenas. Não choveu, e a meteorologia diz que não vai chover amanhã, também. No domingo, ninguém garante nada. Em certas regiões da Bélgica, a chuva é uma certeza tão grande quanto as batatas fritas com maionese.

Pela extensão da pista, mais de 7 km, ninguém pode moscar muito em classificação. Menos ainda em classificação de Sprint, em formato pocket. O tempo é sempre curto e as voltas, longas. Por isso, assim que a luz verde apareceu na saída dos boxes, foi todo mundo à luta porque não haveria tempo para muita conversinha.

Kimi Antonelli rodou na sua primeira tentativa de volta rápida, espalhando brita pelo asfalto – para desgosto de seu companheiro George Russell, que relatou “o piso emporcalhado pela imperícia de determinados novatos que em vez de estarem na escola, estudando, encontram-se em plena sexta-feira correndo de carro e oferecendo riscos, com sua impetuosidade, a motoristas bem mais experientes cujo histórico…”, e era o que estava falando quando o rádio foi cortado, a pedido da Mercedes.

De camiseta: solzinho tornou a sexta-feira agradável em Spa

Mas é igual pra todo mundo, como dizem os técnicos de futebol quando encaram um gramado esburacado, ou os surfistas obrigados a disputar um campeonato nas ondas raquíticas de Praia Grande, ou os tenistas submetidos à fornalha de Melbourne no verão do hemisfério sul. Pouco tempo, que cada um trate de fazer sua volta boa rápido e sem cometer erros.

Hamilton foi um desses. Na sua segunda “flying lap”, freou tarde, travou os pneus e rodou na Bus Stop quando fechava sua volta, sendo eliminado do SQ2. Não teve suspensão nova que resolvesse a parada. A Bus Stop, que tem esse nome porque antigamente havia, de fato, uma parada de ônibus naquele ponto da estrada, não é mais uma chicane clássica – vem babando do trecho de alta velocidade, freia forte, dobra à esquerda, depois direita, acelera, freia de novo, direita, esquerda. Virou uma espécie de curva “negativa”, em que os pilotos precisam brecar rudemente para, então, praticamente dar marcha-à-ré antes de chegar à reta dos boxes. Nunca gostei muito dessa nova Bus Stop. Nem Lewis, pelo jeito. Pela ordem, foram degolados no SQ1 Alexander Albon, Nico Hülkenberg, Hamilton, Franco Colapinto e Antonelli. O argentino deu mais um passo rumo à demissão. Nem na Recoleta alguém acha que o menino chega ao final da temporada.

Ferrari: suspensão nova funciona com Leclerc, 4º no grid

Piastri, com 1min41s769, foi o mais rápido do SQ1, seguido por Verstappen, Norris, Fernando Alonso e Russell nas cinco primeiras posições. Bortoleto foi o décimo colocado, começando bem o fim de semana – no treino livre, já havia conseguido uma decente 13ª colocação.

O SQ2 atrasou um tiquinho porque a turma das vassouras foi chamada para varrer a brita espalhada pela pista. E tinha bastante, porque Spa é desses circuitos em que muitas áreas de escape não são asfaltadas. São, sim, vastas extensões ameaçadoras cobertas de areia e pequenas pedras feitas para atolar, capotar, bater forte e ser devorado pelos monstros da floresta. Os pilotos jovens morrem de medo. Uma vez sugeri a um cara lá do autódromo que colocassem areia movediça ou fosso com ariranhas nas áreas de escape, e ele gostou da ideia da areia movediça porque não sabia direito o que eram ariranhas. Ficou de pensar no assunto.

No SQ2, nada muito diferente: uma volta para cada um e olhe lá; se der alguma merda, vai ser num sufoco danado. Como os carros da F-1 hoje exigem uma preparação de volta, algo como marinar o salmão antes de selá-lo na frigideira, não dá tempo, em Spa, de duas marinadas e duas seladas do jeito que se deve. De novo, acerta aí ou vai fazer bico nos boxes reclamando de alguém.

Assim, a dupla da McLaren foi a primeira a fazer suas voltas, achando que tudo seria tranquilo. Norris virou 1min42s182 e Piastri, 1min41s736. Mas os comissários cancelaram (me recuso a usar o verbo “deletar”, esse anglicismo de termo originário do latim, é verdade, mas cuja natureza é ligada às coisas da informática, não do cronômetro) a volta de Oscar por exceder os limites da pista, levando o pânico à McLaren. Então foi um corre-corre danado nos boxes e no fim das contas deu tempo para as duas marinadas e as duas seladas no salmão – para quem não entendeu, o salmão aí são os pneus, as cargas das baterias dos motores elétricos, essas coisas que precisam ser contempladas nas voltas de preparação; sem elas, não vem tempo.

Norris acabou fechando o SQ1 em primeiro com 1min41s412 e Piastri, na bacia das almas, foi o décimo. Entre eles ficaram Verstappen, Leclerc, Esteban Ocon, Bortoleto, Pierre Gasly, Oliver Bearman, Carlos Sainz e Isack Hadjar. Surpresas, claro, as excelentes performances do quarto ao sétimo colocados – dois carros da Haas, um da Sauber, um da Alpine. Gabriel voltou a andar muito bem, levando seu carro à disputa das dez primeiras posições. E foram para o vestiário mais cedo Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Russell, Alonso e Stroll.

Verstappen cumprimenta Piastri: os dois na primeira fila

A Mercedes esperava muito de Spa neste fim de semana. Afinal, venceu o GP da Bélgica no ano passado com Hamilton — Russell, na pista, chegou em primeiro, mas foi desclassificado por estar abaixo do peso e a vitória ficou com seu companheiro, a última do inglês pelo time alemão. Ainda mais porque as temperaturas estão amenas, o que agrada os carros prateados. Mas ficou com seus dois pilotos fora do SQ3 da Sprint. Um belo começo…

Também atrasou o início do SQ3, porque foi necessária uma faxina mais caprichada com o uso de aspiradores Arno para tirar os pedriscos espalhados pelo circuito. Os tempos iriam cair bastante, porque na parte final do “Shootout”, como é chamada essa classificação de Sprint, todos são obrigados a usar pneus macios – no SQ1 e no SQ2, as regras impõem os médios.

Norris, o primeiro a sair dos boxes, fez 1min41s128. Verstappen veio em seguida e conseguiu 1min40s987. Piastri derrubou os dois com 1min40s510. E assim ficaram os três primeiros: Piastri na pole, Max em segundo, Landinho em terceiro. Na sequência, Leclerc, Ocon, Sainz, Bearman, Gasly, Hadjar e Bortoleto.

O grid da Sprint: Haas coloca dois entre os dez primeiros

O quinto lugar de Esteban, que é a forma espanhola para o nosso Estêvão, que vem do grego Stéphanos, que quer dizer “coroado” no sentido de vitorioso, digno e honrado, foi o resultado mais surpreendente. “Ah, mas ele é francês e você disse que o nome é espanhol!”, mandaria uma carta ao jornal meu primeiro hater, o Reginato, que escrevia para a Redação da “Folha” para reclamar de erros em textos de F-1. Nunca conheci o Reginato, mas se um dia tive vontade de matar alguém foi ele. Porque não eram erros-erros, eram problemas de digitação – como sair “Beger” em vez de Berger, ou “Etoril” em vez de Estoril. Uma vez saiu um tempo escrito assim: 1mi28s076. O Reginato escreveu para o jornal para corrigir, o certo era 1min28s076, faltava o “n”, e a carta chegou ao jornal dez dias depois da publicação, e fomos obrigados a publicar um “erramos”, que era a admissão pública de um erro, e que caía no colo de alguém, que tinha uma anotação na ficha, e isso prejudicava promoções e aumentos de salário. Filho da puta, o Reginato.

Esteban é nome espanhol porque o pai do Ocon é de Málaga, Reginato, seu filho da puta. Ele nasceu na França mas o pai quis dar a ele um nome espanhol, Reginato, seu filho da puta.

Bortoleto não fez uma volta espetacular no SQ3 e ficou a 1s666 de Piastri. Mas larga com chances, claro, de terminar entre os oito primeiros e pontuar. A corrida é rápida, 15 voltas, e não tem tanta gente muito melhor atrás dele, não, exceção feita à Mercedes de Russell. O carro da Sauber melhorou barbaramente desde a Espanha e hoje briga no meio do pelotão.

A prova começa às 7h de Taguatinga. “É de Brasília!”, vai escrever o Reginato, em carta para o jornal. Taguatinga é do lado de Brasília, Reginato, seu filho da puta. É onde estava ontem, chorando, o nojento de tornozeleira, Reginato, em quem você deve ter votado, seu filho da puta.