Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (mais sorte que juízo) – Bateu na trave. Foi na penúltima volta do GP da Hungria que Oscar Piastri, duas paradas, tentou passar Lando Norris, uma, na primeira curva do circuito magiar. O momento foi registrado na foto aí em cima. “Por pouco, muito pouco, pouco pouco, pouco mesmo!”, […]

A IMAGEM DA CORRIDA

A “quase batida”: dupla papaia ficou a centímetros de uma desgraça

SÃO PAULO (mais sorte que juízo) – Bateu na trave. Foi na penúltima volta do GP da Hungria que Oscar Piastri, duas paradas, tentou passar Lando Norris, uma, na primeira curva do circuito magiar. O momento foi registrado na foto aí em cima. “Por pouco, muito pouco, pouco pouco, pouco mesmo!”, gritaria o grande Geraldo José de Almeida — jovenzinhos, deem um Google.

Se disso aí sai um acidente idiota, é uma desgraça. A McLaren não corre o risco de perder o campeonato — nem o de Pilotos, nem o de Construtores. A dupla pode se bater à vontade, inclusive. Mas corre o risco de ver o ambiente interno degringolar. E isso não acontece apenas entre pilotos. Esse tipo de conflito contamina todo mundo, já que cada um tem seu time de mecânicos, engenheiros, assessores, puxa-sacos.

É uma situação que a equipe já viveu no passado pelo menos duas vezes: com Ayrton Senna e Alain Prost (em 1988 e 1989) e com Lewis Hamilton e Fernando Alonso (em 2007). Dessas batalhas ninguém sai sem uma cicatriz — às vezes sobram até algumas feridas abertas. Todo cuidado é pouco.

Não foi a primeira potencial treta entre os dois, que desde o ano passado se veem em condições muito parecidas de ganhar corridas. Em 2024, ninguém gritou porque a luta pelo título estava mais distante. Mas, agora, um dos dois será campeão. Sorrisos e emojis fofinhos em mensagens pelo celular serão cada vez mais raros. Para sorte da equipe, nenhuma granada explodiu ainda. Vamos ver quem puxa o pino primeiro.

A McLaren chegou a 200 vitórias na F-1, isso já foi dito no domingo. São 11 nesta temporada, contra seis no ano passado inteiro. É um domínio que vai se estender até o fim do campeonato porque, a esta altura, está todo mundo pensando em 2026. Não há mais o que fazer para reverter o quadro. Basta ver a classificação entre as equipes aí em cima. Somadas, Ferrari e Mercedes têm menos pontos que o time papaia.

Na comemoração das duas centenas de triunfos, destaque para o ranking dos vencedores da história mclariana, do fundador Bruce McLaren (Bélgica/1968) a Norris (Hungria/2005). São 22 os que pilotos ganharam corridas pela equipe. O maior deles foi Senna, com 35 vitórias.

O NÚMERO DA HUNGRIA

45

…pontos fez a Sauber nas últimas seis corridas, desde a estreia de seu novo pacote técnico em Barcelona. Nesse período, o time suíço (e futuro alemão de quatro argolas) só não pontuou mais que as quatro grandes: McLaren (240), Ferrari (118), Mercedes (89) e Red Bull (51). Entre suas adversárias diretas, sempre nessas seis corridas, a Aston Martin foi a melhor com 38, seguida por Pode Parcelar em Três (23), Williams (16), Alpine (13) e Haas (9).

Bortoleto, P6: pontos virão aos montes

Gabriel Bortoleto chamou muito a atenção em Budapeste. Como disse seu empresário (e rival e amigo) Fernando Alonso, em frase destacada abaixo, um sexto lugar com a Sauber não é pouca coisa, ainda que o carro tenha melhorado muito de Barcelona para cá. Mas ainda é a Sauber, na melhor das hipóteses a quinta força do campeonato. Sendo assim, há pelo menos oito carros melhores à frente. E o brasileiro terminou à frente de dois da Red Bull, um da Ferrari e um da Mercedes.

Em 14 corridas, Bortoleto fez um curso intensivo de F-1 e aprendeu muito. É uma esponja que absorve conhecimento, técnica, atitudes, comportamentos, procedimentos, e aplica tudo isso ao seu estilo de pilotagem e convivência num ambiente normalmente hostil e excessivamente competitivo. Hoje, 5 de agosto, 14 GPs disputados, Gabriel é o estreante que vive o melhor momento no campeonato. Sua reputação está sedimentada e já não é mais visto apenas como um ex-piloto de F-2. “O que ele faz é excepcional”, definiu Alonso.

São sete os novatos de 2025. Kimi Antonelli ainda é o mais bem colocado, sétimo no Mundial com 64 pontos. Mas vive uma fase horrível. Domingo, com um apagado décimo lugar, fez seu único ponto em sete provas disputadas na Europa. Isack Hadjar, da Aceitamos Pix Se o Trump Deixar, está em 13º com 22. Liam Lawson, seu companheiro, tem 20 e é o 15º. Aí aparece Bortoleto, em 17º com 14. Ele ultrapassou Oliver Bearman, oito pontos, 19º no campeonato. Os outros dois rookies estão zerados — Jack Doohan e Franco Colapinto, ambos da Alpine.

A FRASE DE BUDAPESTE

“Ele é o melhor de sua geração. Se fosse inglês, em sexto com a Sauber, estaria na primeira página de todos os jornais amanhã.”

Fernando Alonso
Alonso: elogios a Bortoleto

E o que foi, afinal de contas, que aconteceu com Charles Leclerc neste GP da Hungria? Depois de descascar a equipe pelo rádio, especialmente depois do segundo pit stop, o monegasco baixou o tom ao final da corrida. A Ferrari citou um “problema no chassi”. Chaleclé mencionou “algo que estava fora do nosso controle” e pediu desculpas pelas palavras duras: “Retiro tudo o que disse”.

Bom, vou reproduzir o que meus colegas jornalistas italianos me contaram (e publicaram, portanto não é segredo algum). A Ferrari largou com o carro muito baixo, “no limite da legalidade”, como se diz, a prancha sob o carro estava raspando no asfalto de forma exagerada e havia o risco enorme de uma desclassificação por desgaste excessivo da peça, como aconteceu na China. Para tentar resolver o problema, primeiro mexeram no mapa do motor, reduzindo a velocidade máxima e evitando um “mergulho” desmoderado nas freadas, principalmente na curva 1. Como não estava resolvendo, na segunda parada colocaram pneus com pressão bem mais alta do que seria recomendável, elevando a altura do carro em alguns milímetros. Com os pneus mais cheios, compostos duros, para piorar, a aderência sumiu. Com o carro mais alto, a aerodinâmica foi comprometida. E Leclerc passou a perder nada menos do que dois segundos por volta.

Foi isso que aconteceu.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… do desempenho da Aston Martin, que teve seu melhor fim de semana de 2025, marcando pontos com seus dois pilotos pela segunda vez no ano. A outra foi em Silverstone. Foram 16 pontos anotados, elevando o time ao sexto lugar no campeonato. A briga é muito boa com a Sauber: 52 x 51.

NÃO GOSTAMOS… de ver Lewis Hamilton chegar a 14 corridas pela Ferrari sem um pódio sequer. A seguir, uma lista de pilotos mais recentes (e conhecidos) na história da equipe italiana com o número de GPs que precisaram para ganhar o primeiro troféu vestindo vermelho: Villeneuve (14), Alboreto (3), Berger (12), Massa (5), Raikkonen (1), Prost (2), Schumacher (2), Alesi (4), Mansell (1), Irvine (1), Barrichello (1), Alonso (1), Vettel (1), Leclerc (2) e Sainz (5).