SÃO PAULO (morde e assopra) – Nem parece 2025. A Ferrari ficou em primeiro e segundo hoje no último treino livre do dia para o GP do Azerbaijão. A McLaren, que pode ser campeã antecipada de Construtores neste fim de semana, ficou em décimo e 12º. Banana tá comendo macaco, diria um velho amigo que sempre, sempre mesmo, manda a mesma frase quando algo estranho às suas expectativas acontece. Um presidente da Câmara colocando um tema importante para o país em votação, por exemplo: “Banana tá comendo macaco”. Um bolsonarista indignado com o genocídio em Gaza: “Banana tá comendo macaco”. Um motoqueiro paulistano parando antes da faixa de pedestres: “Banana tá comendo macaco”.
Ferrari em primeiro e segundo é banana comendo macaco. Não sei se vai ser assim amanhã. A McLaren teve sua pior sexta-feira do ano — ao menos até onde me lembro. É bom que se diga que as coisas começaram bem para os papaias, com 1-2 no primeiro treino. Mas, no segundo, Lando Norris bateu a roda traseira esquerda no muro na saída da curva 4 e quebrou a suspensão. Tinha mais meia hora de treino pela frente ainda, mas ele perdeu o tempo de trabalho. Oscar Piastri também lambeu os muros de Baku e não teve uma segunda sessão tranquila.
É bom que se diga que os carros vermelhos têm bom retrospecto no Azerbaijão, ao menos em classificações. As últimas quatro poles de Baku foram anotadas por Charles Leclerc. Vitória já é pedir demais, mas cinco troféus que repousam nas estantes de Maranello foram conquistados na capital azeri, a cidade fustigada pelo vento. Sebastian Vettel foi segundo em 2016 e terceiro em 2019; Kimi Raikkonen ficou em segundo em 2018; e Leclerc terminou em terceiro em 2023 e em segundo no ano passado.
Por isso, se um dos dois, Leclerc ou Lewis Hamilton, fizer a pole amanhã, que ninguém caia da cadeira ou antecipe a decadência da McLaren. Pode ser que um dos dois consiga, para júbilo e euforia dos torcedores ferraristas. O que não significa que vão ganhar a corrida.
Quem quer ganhar mesmo é a McLaren. Com uma dobradinha ou um primeiro e terceiro lugares no domingo, o time passa a régua no título das equipes deste ano com sete provas de antecipação — seria um recorde, batendo a Red Bull de 2023 que fechou a conta no Japão, seis provas antes do final do campeonato.
E, na McLaren, quem precisa ganhar mesmo é Norris, 31 pontos atrás de Piastri na tabela. Para ser campeão, o inglês precisa descontar quatro pontos por etapa até o fim do ano, três delas com Sprints (Austin, Interlagos e Losail). No Mundial de Construtores, só para registrar, a McLaren tem 617 pontos contra 280 da vice-líder Ferrari. São 337 de diferença. Com 389 pontos ainda em jogo, o time inglês precisa sair do Azerbaijão com 346 de vantagem sobre quem estiver em segundo. A equipe, campeã no ano passado, busca seu décimo título mundial. Se não for agora, será na próxima, em Singapura. A vantagem é pornográfica.
A surpresa do dia, Ferrari à parte, foi a dupla da Haas entre os dez primeiros, com Oliver Bearman em quinto e Esteban Ocon em oitavo. Atrás dos carros vermelhos ficaram os dois da Mercedes, George Russell e Kimi Antonelli. Gabriel Bortoleto, da Sauber, foi o 15º.
No mais, foi um dia razoavelmente tranquilo dentro e fora da pista. O primeiro treino foi prejudicado por uma zebra plástica mal fixada no asfalto, comendo uns 20 minutos da sessão para arrumar. Nas arquibancadas, bandeiras celebraram Franz Hermann, que vocês sabem quem é. Se não sabem, informem-se! O cara vai ser a maior atração das 24 Horas de Nürburgring no ano que vem!
Amanhã tem mais um treino às 5h30 e a classificação começa às 9h. A corrida, domingo, tem largada prevista para as 8h, horários de Planaltina.
