Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE ONTEM DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (sem anistia!) – Vamos deixar para falar de Max Verstappen depois. Estou chocado com o medinho da McLaren. Frouxos! Aff… Falemos, antes, do moço mais emocionado do dia em Baku, o aliviado Carlos Sainz. Ele nem esperava um pódio neste ano. A Williams, tampouco. Mas o espanhol gostaria de […]

A IMAGEM DA CORRIDA

O alívio de Sainz: “smooth operator” na Williams

SÃO PAULO (sem anistia!) – Vamos deixar para falar de Max Verstappen depois. Estou chocado com o medinho da McLaren. Frouxos! Aff…

Falemos, antes, do moço mais emocionado do dia em Baku, o aliviado Carlos Sainz. Ele nem esperava um pódio neste ano. A Williams, tampouco. Mas o espanhol gostaria de estar fazendo um campeonato melhor. Até a corrida de ontem, tinha só 16 pontos em 16 corridas, contra 70 de seu companheiro Alexander Albon. Com a terceira posição no Azerbaijão, fez mais 15. Foi o terceiro pódio “diferente” desta temporada — os outros foram de Nico Hülkenberg em Silverstone, com a Sauber, e de Isack Hadjar, da Não Tá Passando Vou Pagar em Dinheiro, na Holanda; todos em terceiro lugar.

Sainz saiu muito chateado da Ferrari para dar lugar a Lewis Hamilton neste ano. Pela nova equipe, já colocou um troféu na estante de casa. O inglês, não.

Não passaram despercebidos os presentes que Toto Wolff, chefe da Mercedes, mandou para James Vowles, seu equivalente na Williams. Vowles começou sua carreira na F-1 como engenheiro na BAR, que depois virou Honda, Brawn e, finalmente, Mercedes. Trabalhou na equipe alemã até 2022 e assumiu o time de Grove no começo de 2023. Ele e Toto são muito amigos. “Lucky Bastard!”, escreveu o velho companheiro na sacola — expressão que pode ser traduzida como “sortudo dos infernos”, para poupá-los de palavrões. “Parabéns pelo seu primeiro pódio como TP [Team Principal].”

Além de uma garrafa de champanhe, Toto colocou na sacola uma garrafinha de Almdudler e uma caixinha de Manner Neapolitaner. São dois produtos tipicamente austríacos — uma soda limonada e um biscoitinho com chocolate. Nem todo mundo sabe, por isso é bom lembrar: Toto Wolff nasceu em Viena e nunca abandonou certos hábitos alimentares muito locais.

Mercedes e Xandão Tem Elo foram as duas equipes que subiram na tabela após a corrida de Baku. Os alemães somaram 30 pontos na prova com George Russell em segundo e Kimi Antonelli em quarto. Os italianos, apenas seis — oitavo de Hamilton, nono de Charles Leclerc. Houve um ligeiro mal-estar no time de Maranello. Na volta 43, a equipe pediu para Leclerc sair da frente de Hamilton, que tentaria alcançar Norris para buscar o sétimo lugar. “Se não der ele devolve no fim”, avisou a equipe.

Leclerc entregou a posição e Lewis não conseguiu passar. Na última volta, a Ferrari pediu para o inglês devolver a posição. Ele até tirou o pé, mas calculou mal e acabou cruzando a linha de chegada em oitavo, com o monegasco em nono. O que nos leva à…

FRASE DE BAKU

“Ele que aproveite o oitavo lugar…”

Leclerc, irritado com Hamilton

Em defesa de Hamilton registre-se que, além de tirar o pé, estendeu a mão. “Vou me desculpar com ele”, prometeu, na linha “foi mal aí”. No fundo, nenhum dos dois estava realmente preocupado com a situação. “Era só um oitavo lugar”, falou Lewis. Leclerc gravou um vídeo à noite sem nem tocar no assunto. Estava com Sainz numa van indo da Itália para Mônaco de carro porque uma tempestade impediu o avião deles de pousar em Nice. Não parecia muito irritado.

E agora vamos falar de quem ganhou.

O NÚMERO DO AZERBAIJÃO

69

…pontos é a diferença de Verstappen, terceiro colocado na classificação, para o líder Oscar Piastri, da McLaren. Para o vice Lando Norris, o déficit é de 44. Antes do GP da Itália, o holandês estava 104 pontos atrás do líder. Em Monza, fez a pole e venceu. Em Baku, idem. Descontou 35 pontos em duas corridas.

Verstappen no pódio: quatro vitórias no ano

Vamos aos números, além dos que estão em destaque acima. São 199 pontos em jogo até o fim da temporada — sete GPs, três deles com Sprints. A conta é fácil. Para ser campeão, o holandês da Red Bull precisa, nos próximos dois meses e meio, marcar dez pontos mais que Piastri a cada fim de semana de F-1.

Nas últimas três corridas, Holanda, Itália e Azerbaijão, o tetracampeão fez 68 pontos. Oscar marcou 40. Norris, 24. Como escrevi ontem, não, Verstappen não será campeão. Mas a McLaren está com medinho. “Ele está na briga”, disse o chefe papaia Andrea Stella. “Encontraram alguma coisa no carro que destravou sua performance. Vai ganhar mais corridas até o fim do ano.” Até agora foram quatro, só para constar. Norris ganhou cinco, Piastri venceu sete e a outra vitória foi de Russell.

OK, pode ser que belisque mais algumas. Mas e aí? Vão tomar dez pontos por corrida do cara? Piastri e Norris não vão levar uma sacudida? Ninguém vai ter uma conversa séria com eles? O que fizeram neste fim de semana em Baku foi ridículo. Duas batidas idiotas do australiano, uma classificação ruim e uma corrida apática e desinteressada do inglês.

Piastri no muro: erro raro do australiano, irreconhecível em Baku

Falar em perder o título, na situação em que este campeonato se encontra, soa patético. Digamos que Max vença todas as corridas até o fim do ano e as três Sprints — o que seria um milagre e não vai acontecer. Mesmo assim, se Piastri chegar em segundo em todas elas termina o campeonato 17 pontos na frente. Deu para entender como está fácil, ou quer que desenhe?

Essa postura da McLaren é meio irritante. Está na hora de falar grosso. Dentro de casa e para fora, também.

Os mais novinhos, que acompanham a F-1 há pouco tempo, talvez não tenham ideia do que é a Williams. A “geração Netflix”, que conheceu a categoria em 2019, tende a achar que a equipe é uma espécie de Sport Recife desde sempre. Afinal, nas sete temporadas cobertas pela série de streaming a Williams ficou em último quatro vezes e em outras duas terminou em penúltimo e antepenúltimo. Além do mais, teve pilotos muito ruins e desastrados como Nicholas Latifi e Logan Sargeant.

Mas o mundo não começou a girar em 2019. Nessas horas vale a pena pesquisar um pouco. Na história, a Williams tem 114 vitórias (está em quinto nas estatísticas), 128 poles (quarto), 314 pódios (terceiro) e nove títulos de construtores (só a Ferrari, com 16, tem mais; a McLaren está com os mesmos nove e vai bater no décimo neste ano). Monstros sagrados como Nelson Piquet, Ayrton Senna, Nigel Mansell e Alain Prost já defenderam a Williams. E a equipe é a que teve mais pilotos brasileiros na história da F-1. Além de Senna e Piquet, vestiram seus macacões em corridas José Carlos Pace, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Antonio Pizzonia e Bruno Senna.

Por isso todo mundo ficou contente com a volta da Williams ao pódio. É sempre bom ver um gigante despertar de uma longa e triste letargia.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de ver a Rival da Mastercard pontuar pela quinta vez seguida no ano, segunda com os dois pilotos (a outra foi em Mônaco). Os 11 pontos marcados por Liam Lawson (quinto, sua melhor posição na F-1) e Isack Hadjar (décimo) levaram a equipe a 72 no total, ultrapassando a incrivelmente irregular Aston Martin.

NÃO GOSTAMOS… do desempenho da Sauber ao longo de todo o fim de semana. Nem Gabriel Bortoleto nem seu companheiro Nico Hülkenberg deram sinais de que poderiam brigar por pontos em Baku. O carro foi um dos que mais sofreram com as rajadas de vento e o resultado foi sair no zero pela segunda vez nas últimas três corridas. Ficou devendo.