Blog do Flavio Gomes
F-1

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SÃO PAULO (vão bobeando, vão…) – Dificilmente uma Sprint será boa. Não dá para dizer sempre “corridão”, “sensacional”, “ixpetacularrrrr”. Porque são curtas, rápidas, não têm paradas para troca de pneus, prescindem de estratégias, dificilmente as posições ao final são muito diferentes das de largada, é entretenimento em dose sumária. Só que, às vezes, seus resultados […]

Max, George e Carlos, os três primeiros: muito bom para o holandês

SÃO PAULO (vão bobeando, vão…) – Dificilmente uma Sprint será boa. Não dá para dizer sempre “corridão”, “sensacional”, “ixpetacularrrrr”. Porque são curtas, rápidas, não têm paradas para troca de pneus, prescindem de estratégias, dificilmente as posições ao final são muito diferentes das de largada, é entretenimento em dose sumária.

Só que, às vezes, seus resultados podem ser importantes, o que melhora sua reputação. Foi o caso hoje da Sprint do GP dos EUA, em Austin. Roteiro que parece ter sido escrito por Manuela Dias, de tão inverossímil: os dois pilotos da McLaren, líder e vice-líder do Mundial, bateram. Entre eles. E o terceiro colocado no campeonato, que parece não estar querendo nada com nada, ganhou.

Max Verstappen venceu (sua 13ª vitória nas 22 Sprints realizadas desde 2021) e Lando Norris e Oscar Piastri bateram. Abaixo, uma espécie de “storyboard” do que aconteceu. Volto em seguida.

Na largada, Norris partiu mal e Piastri viu a chance de passar o companheiro. O inglês era o segundo no grid. O australiano, terceiro. Max foi embora, antes que me esqueça. Quando chegaram na curva 1, uma pirambeira de 40 metros, equivalente a um prédio de 13 andares (adoro essa curva, devo dizer), Lando estava por fora e Oscar tentou dar um X no parceiro.

Só que era largada, meu filho… Estava cheio de gente em volta. Faz-se isso quando só dois carros estão naquele lugar, naquela hora. Quando puxou para a esquerda, Piastri acertou Hülkenberg, coitado, que era o quarto no grid. Seu carro decolou (foto 1) e foi em direção ao de Norris (2), que foi acertado sem defesa (3) e estourou a suspensão traseira esquerda (4). Os dois abandonaram (5 e 6).

Milagrosamente, só mais um piloto abandonou no acidente, Fernando Alonso, da Aston Martin. Hulk ficou todo arrebentado, teve de ir aos boxes, trocou o bico, voltou lá atrás e deixou de ter qualquer chance de pontuar. Assim, quatro dos seis primeiros no grid ficaram fora da disputa logo na primeira curva — três abandonaram e um despencou para o fundo do pelotão.

Isso abriu a chance para os que vinham de trás. Alguns se deram muito bem: Yuki Tsunoda pulou de 18º para sétimo, desviando de todo mundo que estava parado na sua frente; Charles Leclerc, décimo no grid, fez o mesmo e passou em quarto ao final da primeira volta; Lewis Hamilton foi de oitavo para quinto; Carlos Sainz, de sétimo para terceiro; Alexander Albon, de nono para sexto; George Russell, de quinto para segundo; Oliver Bearman, de 16º para oitavo. Assim, o grid foi embaralhado. E determinou o resultado final da minicorrida de 19 voltas.

O safety-car foi acionado antes que a primeira volta fosse completada, deixando a pista apenas no final da quinta passagem. Verstappen tinha em seu encalço um Russell faminto, a menos de 1s dele e podendo abrir a asa para tentar a ultrapassagem. Na oitava volta, mergulhou por dentro na curva 12 e os dois tiveram de sair da pista para evitar uma batida. Verstappen, Russell, Sainz, Leclerc, Hamilton, Albon, Tsunoda e Bearman eram os oito primeiros. Na nona volta, Lewis passou Charlinho, que cometeu um erro. E, na décima, Russell desistiu de atacar Verstappen, que abriu mais de 1s5 para o inglês e passou a controlar a prova.

Não aconteceu nada de muito mais relevante até o final. Houve um duelo entre Bearman e Kimi Antonelli pelo oitavo lugar, na altura da 15ª volta. O inglês da Haas excedeu os limites da pista e levou 10s de punição em seu tempo total de prova, perdendo o último ponto do dia — na Sprint, nunca é demais lembrar, pontuam os oito primeiros colocados. Na 16ª volta, uma batida besta entre Lance Stroll e Esteban Ocon provocou um segundo safety-car, que ficou na frente do pelotão até o final. A corrida terminou sob bandeira amarela, um anticlímax danado.

Mas quem ficou fritando o cocuruto debaixo do sol de 31°C de Austin viu, pelo menos, um resultado relevante. Porque Max fez oito pontos e a dupla da McLaren, nenhum. Assim, o holandês reduziu de 63 para 55 pontos sua desvantagem em relação a Piastri: 336 x 281. Entre eles está Norris, agora apenas 33 pontos à frente do piloto da Red Bull. No Mundial de Construtores, a equipe austríaca apareceu no retrovisor da Ferrari na luta pelo terceiro lugar: 307 x 300 para o time italiano, que ficou mais longe da Mercedes (333) na briga pelo vice.

Gabriel Bortoleto terminou a Sprint em 11º, depois de largar em último. Não esteve em nenhum momento na iminência de marcar pontos. O brasileiro não vem andando bem no Texas, ao contrário de seu companheiro de equipe. Hulk, no entanto, terminou atrás de Gabriel por conta do incidente da largada. E ainda levou um pito público de Zak Brown, chefe da McLaren, que considerou o alemão responsável pela batida múltipla na primeira curva. “Nenhum de nossos garotos pode ser culpado pelo que aconteceu. Foi resultado de uma pilotagem amadora”, esbravejou.

Daqui a pouco, às 18h, tem definição do grid para o GP dos EUA. Até agora, o fim de semana tem sido muito interessante para Verstappen. E, do lado da McLaren, a preocupação só aumenta.