Blog do Flavio Gomes
F-1

AJUDA MEU PAI! (3)

SÃO PAULO (vão brincando, vão…) – Max Verstappen fez a barba ontem, com a pole-position para a Sprint do GP dos EUA. No início da tarde hoje, aparou os cabelos ao vencer a minicorrida americana. E deu um tapa no bigode no comecinho da noite, pelo horário de Taguatinga, ao cravar a pole para a […]

Verstappen depois de fazer barba, cabelo e bigode (até agora)

SÃO PAULO (vão brincando, vão…) – Max Verstappen fez a barba ontem, com a pole-position para a Sprint do GP dos EUA. No início da tarde hoje, aparou os cabelos ao vencer a minicorrida americana. E deu um tapa no bigode no comecinho da noite, pelo horário de Taguatinga, ao cravar a pole para a 19ª etapa do Mundial de F-1 em Austin, no Texas.

Vocês assistiram a “Encurralado”, o primeiro filme de Steven Spielberg, de 1971? De baixíssimo orçamento, rodado em 13 dias, é um thriller de suspense e terror que tem apenas dois personagens, na prática: David Mann (Dennis Weaver), um vendedor de eletrônicos viajando sozinho por estradas ermas da Califórnia, e um caminhão Peterbilt 281 cujo motorista não aparece em nenhum momento da fita. O caminhão é o terror do vendedor. Persegue-o o tempo inteiro. Parece ter vida própria, já que o caminhoneiro é invisível. É um monstro. Um monstro aterrorizante! Uma criatura assustadora! Um demônio ameaçador!

Se tivessem visto esse filme, Lando Norris e Oscar Piastri sonhariam com o caminhão esta noite. Verstappen é o Peterbilt. Como são mais novinhos, devem ter na memória algum filme parecido – está cheio de filme de monstro que persegue alguém, ou “alguéns”, dentro de carros que insistem em patinar as rodas, ou não saem do lugar, ou não correm o suficiente para salvar a vida dos mocinhos.

O monstrengo apavora a dupla da McLaren como em “Encurralado”

Max venceu a Sprint mais cedo e descontou oito pontos da dupla na classificação do campeonato. Amanhã, é muito provável que vença a corrida. Vai tirar mais alguma coisa. Neste momento, a única atitude sensata dos pilotos papaia é terminar a corrida o mais perto possível do holandês.

Vai ser menos difícil para Norris, que está em segundo no grid. Piastri, que anda dando sinais de que as coisas não estão muito bem em sua cabecinha australiana, larga apenas em sexto. Que trate de fazer sua corrida com alguma tranquilidade para minimizar o prejuízo que, nessa altura, já tomou nos EUA.

Max fez sua sétima pole no ano – é o piloto que mais largou na frente em 2025. Foi a 47ª de sua carreira. Na segunda fila estarão Charles Leclerc, da Ferrari, e George Russell, da Mercedes. São quatro equipes diferentes nas quatro primeiras posições. E vamos saber como foi que tudo isso aconteceu hoje em Austin.

Hadjar bate: bandeira vermelha logo no início

O Q1 ficou interrompido por 11 minutos depois que Isack Hadjar bateu forte no setor de “esses” (plural de S, não sei como escrever isso) do circuito americano. Ninguém tinha feito tempo, ainda. O francês da Pix Também Aceitamos não se conformou com a batida e ficou se esmurrando dentro do capacete.

Boxes abertos, as coisas correram numa certa normalidade. Norris errou em sua primeira volta, mas conseguiu um tempinho OK para avançar ao Q2. Ele e Piastri passaram, mas com tempos ruins. Nico Hülkenberg (sexto) e Pierre Gasly (sétimo) foram as surpresas da primeira parte da classificação. Dois pilotos que poderiam passar tranquilamente para a etapa seguinte da sessão tiveram suas voltas canceladas por exceder os limites de pista: Lance Stroll e Alexander Albon.

Ao final, foram eliminados Gabriel Bortoleto, Esteban Ocon, Stroll, Albon e Hadjar. O brasileiro da Sauber admitiu que não está “confortável” na pista texana. Elogiou o companheiro Hülkenberg e reconheceu que o problema, neste fim de semana, é ele mesmo. O canadense da Aston Martin, além de ficar sem tempo, ainda foi punido por causa do acidente com Ocon na Sprint e larga em último. Na frente, Verstappen ficou com o melhor tempo: 1min33s207. Na sequência vieram Russell (a 0s104), Kimi Antonelli, Leclerc, Liam Lawson, Hulk, Gasly, Lewis Hamilton, Carlos Sainz e Fernando Alonso nas dez primeiras posições.

Bortoleto: fim de semana ruim no Texas

A primeira boa volta do Q2 foi de Antonelli, 1min33s044. Os comissários, na torre de controle, pediam freneticamente ao pessoal do VAR para verificar se esses tempos muito bons não eram resultado de escapadas com as quatro rodas para fora dos limites da pista, o que acontece com certa frequência em Austin. O italianinho passou batido.

Norris foi o primeiro do sábado a baixar de 1min33s, mas sua alegria durou pouco. Verstappen vinha atrás dele e fez 1min32s701, 0s175 melhor que o inglês da McLaren. Leclerc e Hamilton também entraram no “Clube 32”, que acabei de inventar – a sociedade secreta dos pilotos capazes de fazer voltas na casa de 1min32s no Q2 de Austin em sábados quentes e ensolarados de outubro com 34°C de temperatura ambiente e fervilhantes 47°C no asfalto.

Outros entrariam nesse clube na sequência da classificação, no Q3. Mas muitos, não. E acabaram excluídos Hülkenberg, Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Gasly e Franco Colapinto. Foram para a disputa das dez primeiras posições as duplas de Mercedes, Ferrari e McLaren. Com eles, representantes avulsos da Red Bull, Haas, Williams e Aston Martin.

Na primeira leva de voltas rápidas do Q3, Russell entrou no clube supracitado com 1min32s959, que não era grande coisa. Norris virou 1min32s904, também mais ou menos, e pulou para primeiro. E Verstappen enfiou 1min32s510 nos dois. Se quisesse voltar para os boxes e abrir uma Coors geladinha, de boa. Ninguém conseguiria nada melhor. Hamilton e Leclerc ficaram em nono e décimo após as primeiras tentativas. O monegasco rodou na reta dos boxes. Não bateu em nada.

O grid nos EUA: sétima pole de Verstappen na temporada

Quem estava mal era Piastri, momentaneamente em sétimo. O australiano tem piorado a olhos vistos – adoro essa locução adverbial, das mais precisas de nossa língua. Na segunda bateria de voltas rápidas, o australiano melhorou um tiquinho e subiu para sexto. Alguns conseguiram baixar seus tempos, mas ninguém, mesmo, chegou perto da marca de Max na primeira volta. Nem ele, que sequer fechou a segunda tentativa. Norris subiu para segundo a 0s291 do holandês. Leclerc pulou para terceiro, a 0s297 da pole. Depois vieram Russell, Hamilton, Piastri, Antonelli, Bearman, Sainz e Alonso fechando o top-10.

O GP dos EUA, amanhã, começa às 16h de Ceilândia, com 56 voltas. Todo mundo está preocupado com o vento, que segundo a meteorologia vai mudar de direção, dificultando a vida dos pilotos pelas reações de seus carros às rajadas que virão sei lá de onde. Mesmo assim, Verstappen vai ganhar. Se não o fizer, será uma surpresa enorme. Como se Bartolomeu tivesse matado a Odete Roitman. Ou Aldeíde.

Falando nisso, que último capítulo horroroso esse, hein?