Blog do Flavio Gomes
F-1

BAÍA DA MARINA (1)

SÃO PAULO (se for dirigir, não beba; se não for, não beba também) – Singapura é um lugar quente pra burro. Quando não tenho nada para fazer e fico preenchendo aqueles mapas com os países que conheço, tico (do verbo “ticar”, que espero que exista) Singapura pelo critério “se já coloquei o pé em terra, […]

Piastri lambe o muro: mais rápido da sexta

SÃO PAULO (se for dirigir, não beba; se não for, não beba também) – Singapura é um lugar quente pra burro. Quando não tenho nada para fazer e fico preenchendo aqueles mapas com os países que conheço, tico (do verbo “ticar”, que espero que exista) Singapura pelo critério “se já coloquei o pé em terra, tá valendo como país visitado” — só sobrevoar o território não vale. É um bom critério, e graças a ele Colômbia e Chile entram na minha lista. No total, minha volta ao mundo resultou em 42 países, contando o Brasilzão velho de guerra. Se alguém tiver curiosidade, o mapa é esse aí embaixo. Cortesia do blogueiro: clicando na imagem, tem o link para fazer o seu.

Singapura incluído: aeroporto vale

E o que fui fazer em Singapura? Uma escala. Acho que estava indo para a Malásia, ou para a China, sei lá. Só sei que na sala de espera para o voo seguinte encontramos sabem quem? Gilberto Gil! Ele mesmo. Era, na época, ministro da Cultura. Voltava de não sei onde, ou estava indo para não sei onde, e engatou uma conversa com a gente sobre… Fórmula 1! Sabia tudo. Quem tinha ganhado a última corrida, quem era o favorito para a próxima, qual carro era bom, qual era ruim… Ô homem bonito da porra! Todo de branco, com tranças no cabelo, parecia um rei.

É minha lembrança de Singapura. O aeroporto também impressionou bastante, assim como o comentário de um brasileiro tonto que nos reconheceu (uso tudo na primeira pessoa do plural porque era nosso grupo de jornalistas), puxou conversa e ao passar suas impressões sobre o país, mesmo que ninguém tivesse pedido, contou que a coisa que mais o marcou na viagem foi que “aqui se você joga um papel de chiclete na rua eles cortam tua mão”. Estava profundamente admirado com a organização singapurense e elogiou com sinceridade a pena para quem jogava papel de chiclete na rua. Imbecil.

Bem, vamos falar dos treinos de hoje.

Não importa muito o que aconteceu na primeira sessão, com a luz do dia, às 17h30 locais — Singapura está 11 horas à frente do nosso fuso. Porque a corrida é noturna e as condições mudam muito. Essa prova de Marina Bay, aliás, foi a primeira noturna da história, em 2008. Depois virou carne de vaca, tem corrida de noite no Bahrein, na Arábia Saudita, em Las Vegas e deve ter alguma outra que me esqueci.

A pista já foi pior. Em 2023 reduziram de 23 para 19 o número de curvas e cortaram algumas muito lentas. O recorde para a longa volta do circuito é de Daniel Ricciardo, do ano passado: 1min34s486. Foi sua despedida da F-1 e uma forma de a equipe homenageá-lo e tirar um ponto de Lando Norris, que dominou a prova de cabo a rabo após fazer a pole. Assim, ajudou Max Verstappen, da mamãe Red Bull — o holandês nunca venceu em Singapura, única pista do calendário que ainda não ticou, do verbo ticar.

Agora não tem mais ponto extra da melhor volta, então não importa muito.

Norris não foi bem hoje, ficou em quinto no segundo treino, esse já realizado de noite, a 0s483 de Oscar Piastri, o mais rápido do dia. Houve algumas surpresas. Isack Hadjar, da Pode Parcelar? foi o segundo colocado, em sua primeira visita ao circuito. É um resultado que impressiona, porque a pista é tinhosa e cheia de muros. Circuito de rua, sabem como é… E a Aston Martin também andou bem, com Fernando Alonso em quarto (tinha sido o melhor do primeiro treino) e Lance Stroll em sexto. É uma pista travada, lembra um pouco a Hungria no quesito “paredões de asa”, e lá o time verde já tinha se comportado decentemente, também. Deve brigar por pontos.

Alonso soltando faísca: equipe deve andar bem domingo

Houve duas bandeiras vermelhas na segunda sessão, causadas por George Russell e Liam Lawson, cujos incidentes estão nas fotos mais no alto. O inglês da Mercedes foi de frente na barreira de proteção, quebrou o bico e não voltou mais à pista, embora tenha conseguido levar o carro andando para os boxes. Aconteceu com 18 minutos de treino. Lawson, por sua vez, bateu no muro da curva 17 e quando tentou voltar à garagem bloqueou a entrada do pit-lane. As duas interrupções tiraram tempo valioso de todo mundo.

Fez muito calor, como sempre, na casa dos 28°C à noite. A região é sufocante e muito úmida — 80% de umidade relativa do ar. Isso leva os pilotos ao esgotamento físico e à perda de peso. Dizem que na corrida os caras podem perder até 5kg, um ótimo regime. Como as condições climáticas foram consideradas “Heat Hazard” (perigo de calor, em tradução literal), a FIA solicitou que fosse usado uma espécie de colete que refrigera o corpo. Era optativo. Mas como o negócio tem um peso extra, quem não quis teve de carregar lastro no carro.

Outro incidente, este mais bizarro, resultou numa multa de dez mil euros para a Ferrari. Quando o treino foi reiniciado depois da segunda bandeira vermelha, a equipe liberou Charles Leclerc de forma perigosa e ele bateu em Norris dentro dos boxes. Realmente não foi uma boa sexta-feira para o inglês, que está 25 pontos atrás de Piastri na classificação e vai precisar suar bastante, com o perdão do trocadilho, para ser campeão.

Falando em título, a McLaren joga seu segundo “match-point” em Singapura. Para garantir o título de Construtores, precisa de meros 13 pontos.

Depois das fotos, caixinhas com as últimas notícias.

LIBERADO – Alex Dunne, irlandês de 19 anos que andou fazendo bons testes e treinos com a McLaren, teve seu contrato rescindido com a equipe papaia. Era uma aposta para o futuro, mas por alguma razão foi liberado. Essa “alguma razão” pode ser a Red Bull, que está de olho no menino, que hoje corre na F-2.

AUSENTE – Como revelou ontem a jornalista Julianne Cerasoli, do UOL, a Band(eirantes) não tem equipe “in loco” em Singapura. Pela primeira vez desde que a emissora voltou a transmitir a F-1, em 2021, uma corrida será mostrada sem repórter no local. Mariana Becker estava a caminho, mas voltou — ou chegou e não vai trabalhar. Tudo porque, segundo Cerasoli, o canal não está pagando os custos da equipe de produção, que inclui cinegrafista e produtor. A emissora não desmentiu a informação. Um vexame. E uma infração contratual, porque toda TV que tem direitos de transmissão é obrigada a enviar pelo menos um representante para todas as corridas. É regra antiga da FIA e atual da Liberty. A Band(eirantes), desde 2021, não mandou narrador e comentarista para nenhuma corrida fora do Brasil. Faz tudo de estúdio. Usa como vinheta de suas jornadas um tema musical requentado da época em que fazia a Indy (abaixo). Mas os “bandlovers” seguem inconformados com a volta da F-1 à Globo, porque o canal do Morumbi é o único que “respeita a categoria e os telespectadores”. Estamos vendo…

CONTRATADO – Pietro Fittipaldi foi contratado pela Cadillac como piloto de testes. Mas calma, patriotas! Ele não vai ser o terceiro piloto do time, vaga que a nova equipe pretende entregar a Colton Herta. O brasileiro se junta a Charlie Eastwood, que corre de Corvette no WEC, e a Simon Pagenaud, campeão da Indy em 2016, para ajudar no projeto da F-1 em simuladores, gincanas, quermesses e bazares beneficentes. A Cadillac terá grana de Carlos Slim, responsável pelos salários de Sergio Pérez. Por algum motivo que nunca entendi, o bilionário mexicano, que entre outras coisas controla a Claro, patrocina todo o clã Fittipaldi onde quer que os moços corram. Essa é a ligação com Pietro.