SÃO PAULO (está vivo) – Para quem está torcendo por um fim de temporada com os nervos à flor da pele, a pole-position de Lando Norris hoje no México acabou sendo um balde de água gelada. A escalada de Max Verstappen rumo a um título improvável – mas ainda possível – foi interrompida pela atuação até aqui impecável do inglês da McLaren, vice-líder do Mundial. Ele, que não fazia uma pole desde o GP da Bélgica, chegou à quinta dele neste ano e 14ª na carreira. E deixou a impressão, no autódromo Hermanos Rodríguez, de que não perde a corrida de amanhã nem por decreto. Se bobear, sai da Cidade do México na liderança do campeonato.
É que Lando não deu chances a ninguém na classificação. Charles Leclerc e Lewis Hamilton, segundo e terceiro no grid com a Ferrari, ficaram muito longe dele. Verstappen larga apenas em quinto. E Oscar Piastri, líder da temporada, parece que foi arrancado da tomada. Fez o oitavo tempo. Larga em sétimo porque Carlos Sainz, à frente dele, tem de pagar uma punição. Entrou em parafuso, o australiano.
Norris tinha acordado para a vida no último treino livre, ficando com a melhor volta e deixando todo mundo a léguas de distância – 1min16s633 foi seu tempo. Na classificação, abriu o Q1 com uma volta em 1min17s147. Seria superado por um surpreendente Oliver Bearman, mas daria o troco em seguida entrando na casa de 1min16s899. A 6min do fim, 0s970 separavam Lando, o líder, de Lance Stroll, o último. Até ali, as coisas estavam bem equilibradas.
Isack Hadjar foi outro que apareceu de surpresa em P1, com uma volta muito boa em 1min16s733. Só no finalzinho do segmento que Hamilton chegaria perto do francês, ficando a apenas 0s003 dele. George Russell, Norris, Esteban Ocon, Liam Lawson, Leclerc, Bearman, Verstappen e Piastri ficaram nas dez primeiras posições. Juntaram-se aos cadáveres do Dia de Los Muertos Gabriel Bortoleto, Alexander Albon, Pierre Gasly, Stroll e Franco Colapinto, os degolados no Q1.
Hadjar. Esse menino é bom. E está usando, no México, um capacete que faz referências à pintura usada por Alain Prost. Que também era bom, muito bom.
No Q2, com a pista melhorando rapidamente – característica do circuito mexicano –, os tempos começaram a entrar na casa de 1min16s logo de cara. Na primeira leva de voltas rápidas, Norris já virou em 1min16s252, disparado o melhor tempo do fim de semana até então. Piastri, porém, não acompanhava o ritmo do parceiro. Foi 1s034 pior que ele. Estava esquisito, o australiano. “Aconteceu algo no seu carro?”, perguntou o engenheiro. “Sim.” “Não tá andando nada, né?” “Sim.” “Você tá vendo que o Lando tá muito mais rápido, não?” “Sim.” “Já se tocou que vai perder o campeonato?” “Sim.” Você já pensou em parar de correr?”, irritou-se o engenheiro. “Sim.” Nessa hora, Zak Brown pediu para o moço na mureta pegar leve.
Oscar voltou à pista no final do Q2 para tentar salvar o fim de semana. Conseguiu um medíocre sétimo lugar a 0s485 de Norris. Mas avançou. Norris, Hamilton, Russell, Verstappen, Sainz, Leclerc, Piastri, Kimi Antonelli, Bearman e Hadjar passaram, pela ordem. Para o necrotério do Dia de Los Muertos se encaminharam Yuki Tsunoda, Ocon, Nico Hülkenberg, Fernando Alonso e Lawson.
Lando despontava como franco favorito à pole no Q3. Ele e Verstappen foram os primeiros a abrir voltas. Max virou a sua em 1min16s455. Lando devolveu com 1min16s170. Piastri, finalmente, fez uma volta aceitável em 1min16s469 e se colocou em terceiro. Mas, aí, veio a Ferrari para quebrar a banca: Leclerc fez 1min15s991, primeiro colocado, e Hamilton pulou para terceiro, atrás de Norris. Verstappen caiu para quarto e Piastri, para quinto. Tinha gente nova, vestida de vermelho, chegando para a festa.
Era uma classificação padrão e emocionante: duas voltas para cada um no Q3, com todos tentando alguma coisa nos segundos finais. E na segunda bateria de voltas voadoras, Oscar até melhorou um pouco, Max também, e Hamilton, e Leclerc… e Norris!
Esse melhorou foi muito. O inglês esfregou 1min15s586 na cara de todo mundo e cravou a pole. Deixou Chaleclé em segundo a 0s262 de distância e Hamilton em terceiro a 0s352 – é a melhor posição de largada de Lewis na Ferrari (ele tinha um quarto na Áustria). Depois deles vieram Russell, Verstappen (a 0s484 da pole), Antonelli, Sainz, Piastri (a 0s588), Hadjar e Bearman. Sainz cai para 12º, punido com cinco posições por causar um acidente com Antonelli na última corrida. Oscar, assim, parte em sétimo. E passa a impressão de que, mesmo liderando o Mundial, já perdeu o título. Está mortinho. Sobre sua volta muito ruim no Q3, disse apenas: “É um mistério”. Melhor desvendar logo.
Lando, por sua vez, era só alegria. “Que volta, nem eu sei como fiz isso!”, vibrou pelo rádio. “Não importa, importa é que você fez”, respondeu o engenheiro. “E quanto menos eu souber, melhor”, devolveu o piloto, que colocou a McLaren na pole no México pela primeira vez desde 1990, com Gerhard Berger. Ele está 14 pontos atrás do companheiro na classificação. E 26 à frente de Verstappen. O holandês, que disse que seu carro no México simplesmente “não funciona” — os pneus superaquecem e o carro desliza de um lado para o outro –, vai ter de cortar um dobrado para não voltar a perder terreno para os papaias na corrida.
Um deles, OK, parece fora de combate e está atrás dele no grid. O problema é o outro, que renasceu. Quando menos se esperava.
