FORTALEZA (tarde demais!) – O líder do Mundial Lando Norris começou bem a antepenúltima etapa do Mundial. Foi o mais rápido da quinta-feira em Las Vegas, que teve o segundo treino livre interrompido por causa de uma tampa de bueiro solta. Kimi Antonelli terminou em segundo, com Charles Leclerc em terceiro. Norris tem 24 pontos de vantagem na classificação sobre seu companheiro Oscar Piastri, que ficou em 14º. Max Verstappen, que tem chances remotas de título, foi o nono colocado. Hoje às 21h30 acontece o terceiro treino livre. A classificação será realizada à 1h do sábado.
Las Vegas está cinco horas atrás do horário de Brasília. Às 20h da quinta-feira no horário local, 1h da sexta no Brasil, os boxes foram abertos para o segundo treino livre, mas ninguém foi para a pista logo de cara. Fazia um frio desgraçado, 13°C, e depois do primeiro treino livre choveu, deixando os 6.201 m da pista urbana do jeito que nem o diabo gosta: nem molhada, nem seca. Úmida, em português bem claro. Ou ainda: úmida em brasileiro bem claro, não português, porque em Portugal eles escrevem húmida, com H.
Seis minutos foram necessários para convencer os primeiros pilotos a saírem dos boxes. Na primeira sessão, realizada algumas horas antes – 21h30 aqui, horário do futebol –, Leclerc havia registrado o melhor tempo, com 1min34s802.
Mas o bicho era menos feio do que se esperava. O asfalto secou rapidamente, apesar da baixa temperatura, e ninguém precisou usar pneu de chuva. Alguns pilotos relataram que a pista estava escorregadia, mas nada que impedisse o pessoal de treinar. E assim, aos poucos, todos foram deixando suas garagens. Com 15 minutos de sessão, os 20 carros andavam alegremente entre os hotéis cafonas de Las Vegas.
Mesmo com pneus médios, os tempos caíram bem em relação ao primeiro treino, em que os macios foram usados nas melhores voltas. A pista de Las Vegas é daquelas que evolui muito ao longo do fim de semana. Com metade da sessão, Leclerc era novamente o mais rápido, com 1min33s763, tempo mais de 1s melhor que o que havia feito no treino anterior.
Mas tinha adversários fortes. Pouco depois Norris e Antonelli superaram o monegasco, assim que colocaram os pneus macios. E mais uma vez os tempos despencaram. Mas, faltando 19 minutos para o encerramento, uma bandeira vermelha interrompeu a sessão. Como ninguém tinha batido, ninguém entendeu direito o que aconteceu. Jogaram um baralho na pista? Caiu uma bolinha da roleta e ficou no meio de uma curva? Dados que escaparam da mesa e foram parar na reta?
Chuva não havia. E apareceu a primeira mensagem no Twitter da McLaren: uma tampa de bueiro solta na curva 17 – a última do circuito. Situação igual à de 2023, episódio vergonhoso que cancelou o primeiro treino do fim de semana naquela ocasião. Mais um vexame em Las Vegas. Mas como o que acontece em Vegas fica em Vegas, foda-se. Ninguém jamais vai ameaçar os organizadores dessa corrida. Entra muita grana. Contra grana, ninguém fala nada.
Sem previsão de volta, teve piloto que saiu do carro e deu o dia de trabalho por encerrado, já que o cronômetro não para em treino livre quando há bandeira vermelha – no caso, Lewis Hamilton. As imagens da TV não mostraram o bueiro aberto – ainda bem, porque de bueiro aberto sempre há o risco de sair algum patriota, e tal cena seria lamentável no meio da madrugada. A transmissão começou a catar o que fosse possível para encher linguiça. Apareceu até um clone de Elvis Presley celebrando um casamento – acho que era isso. Mas os boxes foram abertos depois de 13 minutos, com seis restantes para um último suspiro de treinamento. Como o bueiro não apareceu na TV, é lícito imaginar que tudo não passou de um alarme falso.
Os minutos derradeiros só serviram para Leclerc parar antes de completar uma volta. Seu câmbio aparentemente quebrou. A 2min20 do final, porém, uma nova bandeira vermelha encerrou as atividades de vez. Novamente sem maiores explicações. Na hora, apareceu uma mensagem meio ridícula nas telas dos computadores: “Manutenção da pista”. Fotos que circularam nas redes sociais, feitas por torcedores nas arquibancadas, mostraram dezenas de viaturas no local, com agentes da CIA, FBI, fuzileiros navais e o serviço secreto avaliando a situação.
Depois de Norris, Antonelli e Leclerc, Hülkenberg, Hadjar, Lawson, Russell, Albon, Verstappen e Hamilton fecharam as dez primeiras posições. Gabriel Bortoleto não teve chance de usar pneus macios e ficou em último.
NOVO SÓCIO – “A Mercedes-AMG PETRONAS F1 e George Kurtz, CEO e fundador da CrowdStrike, anunciaram hoje que Kurtz se tornou coproprietário da equipe e foi nomeado Consultor de Tecnologia. Por meio da aquisição pessoal de uma participação minoritária de 15% na entidade proprietária controlada por Toto Wolff, que detém um terço da equipe em parceria com a Mercedes-Benz e a INEOS, Kurtz se junta à Mercedes-Benz, à INEOS e a Toto Wolff no grupo proprietário de longo prazo da equipe.” É um trecho do comunicado emitido ontem pelo time alemão. Nascido em Nova Jersey, nos EUA, Kurtz tem 55 anos e também é piloto. Começou a competir profissionalmente em 2016 e já ganhou até 24 Horas de Le Mans na LMP2. A CrowdStrike é uma empresa de cibersegurança. Desde 2019 patrocina a Mercedes na F-1.
MASSA – A Justiça inglesa aceitou levar a julgamento algumas das reivindicações de Felipe Massa na ação que move contra a F-1, Bernie Ecclestone e a FIA por conta da temporada de 2008. O brasileiro alega que a entidade conspirou contra o regulamento ao não cancelar o resultado do GP de Singapura daquele ano, cujo resultado foi manipulado pela Renault para que Fernando Alonso tivesse a chance de vencer. Todos lembram: seu então companheiro Nelsinho Piquet bateu o carro de propósito num momento em que o espanhol já tinha trocado pneus. Todos pararam nos boxes para trocar pneus e reabastecer e Alonso assumiu a ponta para não perder mais. Massa, piloto da Ferrari, foi um dos que foram aos boxes no momento do safety-car, mas teve um problema no reabastecimento. Ele alega que perdeu o título por causa dessa corrida e ainda quer uma indenização no valor de US$ 82 milhões, além do reconhecimento formal da FIA de que não aplicou o regulamento. Massa quer ser reconhecido como campeão de 2008.
