Blog do Flavio Gomes
F-1

FICA EM VEGAS (3)

Quase cinco horas após o fim do GP de Las Vegas, o resultado foi alterado. E a mudança envolveu líder e vice-líder do campeonato. Lando Norris, segundo colocado, e Oscar Piastri, o quarto, foram desclassificados. Motivo: desgaste excessivo da prancha sob o carro, que regula a altura dos bólidos em relação ao solo. Essas pranchas […]

Quase cinco horas após o fim do GP de Las Vegas, o resultado foi alterado. E a mudança envolveu líder e vice-líder do campeonato. Lando Norris, segundo colocado, e Oscar Piastri, o quarto, foram desclassificados. Motivo: desgaste excessivo da prancha sob o carro, que regula a altura dos bólidos em relação ao solo. Essas pranchas são medidas após cada corrida e há um limite para o desgaste do material. Coisa de frações milímetros, mas não tem nem como reclamar. Ou a prancha está na medida, ou não está. Agora, Max Verstappen está apenas 24 pontos atrás de Norris na classificação, e empatado com Piastri. Veja os resultados corrigidos e a nova classificação na próxima postagem, “Fica em Vegas (4)”.

Verstappen e Norris no Cadillac cor de rosa: vitória fácil do holandês

FORTALEZA (deu sono) – Não foi grande coisa o GP de Las Vegas. A vitória de Max Verstappen era até esperada, nas condições de pista seca com temperaturas mais altas do que na quinta e na sexta-feira – a corrida aconteceu na noite de sábado em Nevada, já madrugada de domingo no Brasil. Se na véspera choveu e os termômetros marcaram 11°C, na hora da prova a temperatura era de 16°C, sem nenhum sinal de água.

Foi muito fácil para o holandês chegar à sexta vitória no ano, 69ª na carreira. Assumiu a ponta na largada e ficou nela até o fim. Lando Norris foi o segundo colocado e George Russell fechou o pódio. Oscar Piastri, vice-líder do campeonato, acabou em quarto.

Com o resultado, Lando foi a 408 pontos na classificação, exatos 30 a mais que seu companheiro de McLaren. Max tem 366. A diferença dele para o líder caiu de 49 para 42 pontos. Faltam duas corridas para o encerramento da temporada, nos próximos dois finais de semana: Catar e Abu Dhabi. São 58 pontos em jogo, porque em Losail tem Sprint. Para ser campeão já na próxima etapa, Norris precisa sair do Catar com 26 pontos de vantagem sobre o segundo colocado. As chances de isso acontecer são bem razoáveis.

Largada: Verstappen assumiu a ponta e foi embora

A história do GP de Las Vegas de 2025 não teve muitos capítulos interessantes. Na verdade, a prova foi decidida assim que as luzes vermelhas se apagaram. Norris e Piastri largaram mal, perdendo duas posições cada nas primeiras curvas. Verstappen e Russell passaram o inglês; a dupla da Meu Cartão Não Passa, Isack Hadjar e Liam Lawson, jantou o australiano. Lewis Hamilton, lá de trás, partiu muito bem e passou na primeira volta em 13º. No fundão, toques, choques e atritos. O maior deles causado por Gabriel Bortoleto, que mergulhou feito um louco por dentro na curva 1 e acabou batendo em Lance Stroll, que por sua vez acertou Pierre Gasly.

Um desastre, o início do brasileiro. Não bastasse acabar com as corridas dos pilotos da Aston Martin e da Alpine, teve de ir aos boxes com o carro todo arrebentado e abandonou. Pelo segundo GP seguido, Gabriel não conseguiu completar uma volta inteira sem bater em alguém ou em alguma coisa. “Perdi a freada e bati no Stroll. Peço desculpas a ele”, disse o piloto da Sauber.

Houve a necessidade de acionamento do safety-car virtual para limpar a pista, porque Lawson também deixou pedaços pelo caminho após refrega com Piastri – que recuperou uma posição quando o neozelandês despencou para o fim da fila. A neutralização aconteceu das voltas 2 a 5, quando então a corrida começou de verdade.

Verstappen e Russell se desgarraram de Norris, o terceiro, e foram embora. Tinham os mesmos pneus, médios – escolha de 14 dos 20 no grid; Kimi Antonelli largou com macios e Nico Hülkenberg, Franco Colapinto, Alexander Albon, Bortoleto e Hamilton, de duros. Max, como de hábito, tratou de abrir logo mais de 1s sobre o segundo colocado, para não ser ameaçado pela asa móvel do rival.

Na 12ª volta, o morto-vivo Piastri foi ultrapassado por Charles Leclerc e caiu para sétimo. O monegasco, endiabrado, foi para cima de Hadjar e passou o francês na volta 14, assumindo a quinta posição. O safety-car virtual foi acionado de novo na volta 16 porque sobraram restos da Williams de Albon, que tinha tocado na traseira de Hamilton. Foi rapidinho e, na retomada, Piastri passou Hadjar e foi para sexto.

Russell foi o primeiro da turma da frente a fazer um pit stop. Parou na volta 18 e colocou pneus duros. Pelo rádio, a McLaren mandou Norris socar o pé para tentar ganhar a posição do inglês da Mercedes nos boxes. Piastri parou na 22ª volta. Norris, na passagem seguinte, assim como Sainz. O líder do campeonato não conseguiu voltar à frente de Russell.

Na metade da corrida, Verstappen, Leclerc, Russell, Norris, Hülkenberg, Hamilton, Esteban Ocon, Antonelli, Piastri e Carlos Sainz eram os dez primeiros. Alguns desses não tinham trocado pneus, ainda. Chaleclé parou e caiu para nono. Àquela altura, estava claro: a estratégia de todo mundo era de apenas uma parada. Max fez sua troca na volta 26. Quando saiu dos boxes, viu Russell bem perto, a 1s3 dele. Mas tinha as coisas sob controle.

Piastri: mais uma atuação apagada, quarto colocado

Hülkenberg foi o último a parar, na volta 30. Com isso, todos de pneus trocados, Verstappen, Russell, Norris, Antonelli, Piastri, Leclerc, Sainz, Hadjar, Hulk e Hamilton ocupavam as dez primeiras posições.

Lando encostou em Russell na volta 34 e não teve muitas dificuldades para passar o #63 prateado. A equipe, otimista, animou seu piloto: passa logo e vamos para a vitória! O holandês, na liderança, estava 5s à frente do agora segundo colocado. Pelo rádio, a Red Bull o alertou sobre as intenções da McLaren. “Eles disseram que vão pra cima da gente”, falou o engenheiro. Max nem respondeu.

Na volta 40, a melhor disputa acontecia entre Antonelli, Piastri e Leclerc, de quarto a sexto. O italiano, que tinha largado em 17º, fazia uma ótima prova. Tinha trocado pneus na segunda volta, aproveitando o safety-car virtual, e foi escalando o pelotão. Seu problema seria, ao final, uma multa de 5s pela queima de largada – imperceptível, diga-se.

A ameaça de Norris ficou só na conversinha, mesmo. Verstappen estabeleceu uma vantagem para ele na casa de 6s, sem que Lando conseguisse reduzir. Na prática, não precisava. Com Piastri atrás dele, a diferença na pontuação aumentaria mais um pouco e essa era sua meta em Las Vegas. A vitória de Max não mudaria muito sua situação no campeonato.

E assim foi. A cinco voltas do final, Norris tirou o pé totalmente e acabou recebendo a bandeirada 20s741 atrás de Verstappen, com Russell em terceiro. Antonelli passou em quarto na quadriculada, mas caiu para quinto com a punição. Piastri herdou o quarto posto. Leclerc, Sainz, Hadjar, Hülkenberg e Hamilton fecharam a zona de pontos.

Os três primeiros montaram num Cadillac conversível cor de rosa feito de Lego para ir ao local onde seriam entrevistados antes do pódio, em frente a um daqueles hotéis enormes. O motorista era aquele ator que faz os comerciais da Shopee, cujo nome me escapa – todo ano ele aparece em Las Vegas. Depois das declarações de praxe, Mickey Mouse regeu a fonte luminosa de águas dançantes e drones formaram a imagem de um carro de F-1 no céu. Oh, que espetáculo. Uma semana depois entregaram os troféus, finalmente.

Assim que terminou a corrida, a direção de prova anunciou uma punição para Bortoleto por conta do acidente na primeira volta. O brasileiro perderá cinco posições no grid no Catar. Os comissários consideraram que ele freou muito tarde e foi o responsável pela batida em Stroll.

Em resumo, o GP das ruas da capital da jogatina mundial não ficará para a história. Serviu apenas para Verstappen mostrar mais uma vez sua enorme categoria e para Norris dar mais um passo, bem largo, rumo ao título. Não vai precisar se esforçar muito nos próximos domingos. É só não bater nem quebrar. O que, convenhamos, não é tão difícil assim. Piastri foi desligado da tomada e Verstappen precisa de um milagre para ser campeão.

Lando já pode colocar o champanhe no gelo.