
CAPITAL PAULISTA (preparem as capas) – Lando Norris, que vive ótima fase tanto no pessoal quanto no profissional, fez a pole-position para a Sprint do GP da Capital Paulista, minicorrida de 24 voltas que será disputada amanhã às 11h em Interlagos se o ciclone extratropical da Enel permitir. Permitindo, é bem provável que a prova aconteça com pista molhada, de acordo com os serviços meteorológicos.
O inglês da McLaren, líder do campeonato, terá a seu lado na primeira fila um fã declarado de Ayrton Senna, que até ao cemitério foi durante a semana para visitar o túmulo do brasileiro: Kimi Antonelli, da Mercedes. O menino usa o número 12 em seu carro, o mesmo que Ayrton usou de 1985 a 1988 na Lotus e na McLaren.
Oscar Piastri, vice-líder do Mundial apenas um ponto atrás de Norris, seu companheiro de equipe na alegria e na tristeza, larga em terceiro. Max Verstappen, que ainda sonha com o título, colocou a Red Bull na sexta posição. Gabriel Bortoleto, da Sauber, será o 14º no grid. A Sprint dá pontos do primeiro ao oitavo colocado.
A classificação para a Sprint, oficialmente chamada de Shootout, ou “chutáut”, que é o jeito certo de falar, começou com sol de geladeira, 18°C, e terminou com o céu já bem nublado. Um tempo carrancudo. Foi aquela pauleira de sempre: pouco tempo para fazer voltas rápidas, nenhuma margem de erro, um salve-se quem puder. Boxes abertos, pneus médios para todos – é regra –, a ordem é: faça logo um tempo decente e torça para ficar entre os 15 na primeira parte. Depois a gente vê.
A McLaren foi a primeira a entrar na casa dos nove, como a gente fala nos boxes: 1min09s702 para Norris, que vive bom momento no pessoal e no profissional – acho que já disse isso, mas vale o reforço. Depois, baixou para 1min09s627. Verstappen também entrou rapidamente nos nove, 1min09s975. Fernando Alonso, Piastri, George Russell, Oliver Bearman, Isack Hadjar, Pierre Gasly, Bortoleto e Lewis Hamilton foram os dez primeiros. Algumas observações aqui. Primeiro, ótimo trabalho de três estreantes – Bearman, Hadjar e Bortoleto – e do veterano Alonso. Segundo, um carro parece que acordou do nada, o Alpine de Gasly – no treino livre ele já tinha dito isso, que é o melhor carro que tem no ano, que Interlagos lhe traz grandes memórias, que essa pista é mágica e blá-blá-blá. E só, achei que teria uma terceira observação, daria ritmo ao texto, mas não tenho.
Os degolados foram Franco Colapinto, Liam Lawson, Yuki Tsunoda, Esteban Ocon e Carlos Sainz.
Sainz em último, puxa vida. Reclamou da “pior execução” da vida quando recebeu a bandeira quadriculada. “Execução” hoje, na F-1, é saber a hora de mandar seu piloto para a pista para fugir do tráfego, preparar a volta rápida – tem de aquecer pneus a temperaturas muito exatas, idem para os freios, entender a direção do vento, decifrar os mistérios dos deuses da velocidade –, pegar um vácuo, se der. Mas tenho cá minhas desconfianças de que o que Sainz executou mal foi a escolha do cardápio quando chegou a São Paulo, talvez tenha arriscado um dogão de Osasco, eu não cai bem para todo mundo. Ontem ele nem apareceu no autódromo porque estava se sentindo mal. Depois vamos ouvi-lo para saber o que aconteceu.
Vamos ao SQ2, ou “chutáut 2”, como queiram. De novo tudo na correria, dez minutinhos e nada mais, não peçam muita coisa para os engenheiros, vão lá e se virem, novamente com pneus médios. E todo mundo começou a andar na casa de 1min09s. Nove baixo para os mais rápidos, como a gente fala nos boxes. Alonso virou 1min09s330 na primeira tentativa, quase 0s4 melhor que a primeira de Verstappen. Norris, Russell e Piastri chegaram perto do espanhol, que terminou numa surpreendente primeira colocação. Bonita volta, Fernandinho. (Procurem no Google: US Top Fernandinho, só isso. Estou meio sem tempo para explicar minhas referências culturais.)
Fim de papo, eliminados: Hamilton, Alexander Albon, Gasly, Bortoleto e Bearman.
Dois dos três estreantes elogiados parágrafos acima não confirmaram o entusiasmo inicial do escriba, assim como Gasly. Lewis, cidadão honorário desta nação, foi a decepção. Charles Leclerc se safou. Nico Hülkenberg, que em 2010 fez a pole em Interlagos pela Williams, colocou a Sauber na fase final da classificação. Faz tempo, e ele segue por aqui, firme e forte. Naquele ano o grid ainda tinha Michael Schumacher, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Robert Kubica, Jarno Trulli e Pedro de La Rosa.
Alonso, Norris, Russell, Piastri, Antonelli, Hadjar, Lance Stroll, Verstappen, Leclerc e Hülkenberg avançaram. Sete equipes diferentes, três delas – Aston Martin, McLaren e Mercedes – com suas duplas, quatro com representantes solitários – Aqui Todo Mundo Usa Pix, Red Bull, Ferrari e Sauber.
No SQ3, todos tiveram seu primeiro contato com os pneus macios em Interlagos, já que ninguém usou o composto nos treinos livres (só Tsunoda, mas esse já tinha dançado). Norris saiu logo no início – eram só oito minutos de pista – e fez 1min09s271 de cara. Alguns pilotos, como Stroll, Alonso Verstappen e Hadjar, optaram por uma tentativa solitária. Lando, na segunda volta, melhorou: 1min09s243. E só ele. Vive, como já dito, mas realmente julgo pertinente repetir, uma ótima fase no pessoal e no profissional.
Antonelli, em segundo, foi a surpresa do sábado, no fim das contas. Ficou a 0s097 do inglês, numa pista que não conhecia, ainda. Piastri ficou a 0s185 do companheiro cor de mamão. Ao seu lado na segunda fila estará Russell. Alonso ficou em quinto, uma posição à frente de Verstappen. O tempo do holandês foi 0s337 pior que o de Norris. Stroll, Leclerc, Hadjar e Hulk fecharam o top-10.
Norris tem uma chance de ouro amanhã de ampliar a vantagem sobre seus dois concorrentes direto ao título. Verstappen está 36 atrás e se terminar o fim de semana de Interlagos com menos pontos que o britânico, pode dar adeus ao campeonato. Esta pista, na zona sul da Capital Paulista, já decidiu seis títulos: de 2005 a 2009 em sequência e em 2012. Não sai campeão daqui, domingo. A matemática impede. Mas o resultado do Brasil definirá o destino de Max em 2025.