SÃO PAULO (mais um) – Eis a Aston Martin! O que acharam do AMR26? Sacaram a asa dianteira? Perceberam a parada das suspensões? Notaram a genialidade dos bargeboards, do assoalho, das entradas de ar?
Eu não achei nada de nada, o que é uma pena, porque trata-se do primeiro projeto autoral de Adrian Newey para a equipe de Lawrence Stroll. A Honda reencontra Alonso, que um dia, tão distante que se perdeu no tempo, disse que os motores japoneses eram tão ruins que se pareciam com os da GP2.
Os anos se passaram, a Honda ganhou quatro campeonatos com Verstappen e com a Red Bull, e mesmo assim decidiu abandonar a F-1, para depois voltar atrás e encontrar as portas rubro-taurinas fechadas. Sobrou a Aston Martin.
A equipe tem dinheiro, bastante, e ambições. Mas por enquanto não se viu grande coisa na pista, exceto em 2023, temporada em que Fernandinho conseguiu incríveis oito pódios e ficou em quarto lugar no campeonato — o time ficou em quinto entre os construtores.
Hoje o carro mal andou. Lance Stroll foi o encarregado dos trabalhos, saiu dos boxes no fim da tarde e parou no meio da pista. Vamos ver amanhã.
A Mercedes encerrou sua labuta com mais 168 voltas, 90 de Antonelli e 78 de Russell, completando 502 nos três dias em que andou. Hoje a equipe fez questão de lembrar ao distinto público que exatos 140 anos atrás, em 29 de janeiro de 1886, Carl Benz patenteou o primeiro motor de automóvel do mundo. Na tabela de tempos, George foi o mais rápido do dia com 1min16s641. Kimi ficou em segundo. A McLaren voltou à pista com Piastri e andaram também Ferrari (com Leclerc e Hamilton), Pode Ser no Pix (com Lindblad e Lawson) e Cadillac (com Pérez). Haas, Alpine, Red Bull e Audi ficaram nos boxes.
Sem problemas sérios de quebras e com uma performance aceitável, a Mercedes pode se dar por satisfeita nesta primeira semana. O ponto forte, claro, a confiabilidade. Mais de 500 voltas em três dias é um feito e tanto para um motor novo em folha. O que é uma boa notícia para quem também usa as unidades alemãs, como McLaren, Williams e Alpine. Clientes que, certamente, não recorrerão ao Reclame Aqui ao longo do ano.
As declarações dos pilotos continuam evasivas e desimportantes. De tudo que disseram, duas coisas apenas se salvam: que os carros têm muito menos “downforce” que os da última geração e que o jeito de guiar é “muito diferente” de qualquer coisa que eles tenham guiado na vida.
Tratem de se adaptar.
