
SÃO PAULO (tá chegando!) – Eis os 22 pilotos de 2026 na foto da turma feita no Bahrein. Pegaram alguma garagem vazia e fizeram a imagem sem gastar muita coisa com cenário. São tempos de austeridade.
Sou um analista de macacões, casos vocês não saibam. Deveria ter sido estilista, sempre acho que escolhi a profissão errada. Farei críticas individuais abaixo. Depois volto para falar do primeiro dia de testes da última semana da pré-temporada.
AUDI – Tinha gostado muito da programação visual da Audi em geral, da pintura dos carros aos uniformes dos mecânicos, até perceber que os macacões de Bortoleto e Hülkenberg são pretos da cintura para cima e acinzentados da cintura para baixo. Isso faz deles modelos da Ducal, com calças cinza e camisas pretas. Horríveis.
ALPINE – Muito feios. Seus pilotos parecem estar usando colete à prova de balas cor de rosa, o que é de evidente mau gosto.
FERRARI – Os da Ferrari são bonitos e elegantes, porque italianos são bons de moda. Os modelos, dois homens lindos, ajudam. Faixas verticais nas laterais cooperam na composição, deixam tudo mais longilíneo.
RED BULL – Esses possivelmente estão com o prazo de validade vencido, a FIA precisaria verificar, porque são os mesmos de 2005. A equipe deve ter comprado um grande lote de macacões na época de sua fundação e usa os mesmos há mais de 20 anos. Se procurarem bem, no de Hadjar deve estar bordado “Klien” em algum lugar. O de Verstappen foi usado por Coulthard, certeza.
CADILLAC – Compraram macacões de brim, daqueles que vendem para kart indoor de shopping. A sapatilha de Pérez parece um Kichute.
WILLIAMS – Branco cai bem em macacões, o problema é lavar. Mas estão OK. Se resolverem mudar, podem revender para motoristas de ambulância no Mercado Livre.
McLAREN – Quem é que achou que aquele desenho preto perto do pescoço, só para um lado, iria ficar bom? Parece um babador torto. E notem a postura de Piastri, lá em cima. Parece um menino esperando para receber a hóstia na Primeira Comunhão.
MAQUININHA DE APROXIMAÇÃO – Não consigo olhar para os uniformes desses moços sem lembrar de meus antigos carnavais em Campinas, quando depois de umas doses de Carpano e dois tubinhos de lança perfume, antes de entrar no salão da Fonte, tombava num jardim qualquer do Cambuí e chamava o Hugo. Aí ficava tudo bem.
ASTON MARTIN – Verde mais morto que esse, só o da camisa do Palmeiras. Com preto, poderia lembrar o América Mineiro. Mas aquele friso amarelinho… Barbaridade.
HAAS – Não é ruim. O logotipo da Haas, porém, parece ter sido feito por algum primeiranista do curso de desenho industrial do Mackenzie em 1982.
MERCEDES – De longe, o melhor de todos. As faixas da adidas nos ombros, o azul-turquesa (verde-maravilha?) da Petronas nas pernas, tudo no lugar. Cores bonitas, que combinam.
Aos treinos, agora.
Hoje foi Russell, o mais rápido. O tempo dele, 1min33s459. Pouquinho melhor que o melhor da semana passada, e assim as marcas vão caindo naturalmente. Pneus mais macios estão sendo usados nesta semana. O que não cai muito é a diferença entre as equipes da frente e as mais lerdas. No regulamento anterior, chegamos a ter 20 carros no mesmo segundo em alguns treinos livres de GP no ano passado. Procurei isso aleatoriamente e encontrei o resultado de um TL em Monza com resultado assim. Houve outros.
Hoje, temos 22 carros no mesmo dia, para ser bem otimista. Cadillac e Aston Martin estão muito, muito distantes. Audi, Débito ou Crédito?, Williams, Haas e Alpine parecem andar na mesma toada. Mas estão próximas apenas entre elas, bem longe do quarteto Mercedes/McLaren/Ferrari/Red Bull.
Chama a atenção a confiabilidade (palavra horrível, vou procurar outra; gosto de “fieza”, mas ninguém vai entender) do motor Audi. A unidade de potência saiu do forno outro dia, mas tem funcionado direito e não quebra. Parece o AP do meu Gol Bolinha.
O único dos 22 pilotos que ficou de folga hoje foi Verstappen. A Red Bull trabalhou apenas com Hadjar. Max deu novas entrevistas, para falar sobre o que havia dito na semana passada — que esses carros de F-1 não são de F-1, basicamente. Hoje, negou que esteja pensando em se aposentar por desgosto. “Eu preferiria que fosse diferente, em termos de regulamento? Sim. Mas também sei que é assim que as coisas funcionam, então precisamos nos virar com o que temos”, disse, conformado.
Houve treino de largada, porque tinha muita gente com medo de ver carros parados no grid já que não dá tempo de os últimos “encherem” o turbo quando estacionam em seus lugares. Até o ano passado, as luzes se acendiam assim que o último chegava, e se apagavam rapidamente para começar a corrida. A FIA decidiu, então, que vai haver uma luz azul dentro dos carros, no volante, informando que a turma toda ainda está alinhando e precisa de um tempinho para “ligar a turbina”. “Vai ser tranquilo, é só esperar a turma de trás”, tranquilizou Bottas, que pertence à turma de trás. “O procedimento vai ser mais demorado, mas não tem perigo nenhum”, aquiesceu Hamilton.
Na simulação, ninguém ficou parado no grid. Acho que isso será resolvido até Melbourne.
E a última notícia do dia: a FIA se mexeu no caso da taxa de compressão dos motores. Resumindo, a Mercedes consegue aumentar essa taxa quando os motores estão quentes. Mas a medição para atestar se ninguém está roubando é feita com os motores frios. Outras fabricantes reclamaram — como ficaram sabendo, é algo que a espionagem industrial explica, e ela é muito ativa na F-1. Então, a entidade avisou que a partir de agosto vai medir a taxa de compressão com os motores a 130°C. Até lá a Mercedes que se vire para não ser pega no pulo. A Ford (e a Red Bull) era a única fornecedora que não estava reclamando, possivelmente porque faz algo parecido. Mas, agora, se juntou a Ferrari, Honda e Audi na desconfiança geral.
A Mercedes vai resolver o problema e ninguém será mandado para a Papudinha.
E fechamos o dia com uma imagem de Russell no crepúsculo barenita, lembrando que amanhã e depois teremos mais dois dias de pré-temporada. Depois volta todo mundo para casa, estuda dados e resultados, ouve os pilotos e, se precisar, muda alguma coisa. Porque a partir de 6 de março é pra valer, com a abertura dos treinos para o GP da Austrália.