Blog do Flavio Gomes
F-1

ONDE LIGA? (1)

SÃO PAULO (clareando) – Anotei alguns dados aqui. Melhor tempo do dia: Lando Norris, 1min34s669. Melhor tempo da pré-temporada no ano passado no Bahrein: Carlos Sainz, 1min29s348. Também foi em fevereiro, mais para o fim do mês. GP do Bahrein de 2025, pole-position: Oscar Piastri, 1min29s841. Melhor volta da corrida: Piastri, 1min35s140. Foram 18 pilotos […]

SÃO PAULO (clareando) – Anotei alguns dados aqui. Melhor tempo do dia: Lando Norris, 1min34s669. Melhor tempo da pré-temporada no ano passado no Bahrein: Carlos Sainz, 1min29s348. Também foi em fevereiro, mais para o fim do mês. GP do Bahrein de 2025, pole-position: Oscar Piastri, 1min29s841. Melhor volta da corrida: Piastri, 1min35s140.

Foram 18 pilotos na pista hoje. Só não estavam escalados Fernando Alonso, Isack Hadjar, Oliver Bearman e Liam Lawson. Max Verstappen foi o que saiu com a bunda mais quadrada: 136 voltas. A Aston Martin, o time que menos andou: 36, porque a Honda detectou algum problema sério em seu motor. A Williams, com seus dois pilotos, tirou o atraso da ausência em Barcelona e completou 145 voltas. A Audi, de Gabriel Bortoleto, chegou a 122. A Mercedes teve um problema de suspensão no carro de Kimi Antonelli. Ventou muito, a pista estava suja e fez calor, 30°C, 40°C no asfalto quando ainda tinha sol.

Bortoleto deu entrevista ao canal do Lito Cavalcanti e falou que os novos carros lembram um pouco os de F-2. Lewis Hamilton foi mais enfático:

“Mais lentos que um F-2, os fãs não vão entender nada desse negócio da energia, é um sistema ridiculamente complexo, tem um algoritmo que aprende como você está pilotando, mas se você sai da pista e aumenta a distância da volta ele não entende mais nada, é uma bosta, em resumo.”

Não foi exatamente com essas palavras, mas foi o que ele quis dizer.

Recomenda-se alguma calma nessa hora antes de conclusões dfinitivas. Tem muita coisa para aprender ainda, as equipes que andaram com dois pilotos não devem comparar os tempos entre eles — pelo horário em que foram para a pista –, alguém notou que Verstappen usa uns truques como engatar a primeira nas curvas mais lentas para arregaçar os giros do motor e aparentemente acumular mais energia, outros perceberam que a traseira dos carros é muito solta, alguns chamaram a atenção para a volta do “rake” (a diferença de altura entre a dianteira e a traseira), outros tantos lembraram que os pneus levados pela Pirelli não são os mais macios do mundo.

O que dá para dizer por enquanto é que o motor Ford, que no ano passado os produtores de conteúdo disseram que era ruim porque tinha informações de dentro da Caltabiano, parece ser bom e confiável, assim como os Mercedes. A Audi apareceu com um carro bem diferente do de Barcelona. As diferenças de tempo ainda são brutais, mas todos juram que não estão preocupados com isso. Valtteri Bottas achou os carros divertidos. E Hamilton, ainda reclamando, disse que a falta de definição de um engenheiro para ele será prejudicial — Riccardo Adami foi rebaixado para a F1 Academy e hoje quem ficou no rádio com ele foi o cara que cuida dos molhos de macarrão da equipe.

O ano promete.

SOBRE A TV – A Globo começou muito mal sua retomada na F-1. Não porque mostrou apenas uma hora dos testes — essa decisão foi das equipes e a própria F1TV, que nesta semana transmite apenas a última hora das atividades. Mas colocou os três rapazes responsáveis pela transmissão num estúdio genérico e horroroso, parecia a sala do almoxarifado da empresa, não criou uma vinheta, uma musiquinha, o som estava ruim, o ótimo Marcelo Courrege foi pouco acionado, e todos os quatro (os outros são Luciano Burti, Rafael Lopes e Bruno Fonseca) deram a impressão de que antes de ir ao ar foram mergulhados numa banheira de gesso. Que secou rapidamente. Burti continua com seus chatíssimos vícios de linguagem (“vou te dizer que”, “tá?”, “obviamente”) e os outros dois me pareceram muito tímidos, recatados e do lar. Entendem do assunto, todos. Isso é bom, claro. Mas falta charme, picardia, graça, repertório. Em tudo. Soltem a franga, meninos! Fora os uniformes medonhos — concorrência pesadíssima com as calças bege e os paletós azuis da “Bénd”. Como estou fora do mercado, posso falar à vontade. Eu arrebentaria nesse negócio, sem falsa modéstia. Chamaria o flow-vis de tinta pra melecar carro que nem a gosma do “Sincerão”. O carro da Audi, de DKW melhorado. Briatore, de picareta diplomado. Bottas, de naturista veterano. Minhas piadas são mais engraçadas, hoje eu viralizaria, como se diz. Mas sou perigoso e incompatível. Pelo menos ganhei um programinha novo, vamos ver se vira.