Blog do Flavio Gomes
F-1

PINTURA 9: CADILLAC

SÃO PAULO (só se fala em outra coisa) – Serei muito honesto. Claro que não assisti ao Super Bowl entre Newcastle Stringers e California Dinamitters. Por isso, não vi também o que a Cadillac fez para apresentar a pintura de seu carro de estreia na F-1. Fui ver agora, depois do paredão do BBB, como […]

SÃO PAULO (só se fala em outra coisa) – Serei muito honesto. Claro que não assisti ao Super Bowl entre Newcastle Stringers e California Dinamitters. Por isso, não vi também o que a Cadillac fez para apresentar a pintura de seu carro de estreia na F-1. Fui ver agora, depois do paredão do BBB, como serão os carros de Valtteri Bottas e Sergio Pérez em 2026. E eles ficaram como vocês estão vendo aí em cima, uma coisa meio indefinível entre o branco, o preto, o cinza, com uso e abuso do degradê. É um carro em preto e branco, resumindo. Bacana. Não desgostei, não.

Por enquanto, o bicho não tem nome. Pelo menos no material que vi até agora não apareceu nenhuma sigla, apelido, código ou certidão de batismo.

TWG são as três letras que aparecem em destaque nas laterais. Vocês devem estar se perguntando que diabo é isso. Muito bem. Existe uma holding chamada TWG Global, cuja presença neste mundo visa “investir estrategicamente e operar negócios em diversas áreas, como Gestão de Investimentos, Valores Mobiliários, Inteligência Artificial e Tecnologia, Finanças e Crédito Corporativo, Banco de Investimento e Investimentos Privados, além de Esportes, Mídia e Entretenimento”. Tirei isso do site oficial da dita cuja, mantendo as maiúsculas em profusão. Os donos desse troço são os bilionários Mark Walter, muito prazer, e Thomas Tull — idem.

No portfólio esportivo, a TWG Global controla e/ou tem participações no Los Angeles Dodgers do beisebol, nos Lakers da NBA, no Chelsea da Inglaterra — que tem Mundial, diferentemente do Palmeiras –, no Los Angeles Sparks (basquete feminino), na PWLH (liga de hóquei no gelo feminino) e na Copa Billie Jean King, um campeonato de tênis. Para entrar no mundo das corridas, os caras se juntaram a Dan Towriss, dono do Grupo 1001 Insurance, uma seguradora gigante. Esse sujeito, alguns anos atrás, tinha comprado todas as operações da Andretti Global. E assim nasceu em 2024 mais um braço da TWG Global, a TWG Motorsports — que será responsável pela Cadillac na F-1, por um time na Nascar, pela Andretti na F-Indy e na Fórmula E, por uma equipe no IMSA e outra nos Supercars australianos.

Resumindo, a Cadillac na F-1 é uma associação entre esse cefalópode grupo TWG e a General Motors, que por sua vez é dona da marca de carros de luxo e foi decisiva para que a categoria aceitasse abrir vaga para uma 11ª equipe neste ano. E a operação no Mundial está a cargo da TWG Motorsports.

Diferentemente de outra estreante, a Audi, a Cadillac não chega com patrocinadores grandes ou parceiros muito conhecidos. Tem uma marca de uísque, Jim Beam, a Claro, que fornece internet aqui em casa e é muito ruim, e uma empresa de softwares ou coisa que o valha, IFS. Além de alguns parceiros menores como marca de roupa e sei lá mais o quê.

No filme de lançamento, que não sei se é o que foi ao ar no intervalo do jogo de futebol americano — chato pra caralho, diga-se –, usaram um áudio de parte do famoso discurso do presidente John Kennedy prometendo que os EUA chegariam à Lua. Foi em setembro de 1962, numa universidade, com aquelas frases de efeitos de sempre — “não resolvemos fazer isso porque é fácil, mas porque é difícil” etc. JFK precisava dar uma resposta à sociedade americana e ocidental porque, no ano anterior, os EUA tinham levado uma tunda histórica da URSS, que mandara Gagarin ao espaço — o primeiro homem a ver a Terra de cima e dizer que ela era azul. Antes, em 1957, os soviéticos já haviam colocado em órbita o primeiro satélite artificial do planeta, o Sputnik. Era pancada em cima de pancada. Uma delícia.

Achei um evidente exagero comparar a montagem de uma equipe de F-1 à façanha de mandar um foguete tripulado para a Lua. Nem motor e câmbio os caras fizeram, vão comprar da Ferrari. Mas vá lá. Americano gosta dessas coisas acha que tudo que faz é heróico e incrível. Já eu gosto de torcer contra americanos e acho aquilo uma bosta. Assim, a Cadillac será a equipe contra a qual torcerei o ano todo, desejando que seja uma Andrea Moda do século 21, sem a mesma graça e charme. Só vou ficar triste pelo Bottas, um cara divertido.

No fundo, quero que a Cadillac se foda. O que fizeram com o Michael Andretti nesse processo todo de rejeição/aceitação pela F-1 foi uma canalhice.