Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE DOMINGO DE MANHÃ

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (outrista) – Daqui a alguns anos, Kimi Antonelli vai encontrar este texto e, com razão, ficará muito bravo. Pô, ganhei minha primeira corrida e o cara diz que a imagem do fim de semana é o fiasco da McLaren? Scusa, Kimi. Mas você há de entender. Naqueles tempos, 2026, […]

A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (outrista) – Daqui a alguns anos, Kimi Antonelli vai encontrar este texto e, com razão, ficará muito bravo. Pô, ganhei minha primeira corrida e o cara diz que a imagem do fim de semana é o fiasco da McLaren?

Scusa, Kimi. Mas você há de entender. Naqueles tempos, 2026, muito se discutia sobre o novo regulamento da F-1. Esse no qual você surfou por anos, conquistando vários títulos. É que não fazia nenhum sentido um conjunto de normas técnicas tão problemáticas. A ponto de deixar nos boxes os dois carros da equipe bicampeã mundial de construtores e campeã mundial de pilotos.

Além de Oscar Piastri, retirado do grid, e Lando Norris, cujo carro não pôde ser ligado, mais dois desistiram do GP da China antes da largada: Gabriel Bortoleto, da Audi, e Alexander Albon, da Williams. E outros três ficaram pelo meio do caminho por genéricos “problemas técnicos” — ou desistência pura e simples. Max Verstappen, da Red Bull, parou com superaquecimento em componentes elétricos. Lance Stroll, da Aston Martin, estancou do nada quando seu motor apagou. E Fernando Alonso, seu companheiro, abandonou porque o motor Honda vibrava tanto que ele não conseguia segurar o volante. Deixou a prova, como disse, sem sentir as mãos.

Não, Kimi, não fazia nenhum sentido. Não era normal. De qualquer forma, parabéns pela vitória.

A FRASE DE XANGAI

“Alguns dirão que é ótimo, porque estão ganhando. E é justo. Se você tem uma vantagem, por que vai abrir mão dela? Nunca se sabe quando vai ter um carro bom de novo. Não sou burro, entendo. Mas se conversar com os pilotos, vão perceber que a maioria não está gostando. Talvez alguns fãs gostem. Mas esses não entendem nada de automobilismo.”

Max Verstappen

O que disse o holandês resume bem a situação deste início de temporada. “Essas novas regras vão acabar se voltando contra a F-1”, previu o tetracampeão mundial.

Entre os que estão gostando, óbvio, incluem-se as duplas da Mercedes e Lewis Hamilton, da Ferrari. Seu companheiro Charles Leclerc não parece ser um grande entusiasta. “Os carros são divertidos”, limita-se a dizer o monegasco, sem se aprofundar muito no tema.

Hamilton (à frente) está curtindo; Leclerc acha “divertido”

Hamilton conseguiu, finalmente, seu primeiro pódio pela Ferrari. Elogia tudo porque, para ele, qualquer coisa seria melhor que a última geração de carros da F-1, com a qual nunca se entendeu. Ainda acha, porém, que sua equipe está muito longe da Mercedes. De fato. O inglês chegou 25s atrás de Antonelli, o vencedor. Leclerc, depois de algumas voltas batendo roda com o companheiro, disse ter ficado feliz com o pódio do #44. “Ele mereceu”, falou.

Agora vamos ao menino-prodígio.

Antonelli é muito bom. Se a Mercedes engatar alguns anos de domínio, tende a ser campeão em pouco tempo. Não nesta temporada, porém. George Russell é tão bom quanto, experiente, inteligente, um piloto preparado para conquistar um título quando a oportunidade se lhe oferecer.

É o caso de 2026. Até as outras equipes alcançarem a Mercedes, vai demorar. Isso se alcançarem. Lembremo-nos que quando começou a era híbrida, em 2014, a situação era parecida e só foram conseguir derrotar os prateados em 2021 — com Verstappen, e daquele jeito; entre as equipes, foram oito taças seguidas.

Kimi tornou-se o primeiro piloto italiano a vencer um GP desde Giancarlo Fisichella na Malásia/2006, de Renault. Fisico também tinha sido o último pole italiano, no GP da Bélgica de 2009 com a Force India. Com 19 anos e uns quebrados, Antonelli é o segundo mais jovem vencedor da história — Verstappen ganhou na Espanha em 2016 aos 18 anos. A lista de vencedores de GPs da F-1 agora tem 116 nomes. E foi com “hat trick”: pole, vitória e melhor volta.

A nota cômica foi ele ter sido chamado de “Kimi Raikkonen” pelo cara que anuncia os pilotos no pódio. Antonelli fez a única coisa que poderia fazer naquela situação: deu risada.

Classificações depois de duas etapas: Mercedes disparando

Como foi uma corrida com muitos abandonos, e três deles de pilotos que normalmente chegariam nos pontos, quem pôde aproveitou. Foram os casos de Oliver Bearman, Pierre Gasly, Liam Lawson, Carlos Sainz e Franco Colapinto. Não se sabe quando alguns deles terão essa chance de novo — mormente Sainz e Colapinto. O espanhol operou um pequeno milagre, já que a Williams tem um início de temporada deprimente. O argentino fez sua melhor corrida na F-1. Chegou a andar em segundo. Foi tocado por Esteban Ocon, rodou, voltou e pontuou.

Ocon pediu desculpas, que foram aceitas. Mas os selvagens das redes sociais na Argentina partiram para o massacre virtual sobre o francês, sua família e sua equipe. Uns idiotas. Franco teve de pedir para pararem.

O NÚMERO DA CHINA

12

…pontos tem a Red Bull em duas corridas, seu pior início de temporada desde 2015 — quando tinha 11 pontos depois das duas primeiras etapas do Mundial. A equipe está em quinto no campeonato. Atrás da Haas.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… do quinto lugar de Bearman, o “melhor dos outros”. Logo no começo quase bateu em Isack Hadjar, que rodou à sua frente, mostrando um reflexo formidável. Já tinha terminado a Sprint na zona dos pontos, em oitavo. É um nome que a Ferrari, que o formou, olha com enorme atenção para o futuro.

NÃO GOSTAMOS… da Audi, que pela segunda corrida seguida tem apenas um carro na pista. Na Austrália, foi Nico Hülkenberg que não conseguiu largar. Na China, a vítima foi Gabriel Bortoleto. O time foi muito elogiado pela confiabilidade de seu equipamento na pré-temporada. Mas, na hora H, está falhando. E era corrida para pontuar. Até a Williams conseguiu.