Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (rapidinho) – Há muitas imagens da briga entre Kimi Antonelli e George Russell ontem em Montreal. E outras tantas de anteontem, na Sprint. Muitas delas já publiquei nos relatos de sábado e domingo. Tem roda a roda, pneu fritando, porta fechada, passeio na brita. Qualquer uma delas poderia estar […]

A IMAGEM DA CORRIDA

Russell observa seu carro: desalento absoluto

SÃO PAULO (rapidinho) – Há muitas imagens da briga entre Kimi Antonelli e George Russell ontem em Montreal. E outras tantas de anteontem, na Sprint. Muitas delas já publiquei nos relatos de sábado e domingo. Tem roda a roda, pneu fritando, porta fechada, passeio na brita. Qualquer uma delas poderia estar aí em cima. Mas a melhor de todas é essa de Russell completamente abatido do lado de lá do alambrado, enquanto fiscais empurram seu carro que tinha acabado de apagar com um problema, segundo a Mercedes, de bateria.

George viveu um fim de semana estranho. Fez tudo certo: pole e vitória na Sprint; pole para o GP; e liderava quando quebrou. Poderia ter sido um GP 100%. Em vez disso, acabou vendo a diferença para Antonelli subir de 20 para 43 pontos.

Como costumam dizer os pilotos, automobilismo é um esporte muito cruel, às vezes.

O GP do Canadá estancou o que vinha se desenhando como uma reação da McLaren no campeonato. Depois de duas corridas pontuando mais do que a Ferrari, os papaias tomaram de 37 a 12 os italianos em Montreal. E os 12 pontos foram marcados na Sprint. No domingo, sacola vazia. A escolha dos pneus intermediários para a largada foi um desastre. O que veio depois acabou sendo consequência. Lando Norris largou bem, mas na segunda volta teve de colocar slicks, fez um pit stop extra para limpar o radiador e acabou quebrando o câmbio. Oscar Piastri teve de colocar pneus novos na primeira volta, caiu no pelotão da merda, bateu em Alexander Albon, tomou um pênalti e terminou em 11º.

Falando em 11º lugar, ele não aparece no quadrinho aí em cima, mas merece uma menção: Franco Colapinto. Com o sexto lugar de ontem, foi a 15 pontos no campeonato e está em… 11º, óbvio! O que [e muito bom para um início de campeonato. Duas equipes seguem zeradas em 2026, Cadillac e Aston Martin. E entre os 22 pilotos, não marcaram ainda Sergio Pérez, Valtteri Bottas, Fernando Alonso, Lance Stroll e Nico Hülkenberg.

Me falaram, então não sei se foi isso mesmo. Parece que na transmissão do Sportv alguém disse que a única vez em que um piloto tinha sido erguido nos ombros no pódio, como foi Antonelli ontem, tinha sido em 2000 com Rubens Barrichello em Hockenheim.

Bem, se disseram isso, erraram. Lembro de pelo menos mais duas, que estão nas fotos aí em cima. A primeira, de 1997 em Jerez. Jacques Villeneuve conquistou o título e foi levantado pela dupla da McLaren, David Coulthard e Mika Hakkinen — os mesmos que ergueram Rubinho na Alemanha. E em 2012, na Espanha, Alonso e Kimi Raikkonen fizeram o mesmo com Pastor Maldonado, da Williams.

Só pra constar.

Antonelli é um fenômeno, disso ninguém mais duvida. “Ah, mas corre em equipe grande!”, dirá alguém. Sim. O que, de certa forma, é até pior para um menino de 18 anos — idade dele quando estreou pela Mercedes. Em times pequenos, há espaço para erros, o aprendizado é menos tenso. Admitamos: Kimi pegou uma bucha de canhão danada ao assumir na Mercedes o lugar do piloto mais vitorioso de todos os tempos — Lewis Hamilton é o piloto com mais títulos, vitórias, poles e pódios na história da F-1; se é o melhor de todos, aí é questão de gosto e preferência pessoal.

O italiano fez um campeonato bem aceitável no ano passado, tendo passado por um período ruim de dez corridas na fase europeia da temporada. Cometeu alguns erros e aprendeu o que dava para aprender. Mas, neste ano, seu segundo na F-1, dizer que tem se saído bem é pouco. Já ganhou quatro de cinco corridas. O cara tem 19 anos. E é candidatíssimo ao título.

Nem todos que começaram suas carreiras em equipes de ponta se mostraram vencedores em tão pouco tempo. Olhando para trás, correndo o risco de esquecer alguém, acho que só Hamilton.

A FRASE DE MONTREAL

“Parece que os deuses não me querem nessa luta…”

George Russell

Além de atribuir sua tragédia pessoal aos deuses das pistas, Russell também se disse “orgulhoso” pelo que fez em Montreal e falou que gostaria que a briga com Kimi durasse “mais 40 voltas”. Depois, também pediu desculpas por jogar o protetor do cockpit no chão “dando mais trabalho aos fiscais do que eles já têm”. “Estava de cabeça quente”, explicou.

Olha, a coisa foi tão ruim para ele no balanço geral do GP, que qualquer coisa deve ser desculpada.

O NÚMERO DO CANADÁ

4

…pilotos, apenas, terminaram o GP do Canadá na mesma volta: Antonelli, Hamilton, Max Verstappen e Charles Leclerc. Do quinto ao décimo, todos tomaram uma volta do vencedor. Piastri, o 11º, levou duas. E nem por isso a corrida foi ruim. Ao contrário, teve disputas relevantes e ultrapassagens reais. Na real, foi a melhor do ano. As baterias não atrapalharam, graças à natureza do circuito — curto e com freadas fortes. Não será assim sempre, mas sejamos otimistas. Em Mônaco, os motores elétricos também não vão perturbar muito. Já em Barcelona…

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… da Alpine, que colocou seus dois carros nos pontos e, no total, somou 12 em Montreal, seu melhor desempenho na temporada. Franco Colapinto foi o sexto, melhor resultado na F-1, e Pierre Gasly, mesmo largando de 14º, escalou o pelotão até a oitava posição. O time está em quinto no Mundial com 35 pontos, 14 à frente da Débito ou Crédito, a filial farialimer da Red Bull — que foi bem com Liam Lawson, em sétimo, e viu Arvid Lindblad empacar no grid com problema na embreagem.

NÃO GOSTAMOS… da Audi, que só fez dois pontinhos com Gabriel Bortoleto na primeira etapa do Mundial e, depois, zerou em todas as outras, incluindo as três Sprints. Como a McLaren, a equipe errou feio na escolha dos pneus intermediários para a largada. E, assim, carros que largaram atrás da dupla quatrargólica acabaram chegando na frente.