SÃO PAULO (outros sábados virão) – Meninos e meninas, aos poucos vão chegando os relatos do nosso sabadão em Interlagos. Algumas fotos também, e no blog do Máximo, um de nossos blogueiros, já tem alguma coisa. Recebi também as fotos abaixo, do Romeu Nardini:
Essa aqui é o povo nos boxes esperando pela saída do #96 para a corrida. Na qual não fui bem, diga-se. Eram 23 no grid, fui o último entre os que terminaram andando. Mas virei 2min37s duro, com 2min36s067 na classificação. Para o carro, está bom. Diante de meus adversários, ruim. O Chicão e o João Teixeira, com seus Fuscas, ainda deram uma canja nas primeiras voltas…
Só que isso era o de menos num dia tão legal. Essa foto abaixo, por exemplo, é para guardar do lado esquerdo do peito:
Eu e Bird Clemente, é mole? Um dos maiores pilotos da história da Vemag e da história do automobilismo brasileiro.
Mas paro por aqui. Deixo para o escriba Roberto Brandão o melhor relato do que foi essa festa da blogaiada:
Saí de Interlagos cansado, emocionado, rejuvenescido, feliz… Cantarolava sozinho antiga canção de Chico Buarque, que homenageava a revolução portuguesa, lembrando das raízes de nosso intrépido #96: “Foi bonita a festa, pá, fiquei contente, guardarei renitente a camiseta só pra mim…”
Sem querer parecer arrogante, na noite de quinta-feira anterior, eu já estava satisfeito. A movimentação provocada pela expectativa de nossa festa já havia realizado o milagre da confraternização, da generosidade…
A administração do autódromo, através de seu diretor, Marcelo Borg, nos dava todo apoio, o Ceregatti e o Joaquim cuidavam dos comes e bebes e a galera animada. Já estava tudo muito bom, dificilmente melhoraria ou daria errado. Só estava ansioso pela reação do Flavio Gomes. Mas, confesso, não estava preparado para o que veio a seguir.
Logo cedo, no autódromo, umas 15, 20 pessoas, na manhã fria que anunciava o sol e o calor que logo viriam. Encontro a segurança e recebo o pacote: quase 200 credenciais para boxes, paddock, etc. Começam os treinos da SuperClassic. Nem vi. Via os blogueiros chegando com suas geladeiras, bandejas, alegria e sorrisos. Apresentações mútuas, todo mundo começando a se conhecer, se ajudando, tudo fluindo fácil, fácil.
Lá pelas 10 horas da manhã, uma notícia nos alegra mais ainda: 23 carros da SuperClassic no grid. Um recorde, ou quase. Mais notícias nos chegam dos boxes: emissoras de televisão querem falar com Flavio, saber o que tinha nos levado lá. Uau, estava ficando ainda melhor. Para onde olhava, só conseguia ver sorrisos nos rostos alegres daqueles que iam se conhecendo, se reunindo. Jovens, Matuzas, casais, namorados, mulheres grávidas, crianças. Aquilo era Interlagos, de novo!
Tinha preparado uma surpresa: convidara o grande, o mito, Bird Clemente a nos visitar e ele aceitara. A hora de sua chegada se aproximava. Nesse momento, nossa alegria, confraternização e gentileza contagiavam a todos, nos boxes. Os blogueiros vinham trazendo notícias, eles queriam nos conhecer. A nós, singelos anônimos? Pode vir, vocês só verão gente comum, apaixonada.
Bird chega. Consigo ver nos olhos do Flavio umas lágrimas brotarem, que ele contém com valentia. O mito chega com uma coluna escrita sobre a Vemag, sobre os DKWs. Fazia mais de 10 anos que ele não ia ao autódromo que o consagrou, que o transformou no ídolo que, talvez, ele pensava não mais ser. A surpresa vira uma faca de dois gumes: é aplaudido pelas mais de 60 pessoas que estavam no ambiente. A maioria não tem idade para tê-lo visto correr, mas conhecem-no! Ele se emociona e fala: “Quando vocês quiserem, podem sempre me chamar para coisas como essas, falar esses assuntos”.
Um pouco mais tarde, Bob Sharp e Francisco Lameirão, ídolos e lendas do esporte, aparecem e conversam com todos, discutindo até um novo traçado ou a volta do antigo a Interlagos. Abertos e simpáticos, atendem a todos, tiram fotos, dão autógrafos e nós, humildes apaixonados, somos chamados à discussão sobre o que poderia melhorar em Interlagos.
Nesta altura, todas as minhas expectativas haviam sido superadas. Estava muito melhor do que nos meus mais alucinados sonhos. Aproximava-se a hora da largada da SuperClassic e, como só se via nos tempos de Ayrton Senna, uma multidão se formou à saída do box 21, onde estava o nosso #96.
Os pilotos retribuem nosso amor. Grid cheio, público e pé no fundo… Nosso DKW larga como uma Renault. Chega ao final da reta Oposta, ultrapassando 3 concorrentes. A torcida vibra!
A corrida é cheia de pegas, começando pela luta pela liderança com o Porsche, o BMW e o Topolino disputando freadas. No pelotão intermediário um bolo: muitos carros lutando por posições. No fundo, nosso #96 vinha ganhando posições. Uma corrida como deve ser: cheia de emoções. Parecia que os pilotos estavam retribuindo nossa animação.
Depois da prova, a confraternização final. Os pilotos da SuperClassic, a turma do box 21, vão ao nosso encontro para conversar, contar piadas, brincar e interagir conosco. Uma simpática senhora aparece, sugerindo que, da próxima vez façamos algo social também, ajudando carentes. Nos dá o cartão: Ziza de Ferran, mãe do Gil de Ferran, diretor da Honda e grande campeão. Marcelo Borg encosta e pergunta: o que vocês precisam do autódromo para a próxima etapa, dia 15 de julho?
Pára, chega, “me arranca os tubos”. Minha expectativa havia sido totalmente superada. Virara puro sonho. Só não queria mais acordar.
Quatro da tarde: Flavio Gomes tinha ido embora, precisava trabalhar. Poucos e felizes blogueiros ainda zanzavam pelo autódromo. Pego minhas coisas, ponho no ombro, olho para trás. “Foi bonita a festa, pá, fiquei contente…”
Beleza, Brandão! Faremos mais, ó pá!