Blog do Flavio Gomes
F-1

MELBOURNETES (2)

SÃO PAULO (esse horário…) – A turma dos difusores justificou ao final do primeiro dia de treinos na Austrália o esforço da turma dos protestantes em pedir à FIA o banimento da peça de dois andares. A segunda sessão, que acabou agora há pouco, teve repeteco na primeira colocação, Rosberguinho, 1min26s053, um espanto. Atrás dele, […]

SÃO PAULO (esse horário…) – A turma dos difusores justificou ao final do primeiro dia de treinos na Austrália o esforço da turma dos protestantes em pedir à FIA o banimento da peça de dois andares. A segunda sessão, que acabou agora há pouco, teve repeteco na primeira colocação, Rosberguinho, 1min26s053, um espanto. Atrás dele, Rubens Barrichello, a 0s104, e, depois, Jarno Trulli, a 0s297. Pela ordem, Williams, Brawn e Toyota. Aí apareceu o Webber, leão de treino com a Red Bull. Depois, mais do “trio difusor”: Button, da Brawn, Glock, da Toyota, e Nakajima, da Williams.

O que se conclui disso tudo? Que o tal difusor é o máximo, bárbaro, um luxo, um espetáculo (veja aqui como ele funciona). Fez seis dos sete primeiros colocados. E por isso será copiado imediatamente por todas as outras equipes, ou contestado, protestado, defenestrado, proscrito, caso a cópia seja difícil.

Mais pitaquinhos, no ritmo de um canguru:

– As diferenças de tempo, abissais de manhã entre os primeiros e o resto, diminuíram bem. Menos de um segundo do primeiro ao décimo e, destoando mesmo, apenas Buemi, o estreante da Toro Rosso — último colocado a mais de dois segundos do líder do dia.

– Começou o calvário de Piquet-pimpolho, que passará as próximas semanas lendo nos jornais que sua vaga está ameaçada se não fizer x até a corrida y. Alonso foi o 12º e ele, penúltimo. Esse rapaz, realmente, só pega no tranco. Ou nem isso.

– A McLaren tem um carro ruim, mesmo. Quase horroroso, embora seja bonito. Kovalainen ficou em 17º e Hamilton, em 18º. Estou falando do segundo treino, não dos tempos agregados. Na primeira sessão, Heikki até que andou bem. Vai ser curioso observar, ao longo do ano, como reage Lewis ao seu primeiro carro ruim na F-1. Ele estreou na base do pão-de-ló em 2007, com um carraço nas mãos e um pilotaço como companheiro de equipe, Alonso. No ano passado, se valeu de tudo que Fernandinho deixou no time (ele e Nigel Stepney, um amigão). Agora, sem sinais remanescentes da passagem-relâmpago do espanhol por Woking e sem nem ao menos um boy da máquina de xerox para ajudar, Hamilton vai camelar. Sua expressão nos boxes, sem aquele sorriso cheio de dentes que se habituou a mostrar, denunciou o momento tenso pelo qual passam os prateados.

– A Ferrari começou o ano longe de apresentar o desempenho arrasador que costumava mostrar na Austrália nos últimos anos. Raikkonen ficou atrás de Massa no segundo treino, mas fechou o dia com um tempo melhor que o brasileiro, registrado pela manhã. De tarde, Felipe foi o 10º e Kimi, o 11º. Nenhum dos dois deixou a pista feliz, contente e saltitante. O tempo de Massa foi 1s011 pior que o de Rosberg. O de Raikkonen, 1s151.

– Há uma nova ordem na F-1? Há. Essas três equipes, Williams, Brawn e Toyota, lutarão pelas primeiras posições do grid na madrugada de amanhã. Mais do que qualquer traquitana invisível — como um KERS atômico ou um câmbio que muda as marchas por pensamento —, ou do que qualquer solução absolutamente conceitual — como um bico de três pontas ou um aerofólio redondo —, é no pequeno difusor traseiro que está a diferença entre elas e as demais. Até a quarta corrida do ano, pela falta de tempo para estudos no túnel de vento e para a produção de peças, que ainda devem passar por simuladores antes que sejam colocadas nos carros, os outros times vão correr atrás.

– Quer saber? Ficou muito divertida, a F-1. Ao menos por enquanto, porque pode ser que na hora H ao menos a Ferrari, entre as grandes de sempre, se intrometa lá na frente. Mas é legal, muito legal mesmo, ver duas equipes independentes liderando uma folha de tempos.

Volto mais tarde. Por enquanto, pingue suas primeiras impressões aqui.