
Já imaginaram metade e mais um pouco de uma corridinha brigando com mais seis ou sete pilotos o tempo todo, trocando de posição, passando e sendo passado, fritando pneu, até uma rodada que quase me mandou para o inferno de vez? Não capotei por pouco. Mas foi legal pacas.
A começar do grid, 30 carros, sinal claro do renascimento da categoria. E olha só a distribuição de marcas: 11 Passats (uma praga!), três Pumas, um Bianco, três Chevettes, um Karmann-Ghia, um Gol quadrado, um Escort, cinco Fuscas, um Opala, um Lada, um Uno e um Prêmio. Nada menos do que 12 modelos diferentes.
E tudo começou de madrugada com uma classificação com pista úmida e ensaboada, um horror, por causa da chuva da madrugada. Cirello (Puma) fez a pole com 2min20s909. No seco, ele vira 2min00s. Consegui, às duras penas, um valoroso 24° lugar com o Meianov, 2min43s566.
Não usamos a ridícula chicane que a CBA tinha mandado usar. Diante das reclamações dos pilotos, adotaram uma bandeira amarela no local. No fim, eu e o rapaz do Uno tivemos de brecar, quase parar, para não passar um Fusquinha que estava muito lento. Acho que todos respeitaram a bandeira, afinal.
Larguei bem, como de costume. Passei uns seis ou 20 carros, não sei bem. E já no fim da primeira volta lá estávamos sete alucinados colados: eu, Henry (Escort), Cristiano (Fusca), Carreiro (Opala), Zé Azevedo (Fusca), Luiz (Chevette) e Fernando (Uno).
Putz, foi demais. Até a entrada do safety-car, na volta 7, foi um passa-repassa dos diabos, e pena que eu esqueço tudo assim que acaba uma corrida — engraçado, não guardo detalhes, deve ter algo a ver com adrenalina, cafeína, tubaína, algo assim. Sei que fiz umas ultrapassagens bonitas em todos os cantos da pista. E fizeram sobre o Meianov, também. E sei que na relargada eu estava em 18°, porque me contaram. E que nesse bolo insano, uma hora eu estava atrás de todos. Logo depois, liderava o grupo. Para quem viu de fora, deve ter sido sensacional.
Mas na décima volta, como de hábito, fiz minha cagadinha costumeira. Muito pressionado pelo Cristiano, entrei no Laranjinha todo torto e perdi a frente, a traseira, os lados e o juízo, rodando miseravelmente. Cristiano quase abriu a porta do Fusca para ajudar a frear com a sapatilha. Não bateu por decímetros. Apontei para o lado de dentro da curva e me preparei para capotar no despenhadeiro.
Dizem, os que estavam de fora, que o Meianov decolou como um Tupolev e aterrissou como um Ilyushin. Como, após a aterrissagem, eu estava de frente para a pista, ainda que no meio do mato, taxiei e voltei para a corrida.
Perdi seis posições nessa brincadeira, mas passei o Uno e ainda cheguei no Chevette do Luiz na última volta. Ele me passou no Mergulho, dei uma espalhada, mas na subida do Café seria fácil passar, eu tinha mais motor. Só que a besta aqui errou uma marcha e acabei chegando 0s221 atrás dele.
Na minha categoria, o prejuízo foi de uma posição, para o Opala do Carreiro, que andava precisando de um trofeuzinho. Ele chegou em segundo, e aproveito para abraçá-lo virtualmente, porque não pude ir ao pódio receber meu troféu — eu precisava ver o treino da F-1 que estava começando. Na geral, acabei chegando em 19°, atrás de cinco dos caras que estavam atrás de mim antes da rodada. Moralmente, diria Cláudio Coutinho, fui o 14°.
Melhor volta do enlouquecido soviético: 2min14s901. Melhor da corrida: 2min00s878 do Paulo Sousa, com o lindo Puma verde #7 que venceu na geral, pela primeira vez, deixando para trás o quase imbatível Puma prata #19 do Cirello. Legal demais, o Paulão é da minha equipe, que inaugurou um lounge com sofás de design, TVs de LCD, WiFi, aquecimento central, simuladores, máquina de café expresso e manequins e atrizes para entreter nossos convidados. Além da comida de primeira. Teve até camarão e caldo de palmito.
Quando é chato, eu digo. Quando é legal, digo também. Hoje foi muito legal. Comecei o dia meio macambúzio, cheguei até a cogitar quase secretamente um início de despedida do Meianov, a considerar algumas opções para fazer outro carro para o ano que vem, mas depois dessa, vamos ficar juntos mais um tempo. Tem gente chegando na categoria andando no mesmo ritmo, e é isso que importa.
Não sei quando tem corrida de novo. Parece que o autódromo fecha daqui a um mês, sei lá. Mas aviso aqui.
Ah, as fotos são do impagável Rodrigo Ruiz.