SÃO PAULO (sobreviva) – Não tenho nada contra o uso de espaços públicos, como é Interlagos, para eventos de natureza diferente daquele para o qual o espaço foi construído. Desde que, claro, a prioridade seja sua função primordial — no caso do autódromo, automobilismo — e que o espaço seja preservado, as coisas sejam feitas com critério.
Neste fim de semana Interlagos recebe o maior festival musicado do país, o Lollapalooza, com quatro palcos espalhados por trechos históricos do autódromo. Mas só um deles na pista, mesmo, no fim do Mergulho. Os demais estão em áreas como o antigo Sol, a antiga Ferradura, o antigo Sargento.
Adoro festivais, acho tudo sensacional e espero que a molecada (e tiozões e tiazonas em geral) não detone tudo. Ao contrário, que aproveite para passear com reverência por aquele asfalto épico e tão importante. Estar numa pista de corrida a pé, num autódromo como Interlagos, é um privilégio.
Daqui a alguns dias estaremos de volta para correr. Cuidem de tudo. E vamos deixar de mau-humor. O Lollapalooza tirou apenas um fim de semana das corridas. E vai render uma grana preta à Prefeitura, além de levar dezenas de milhares de pessoas a Interlagos, gente que nunca foi ao autódromo e, de repente, pode ser tocado pelos ventos sagrados do local. Fazem coisas muito piores lá, que poderiam acontecer em outros locais (como missas campais, corridas a pé, eventos de montadoras), rendem pouco e atrapalham muito mais.