SÃO PAULO (¡arriba!) – Vou eleger o personagem do dia em Ímola: Sergio Pérez. O mexicano, ontem, bateu de um jeito meio estúpido em Ocon. Nenhum dolo, coisa que acontece, as equipes sem rádio, deu azar, enfim. Aí o mala do Hekmut Marko bota a culpa o coitado, que acabou de chegar à Red Bull.
Pérez não é moleque. É um piloto experiente que já passou por poucas e boas e perdeu o emprego na Racing Point no ano passado mesmo fazendo um baita campeonato. Demitido, ganhou uma corrida. Seu esforço e profissionalismo foram recompensados com uma vaga na Red Bull. Aí vem um cara encher o saco na segunda corrida?
Porra, dá um tempo, Marko!
P2 para Checo. Primeira fila. Segundo no grid. 0s035 atrás do pole Hamilton — 99ª da carreira dele. E na frente de Verstappinho. É assim que se faz. Responde na pista. Mande o Marko à mierda.
Eis aí em cima o grid ilustrado do GP da Emilia-Romagna para dar uma força ao estagiário do Twitter da F-1 que deve achar essa arte lindona. Como se nota, dois carros da Red Bull cercando Hamilton. Um, Pérez, com pneus macios; o outro, Max, com pneus médios.
“Amo isso. É um desafio diferente do que temos tido nos últimos tempos”, falou o inglês. A Red Bull vai vir babando. Cada um com uma estratégia diferente. Não vai ser fácil para Lewis, não. Porque, como disse Pebolim Wolff, “nós não temos o carro mais rápido do grid”. “Nós”, no caso, é a Mercedes. “Se Max não tivesse errado na sua volta no Q3, a pole seria dele.”
OK, Pebolim — ou Totó, como se diz no Rio, ou Fla-Flu, no Sul. Mas é o seguinte. Mesmo sem ter o carro mais rápido, ganhou no Bahrein e fez a pole agora. Deixa de conversa.
Estou brincando, claro. A Red Bull realmente está um pouquinho à frente. Hoje, as temperaturas baixas ajudaram a Mercedes. E a pista, com curvas de média e alta, ajuda. O fato é que essa ligeira vantagem ainda não foi convertida em números e resultados pelos rubro-taurinos. E quando na outra trincheira está um cara como Hamilton, não pode bobear. Ele vai lá e crava mesmo, sem dó.
Mas e o outro carro da Mercedes?
Aff. Bottas ficou em oitavo. “Não entendi o que aconteceu no Q3”, falou. “Não confio na minha traseira.” Hum… Se eu estivesse na quinta série ainda, faria piadinha com essa traseira aí, Sapattos. Mas oitavo no grid é uma merda, mesmo.
O cara que saiu mais chateado de Ímola hoje foi Lando Norris. De ontem para hoje, a McLaren deu um salto de qualidade. Talvez tenha descoberto que estava andando com um cilindro a menos na sexta-feira. Às vezes isso acontece no meu DKW. Mas percebo na hora e vou no cabo de vela.
Landinho fez uma volta espetacular no Q3. Ficou a 0s043 de Hamilton. Largaria em terceiro. Mas ele passou dos limites da pista na curva 9, acho, a Piratella, e cancelaram seu tempo. Uma pena. Caiu para sétimo. Atrás de Ricardão, que admitiu: sua curva de adaptação à equipe e ao carro papaia está “meio lenta”, como disse. “Vou levar mais tempo do que gostaria para achar meu limite.”
Eu, se sou a McLaren amanhã, mando Norris arrancar na frente de Ricardão e ir embora. Se não, vai ficar empacado atrás do companheiro numa pista onde é difícil passar. A chance de buscar algo que se aproxime de um troféu é essa.
A Williams fez sua melhor classificação desde o GP da Hungria do ano passado, levando os dois pilotos ao Q2. Essa evolução sim, dá gosto de ver. Jorginho ficou em 12º. Lentifi, em 14º. A turma fixa do fundão — dupla da Haas –, assim, recebeu a visita hoje de Raikkonen e Giovinazzi, da Alfa Romeo, e do japinha voador Tsufoda, que larga em último.
Yuki bateu no Q1. E já foi falando. “Errei.” Pronto, acabou a polêmica. Já Tonhão dos Longos Cabelos foi atrapalhado pelo babaca do Mazepin. Que, mais babaca ainda, entrevistado pela Mariana Becker, deu uma resposta atravessada à pergunta “o que aconteceu?” e a repórter, sabiamente, não fez uma segunda questão. Deixou o tonto esperando. Um imbecil, esse Mazepin. Incrível. A Hass se deu muito mal com ele. Não sei se vale os rublos do pai.
Decepções? Ah, os velhinhos… Puta merda. Vettel em 13º, Alonso em 15º. “Falta confiança no carro, mas tá melhorando”, falou Tião. “Não fui rápido”, disse El Fodón. Seus companheiros, ambos, foram ao Q3. Ocon larga em nono. Stroll, em décimo.
Ajudem aí, rapazes.
Por fim, a Ferrari. Bem com Leclerc, quarto, mal com Sainz, 11º. Charlinho disse que nem lembrava quando tinha ficado tão perto, no cronômetro, de uma pole — 0s329. Sainz reconheceu que ainda falta a manha com o novo carro da nova equipe.
O segundo lugar de Pérez no grid é sua melhor posição de largada na carreira. A Red Bull não colocava dois pilotos entre os três primeiros desde o GP do México de 2018. Alonso não perdia para um companheiro de equipe no grid desde o GP da Malásia de 2017 — 27 GPs. A Mercedes colocou seus dois pilotos no Q3 pela 50ª vez consecutiva. Foram alguns números que pesquei aqui e ali depois da classificação para o GP da Emilia-Romagna.
Outro dado interessante é a diferença dos melhores tempos de cada equipe em relação à corrida do ano passado. Quem evoluiu mais foi a Williams. Quem piorou mais foi a Mercedes. Vejam:
- Williams: -0s062
- McLaren: +0s012
- Alfa Romeo: +0s021
- Aston Martin: +0s077
- Ferrari: +0s124
- Red Bull: +0s270
- AlphaTauri: +0s288
- Haas: +0s361
- Alpine: +0s597
- Mercedes: +0s802
E que beleza o Gasly em quinto, não? Só para registrar.
Diz que pode chover amanhã. Seria legal. Ímola é uma pista muito bacana, que não perdoa muitos erros, mas difícil de ultrapassar. Com um pouquinho de água, a prova pode ser mais bacana.
Gostei muito da transmissão da Bandeirantes hoje. Bem-humorada, informativa, de novo sem evocar o santo nome de Senna a cada passagem de alguém pela Tamburello. Equilibrada, gostosa. O problema tem sido a audiência: pico de 2 pontos, 1.3 de média. O que acontece com as pessoas? Só conseguem ver a Globo? Ruim, isso. Mas continuem lutando, companheiros!
Hoje às 19h falaremos disso na nossa “live ao vivo” no YouTube. Espero todos lá.
