Blog do Flavio Gomes
F-1

DÉU N’HI DO (4)

SÃO PAULO (sol, enfim) – Até que foi divertida a classificação para o GP da Espanha hoje em Barcelona. Um duelo tête-à-tête entre os dois protagonistas do campeonato que acabou com o líder do Mundial, Charles Leclerc, aka Charleclé, na pole pela quarta vez no ano. Max Verstappen, aka Simplesmentemax, ficou em segundo. Fiz uma […]

Leclerc e Verstappen: primeira fila dos protagonistas do ano

SÃO PAULO (sol, enfim) – Até que foi divertida a classificação para o GP da Espanha hoje em Barcelona. Um duelo tête-à-tête entre os dois protagonistas do campeonato que acabou com o líder do Mundial, Charles Leclerc, aka Charleclé, na pole pela quarta vez no ano. Max Verstappen, aka Simplesmentemax, ficou em segundo.

Fiz uma vasta pesquisa que nos leva a alguns dados curiosos. É a quarta vez, em seis etapas de 2022, que a dupla divide a primeira fila. No Bahrein e na Austrália, mas mesmas posições. Em Ímola, com o holandês em primeiro. Em todas quem largou na pole venceu.

Mais uma, fruto de pesquisa ainda mais apurada: Charleclé, chamado apenas de Charlinho pelos amigos de infância lá das comunidades de Mônaco — o menino cresceu naqueles morros –, só ganhou corridas na F-1 largando na pole. Suas quatro vitórias nasceram da primeira posição do grid. O que não significa que vá ganhar amanhã, porque o monegasco chegou a 13 poles na carreira e, como se vê, não venceu todas.

Então quem vai ganhar amanhã?

Verstappen: favorito para o blogueiro

Creio que esse aí em cima. Verstappen carrega certo favoritismo na Espanha por causa dos pneus — gasta menos, administra melhor — e porque seu carro é veloz e tem um ritmo de corrida mais consistente. Mas se é veloz e trata bem os pneus, por que não fez a pole? Uma explicação seria: Max não pôde fazer uma segunda volta rápida no Q3. Teve uma perda — perda, não “perca” — de potência repentina, achou que era alguma coisa no motor, mas depois a equipe explicou que a asa móvel não abriu.

Mesmo assim, a Red Bull, através de seu falante chefe Christian Horner, aka Buziner, acha que o menino enxaqueca não conseguiria bater o tempo de Leclerc. A melhor volta do ferrarista, 1min18s750, de fato foi muito boa. Melhor ainda porque em sua primeira saída ele rodou na última chicane e voltou aos boxes correndo para trocar os pneus e tentar tudo numa volta só. Pressionado, claro. Não podia dar nada errado. E ele foi lá e cravou.

Max ficou com o que tinha da primeira volta, 1min19s073. Boa, sem dúvida. Mas no fim das contas, foi 0s323 pior que a de Leclerc — o único a entrar na casa de 1min18s. “O carro estava perfeito, estou muito feliz. Mas a gente tem de tomar cuidado amanhã com o desgaste de pneus”, admitiu o ferrarista.

E por que todo mundo está com medo dos pneus?

Verstappen e os pneus: bons companheiros

(Está ficando meio ridículo, este texto. Uma pergunta antes de cada foto, está parecendo aquele negócio de fio de Twitter.)

Bom, porque faz um calor da gota na Catalunha. Hoje a classificação foi realizada sob um sol de 34°C, com 47°C na pista. O asfalto de Barcelona está consumindo borracha vorazmente. Prevê-se uma prova com muitas paradas. Duas ou três para cada um, o que pode levar a uma corrida bem movimentada, pelo menos. Mas nesse cenário de necessidade de administrar pneus, Verstappen leva vantagem, pelo que se viu no Mundial até agora.

E a Mercedes, que todo mundo elogiou ontem?

Mecânicos da Mercedes se cumprimentam: carro melhorou

A Mercedes foi bem, obrigado. Claro que não brigou pela pole, mas andou direitinho, ficou o tempo todo entre os primeiros, melhorou muito em relação às primeiras cinco corridas do ano. O treco de ficar quicando nas retas foi resolvido. “Estamos dando passos firmes. Até agora, a gente estava tentando resolver o problema do ‘porpoising'”, disse o chefe Toto Wolff, aka Pebolim. “Isso já entendemos, e enquanto isso as outras estavam desenvolvendo seus carros. Mas daqui para a frente a gente vai entrar num ritmo normal de desenvolvimento e mais adiante vamos nos aproximar deles. É preciso ter expectativas realistas.”

Falou muito e falou bonito, o Pebolim. E é verdade. Foi além. Segundo ele, a Mercedes já pode dizer que tem “um carro de corrida, mas não de classificação”, e sem que alguém lhe perguntasse algo a respeito concluiu: “A Red Bull é favorita amanhã”. Opinião compartilhada por Lewis Hamilton, sexto no grid, e George Russell, quarto. Lewis a 0s762 da pole; George, aka Jorginho, a 0s643. Ambos elogiaram o trabalho da Mercedes, atestaram a melhora do carro, assumiram que ainda estão longe da ponta e colocaram Verstappen como maior candidato à vitória em Barcelona. “Se a gente conseguir andar perto da Ferrari, já terá sido um grande passo”, analisou o heptacampeão mundial.

Mas só tem Ferrari, Red Bull e Mercedes na corrida?

Magnussen, oitavo no grid: Haas com os dois carros no Q3

Não, claro que não. Aliás, falei um monte de Ferrari e esqueci do Sainz, que ficou em terceiro no grid a 0s416 do companheiro de equipe. O espanhol não vai, parece que não sei… Sempre de cara amarrada, amargurado, angustiado, atormentado, coitado. Pronto, falei de Sainz. Também esqueci do Pérez, o segundão da Red Bull, que larga em quinto e igualmente não brilha — muito menos em classificações. Pronto, falei do Pérez.

O leitor mais atento, depois das menções a Sainz e Pérez, já montou a lista dos seis primeiros no grid: Leclerc, Verstappen, Sainz, Russell, Pérez e Hamilton. O que nos leva aos demais que chegaram ao Q3 e fecham a turma dos dez primeiros no grid: o peladão Bottas, em sétimo com a Alfa (renasceu, o finlandês, depois que saiu da Mercedes), Magnussen, da Haas, Ricciardo, da McLaren, e Schumaquinho, o outro da Haas.

É a primeira vez que o time americano coloca seus dois carros no Q3 desde o GP do Brasil de 2019, quando ainda nem havia pandemia. Fazia um tempão. E é a primeira vez no ano que Ricardão larga na frente de Norris, seu parceiro e instagramer. Lando teve sua melhor volta no Q2 anulada porque passou por fora dos limites da pista e ficou em 11º.

E já que falamos no Q2, o que aconteceu no início da classificação?

Vettel acena para a torcida: muito mal, a Aston Martin

Bem, no Q1 Leclerc foi o mais rápido seguido por Sainz e Verstappen. Mas o final dessa parte da classificação foi o mais legal, porque um monte de gente com a corda no pescoço saiu apressada dos boxes para tentar se salvar. E caíram na degola, pela ordem, Vettel (Green Bull), Alonso (Rabo Quente), Stroll (Green Bull), Albon e Latifi (os dois da Dorilton). O Q2 teve Verstappen em primeiro e os eliminados foram Norris (já deve ter gravado um story), Ocon (o alto), Tsunoda (o baixo), Gasly (de altos & baixos) e Zhou (faltaram-lhe pneus, segundo a equipe).

E então como ficou o grid?

Os 20 que largam amanhã em Barcelona: sem surpresas

Assim ficou o grid. Se não estão enxergando direito, usem uma lupa e reclamem com a Liberty, que diminuiu as letras e os números no seu grafismo em 2022.

E teve gente famosa no paddock?

Hamilton e Russell com Federer: famosos em Barcelona

Teve, e o mais famoso foi o tenista suíço Roger Federer, respeitadíssimo e simpaticíssimo, 40 anos, 20 títulos de Grand Slam, um exemplo de atleta e ser humano, no pessoal e no profissional — bem diferente da besta sérvia Novak Djokovic, aka Novax Djocovid.

Barcelona, em geral, não oferece corridas muito emocionantes ao distinto público. Costumam ser chatas como esse negócio de fazer perguntas ao fim de cada parágrafo. A modinha, como já dito, nasceu no Twitter, se chama “fio” ou “thread”, e quase sempre começa uma pergunta na linha “você quer saber o que aconteceu não sei quando, não sei onde e não sei com quem?” e a primeira postagem termina invariavelmente com “então se liga no fio”. Puta que pariu, que pobreza. Ninguém quer escrever nada com começo meio e fim, vem tudo aos engulhos, um saco.

Bom, seja como for, está tudo dito. Às 19h vou dizer tudo de novo no YouTube. Apareçam!

E se alguém está se perguntando o que é aka, o Google ajuda