A IMAGEM DA CORRIDA
SÃO PAULO (sorry) – Sendo sincero, não teve nenhuma graaaaaaaaaaande foto do fim de semana no Canadá. Não que eu tenha visto. Mas essa aí em cima (e é repeteco…) quebra o galho. O que foi essa corrida além da perseguição de Sainz a Verstappen nas últimas 16 voltas?
Valeu a pena ver. Porque Max não errou nada, mesmo tendo o espanhol colado nele, a menos de 1s, por tanto tempo. Com três aberturas de asa por volta, foram 48 aplicações de DRS. E o cara não passou. Aff.
CANADÁ BY MASILI
Um passeio no parque. Essa é a leitura do nosso cartunista oficial Marcelo Masili para a corrida de Verstappen em Montreal. E como o cara ficou sem rádio nas últimas voltas, foi ainda mais tranquilo, sem ninguém no ouvido dele para dizer que Sainz estava perto…
Vamos a algumas caixinhas, para poupar o trabalho de encadear assuntos díspares? Sei que pode parecer um pouco de preguiça literária, mas é que o rescaldão já está atrasado, não quero atrasar ainda mais…
PONTOS Y PONTOS – Faltou domingo um balanço da temporada, né? Pois aí embaixo estão as tabelas de classificação devidamente atualizadas com a punição a Alonso, que caiu de sétimo para nono no Canadá (falarei disso adiante). Nota-se que Leclerc, em terceiro, está cada vez mais distante de Verstappen (49 pontos) e mais próximo de… Russell! São apenas 15 pontos separando o inglês da Mercedes do monegasco ferrarista. O mesmo vale para o Mundial de Construtores: hoje a Ferrari enxerga adversário mais perto quando olha para o espelhinho do que quando procura quem está na frente dela. São 40 pontos de vantagem para a Mercedes e 76 de atraso para a Red Bull.
TRETAS CINEMATOGRÁFICAS – Teve reunião dos chefes de equipe em Montreal para discutir as medidas que a FIA pretende tomar para disciplinar o “porpoising”. Christian Horner, ácido como sempre, disse que Toto Wolff deu piti porque havia câmeras da Netflix gravando tudo. Sua equipe, claro, é contra qualquer mudança de regulamento para atenuar os defeitos da Mercedes. Tenho dito: os argumentos da Red Bull são inatacáveis; os alemães que tratem de consertar seu carro. Mas quando a questão esbarra em segurança e saúde dos pilotos, a FIA tem de fazer algo, sim. Medir os quiques, estabelecer padrões aceitáveis, cobrar as equipes, se for o caso desclassificar carros.
MELHOROU – Que se registre, aqui, que a Mercedes disse que já resolveu, do ponto de vista aerodinâmico, o problema. Ergueu um pouco o carro, mexeu no assoalho, se virou. O time assume, apenas, que o W13 é rígido demais, salta muito nas zebras, e que é isso que precisa arrumar, agora. Como as próximas sete corridas acontecem em pistas de verdade, não de rua/parque/estacionamento, a equipe acredita que vai se aprumar para começar a se aproximar de Red Bull e Ferrari. A ver. O fato é que Hamilton saiu sorridente de seu carro pela primeira vez no ano, depois de um terceiro lugar bem convincente — para os padrões mercêdicos deste ano, claro.
AJUDA E PUNIÇÃO – Fernando Alonso foi o segundo no grid no sábado e terminou a corrida, na pista, em sétimo. Por ziguezaguear na frente de Bottas, tomou 5s de punição e caiu para nono. Nem reclamou. Queixou-se, sim, de problemas em seu carro. O ERS (que despeja potência no motor a partir de energia armazenada na bateria) não funcionou direito e desde a 20ª volta, segundo ele, seu carro passou a perder 0s8 a cada passagem. “Tive de guiar como um camicase a corrida toda”, falou. Freava mais tarde, entrava todo torto nas curvas, tentava fugir da asa móvel dos outros, foi um perrengue e tanto. Quem ajudou foi Ocon, tentando ficar menos de 1s à frente dele para que o parceiro pudesse abrir sua asa e, desta forma, evitar ataques rivais.
A FRASE DE MONTREAL
“Acho que o conceito do carro deles é o problema, não o regulamento.”
Christian Horner
A opinião do chefe da Red Bull sobre o carro da Mercedes é partilhada por muita gente no paddock, ainda que ninguém ataque a equipe alemã publicamente. Teremos mais alguns capítulos dessa novela nos próximos dias. Aguardemos. Mas insisto: as regras não serão mudadas. O máximo que a FIA pode fazer é baixar alguma diretiva determinando quanto os carros podem pular. Ponto.
O NÚMERO DO CANADÁ
11
…pódios na carreira alcançou Carlos Sainz, com a segunda colocação em Montreal. Ele igualou Chris Amon (que disputou 96 GPs entre 1963 e 1976) numa estatística incômoda: a dos pilotos que mais subiram ao pódio sem vencer uma corrida. Essa lista hoje é liderada por Nick Heifeld (13 pódios, 183 GPs, oito vezes segundo colocado como melhores resultados), com Stefan Johansson em segundo (12 pódios, 79 corridas, quatro vezes segundo). Em quinto, atrás de Sainz e Amon, está Romain Grosjean (10 pódios em 179 GPs).
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de ver Guanyu Zhou pontuando pela segunda vez no ano, agora com a oitava colocação. Ele teve azar em algumas corridas (três quebras) e não marcava desde a primeira etapa do campeonato. Mesmo assim, vinha fazendo um bom trabalho, sem erros, batidas, trapalhadas. Não é fácil para um estreante, nunca. Sua reputação só melhora.
NÃO GOSTAMOS de ver a McLaren zerada pela terceira vez no campeonato. É um time muito irregular. Nas últimas cinco corridas, somou apenas 19 pontos, contra 35 de sua principal adversária, a Alpine. Na classificação, a equipe papaia ainda está na frente: 65 x57. Mas a chance de perder o quarto lugar em breve para os franceses é muito grande.
