Blog do Flavio Gomes
F-1

SPANTOSAS (3)

POÇOS DE CALDAS (fácil pacas) – Nona vitória em 14 corridas, 93 pontos de vantagem sobre o vice-líder do campeonato, agora Sergio Pérez — no placar, 284 x 191. Esse foi o saldo do GP da Bélgica para Max Verstappen, que mesmo tendo de partir do 15º lugar no grid era considerado favorito em Spa-Francorchamps […]

Verstappen: nona vitória no ano

POÇOS DE CALDAS (fácil pacas) – Nona vitória em 14 corridas, 93 pontos de vantagem sobre o vice-líder do campeonato, agora Sergio Pérez — no placar, 284 x 191. Esse foi o saldo do GP da Bélgica para Max Verstappen, que mesmo tendo de partir do 15º lugar no grid era considerado favorito em Spa-Francorchamps desde ontem — no fim largou em 14° com a punição de última hora a Tsunoda.

Favorito por dois motivos: está guiando o fino num carro próximo da perfeição e seus adversários, francamente, não estão à altura de seu talento. O que está, Hamilton, não tem carro.

Carlos Sainz, que largou na pole, e Pérez, o segundo colocado, deveriam, teoricamente, lutar pela vitória na Floresta das Ardennes. Não chegaram nem perto. Viram de camarote mais uma exibição precisa e segura do holandês, virtual bicampeão do mundo. E foi mais fácil do que qualquer um poderia imaginar. A Red Bull comemorou a 21ª dobradinha de sua história na categoria, quarta na temporada.

A corrida foi disputada com sol e temperatura agradável em Spa. Na largada, Sainz se manteve na ponta e Pérez partiu muito mal, caindo para quinto logo nos primeiros metros. Alonso, por sua vez, pulou para o segundo lugar e trouxe com ele Hamilton. Os dois campeões se enroscaram ainda na primeira volta e o inglês abandonou pela primeira vez no ano. Errou feio, ao fechar a porta em cima do espanhol. Que, por sua vez, ficou compreensivelmente pistola dentro do macacão. “Esse cara só sabe pilotar quando larga na frente!”, gritou pelo rádio.

Lewis, assim que chegou aos boxes, trocou de roupa e viu o vídeo da batida. Admitiu que não deixou espaço necessário para Alonso ao fazer a curva. Reconheceu o erro e lamentou o ocorrido. Sobre a explosão do espanhol, foi diplomático. “Essas coisas a gente diz quando está de cabeça quente”, concedeu. O próprio Alonso colocou panos quentes numa eventual discussão pós-corrida. “Ele se desculpou e isso é legal da parte dele. São esses acidentes que acontecem em começo de corrida. Ainda bem que meu carro é forte e resistiu.”

Mais atrás, Latifi rodou, voltou pra a pista e Bottas, para não ser abatido pela latifada do piloto da Williams, fez uma manobra evasiva e atolou na brita. Chegaram a se tocar. O safety-car foi acionado. Valtteri abandonou, mas o canadense ficou. Nessas, Verstappen já aparecia em oitavo – largou bem e ainda ganhou duas posições de graça porque Gasly e Tsunoda tiveram de largar dos boxes. Já Leclerc fez um pit stop inesperado para retirar uma sobreviseira que bloqueava um duto de freio.

Leclerc lá atrás: remando, remando, mas nada…

Com a confusão entre Hamilton e Alonso, Pérez retomou a segunda posição. A relargada aconteceu ao final da quarta volta com Sainz, Pérez, Russell, Alonso e Vettel nas cinco primeiras posições. Sebastian também tinha feito uma largada muito boa, saltando do décimo no grid para quinto. Verstappen, único ao lado de Bottas que largara com pneus macios, passou Albon e Ricciardo rapidinho e assumiu o sexto lugar na sexta volta. Estava na corrida. Vettel e Alonso foram as vítimas na volta seguinte. Na outra, Russell. Com oito voltas, voando e deixando seus adversários para trás sem nenhuma dificuldade, o holandês já aparecia em terceiro.

Na volta 11, Max encostou em Pérez, que deu uma atrapalhada de leve no companheiro. “Estamos perdendo tempo de bobeira”, reclamou o líder do campeonato. Aí Sainz foi para os boxes e trocou seus pneus. Na sequência, o mexicano abriu para Verstappen, que chegou à liderança. Com 12 voltas.

Pérez e Verstappen: pequena treta no início

Carlos voltou à pista em quinto. Os pneus estavam se degradando mais rapidamente que o esperado e os pit stops foram antecipados por todas as equipes. Leclerc, a exemplo do Red Bull #1, também escalava o pelotão depois de sua parada precoce. Mas num ritmo bem menos impressionante. Na volta 14, era o quinto colocado. Já Max voava em céu de brigadeiro. Avisou pelo rádio que os pneus estavam OK e que ficaria um pouco mais na pista enquanto a borracha aguentasse. Quando Pérez parou, na volta 15, Sainz subiu para o segundo lugar a 13s de Verstappen.

Max parou na volta 16 e calçou pneus médios em seu carro. Voltou em segundo, menos de 5s atrás de Sainz, que retomara a ponta. E passou a destroçar a diferença para a Ferrari #55. Na volta 18, embutiu no espanhol na La Source, o grampo após a reta de largada. Fez a Eau Rouge atrás do carro vermelho, abriu a asa e tchau.

A Ferrari sofria com os pneus e, pelo rádio, engenheiros e pilotos discutiam estratégias que contemplavam quase todo o abecedário. Plano A? Pode ser, mas por que não o B? O B é legal, mas que tal o H, que parecia interessante? Não, não, vamos ao R e estamos conversados!

E assim, entre letras e incertezas, foram ficando ambos, Sainz e Leclerc, para trás. Na volta 21, Pérez ultrapassou o espanhol e começou a rascunhar uma dobradinha da Red Bull. Na metade da prova, Verstappen, Pérez, Sainz, Russell, Leclerc, Alonso, Vettel, Ocon, Albon e Ricciardo ocupavam as dez primeiras posições. Max tinha mais de 7s de vantagem sobre seu companheiro. Uma superioridade acachapante.

O monegasco após a prova: punição e mais uma posição perdida

Sainz e Leclerc fizeram suas segundas paradas na volta 26. Carlos foi de pneus duros; Charles, de médios. Pérez e Verstappen iriam parar bem depois. No caso de Max, na volta 31. Tudo tranquilo e sem sobressaltos. Colocou mais um jogo de pneus médios e seguiu na sua toada firme e sem ser ameaçado por nada nem por ninguém.

A parte final da prova prometia, de relevante, apenas uma possível disputa pelo terceiro lugar no pódio, com Russell se aproximando de Sainz pouco a pouco. Mais atrás, há que se registrar a belíssima ultrapassagem dupla de Ocon sobre Gasly e Vettel na volta 36, valendo o sétimo lugar. Manobra de almanaque no fim da reta Kemmel, concluída na freada para a Les Combes. O público – calculado em 360 mil pessoas nos três dias do GP – aplaudiu. Aqui, um detalhe que também merece registro: a permanência da Bélgica no calendário foi confirmada oficialmente. Tem Spa em 2023. Ainda bem, é uma pista que não pode ficar fora do Mundial.

O pódio em Spa: prova confirmada para 2023

A briga esperada pela terceira posição não aconteceu. Jorginho não conseguiu descontar a diferença para Sainz e teve de se contentar com o quarto lugar. Max recebeu a quadriculada com enorme vantagem para Pérez, quase 18s, que terminou em segundo. A Ferrari levou um piloto para o pódio, mas não tinha nada para comemorar. Levou uma surra da Red Bull. Nem a volta mais rápida fez, embora tenha chamado Leclerc para colocar pneus macios na penúltima volta. O time calculou mal e devolveu Charlinho à pista atrás de Alonso. O monegasco conseguiu recuperar o quinto lugar, mas não ficou com o ponto extra da melhor volta. Para piorar, foi punido por excesso de velocidade nos boxes e caiu para sexto. Um vexame.

Verstappen, Pérez, Sainz, Russell, Alonso, Leclerc, Ocon, Vettel, Gasly e Albon fecharam a prova nos pontos. Domingo que vem tem mais, sem tempo de respirar. Será na Holanda. Imaginem a festa.