Blog do Flavio Gomes
F-1

COTA SIM! (3)

SÃO PAULO (valeu, Didi!) – Max Verstappen igualou em Austin o recorde de vitórias na mesma temporada ao vencer pela 13ª vez no ano. Agora, três pilotos estão empatados nesse quesito histórico das estatísticas da F-1: ele, Sebastian Vettel (2013) e Michael Schumacher (2004). O GP dos EUA foi divertido. Teve algumas reviravoltas, erros, pole-position […]

Verstappen chega a 13 vitórias no ano: recorde igualado

SÃO PAULO (valeu, Didi!) – Max Verstappen igualou em Austin o recorde de vitórias na mesma temporada ao vencer pela 13ª vez no ano. Agora, três pilotos estão empatados nesse quesito histórico das estatísticas da F-1: ele, Sebastian Vettel (2013) e Michael Schumacher (2004). O GP dos EUA foi divertido. Teve algumas reviravoltas, erros, pole-position fora da prova na primeira volta, carro decolando, atuações divinas de veteranos como Alonso e Vettel e mais uma exibição de gala do bicampeão mundial.

Lewis Hamilton e Charles Leclerc completaram o pódio. Pérez foi o quarto colocado. O resultado deu o título mundial de Construtores à Red Bull com três provas de antecedência. É o quinto do time, que conquistou as taças de 2010 a 2013. Termina, assim, a incrível sequência de oito taças seguidas da Mercedes, de 2014 a 2021.

Equipe austríaca comemora: quinto título de Construtores

O GP dos EUA tinha uma Ferrari na pole, de Carlos Sainz. Alguma esperança de vitória, quem sabe, se acontecesse algo muito diferente. Mas começou muito bem, no modo ironia, a corrida do espanhol. Ele largou mal, viu Verstappen assumir a ponta e quando fez a primeira curva encontrou Russell no meio do caminho. Caiu para o fim do pelotão, entrou nos boxes e a corrida para ele acabou na primeira volta.

Os comissários acharam que Jorginho foi culpado pela batida. Eu, sinceramente, não achei. Mas o inglês levou um pênalti de 5s. Depois da corrida, dirigiu-se aos boxes do time italiano para pedir desculpas ao ferrarista. Se foi assim, então, quem sou eu para achar alguma coisa?

O toque entre Russell e Sainz: fim de prova para o espanhol

Quem começou muito bem a prova foi a dupla da Aston Martin, com Stroll se posicionando em terceiro e Vettel, em quinto. O alemão ganhou cinco posições na largada. Hamilton era o segundo e Russell, o quarto.

Max, assim, iniciou seu desfile por terras texanas. Sem nenhuma Ferrari por perto para atrapalhar, em três voltas já tinha mais de 2s sobre Lewis. Pérez, com o outro carro da Red Bull, começou a escalar o pelotão e, depois de uma largada bem honesta, passou Vettel na quarta volta e foi para a quinta posição. Russell, logo depois, passou Stroll e assumiu o terceiro lugar.

Na volta 13 Hamilton foi o primeiro da turma da frente a trocar pneus. Colocou os compostos duros e voltou em sétimo. Max, pelo rádio, perguntou: “O que eu faço agora?”. O engenheiro respondeu: “Você está livre, meu caro, para acelerar a seu bel-prazer”. Mas, em vez disso, ele parou na volta seguinte e fez o mesmo que Lewis: colocou pneus duros. Voltou em segundo. Pérez, sem pit stop ainda, era o líder. Mas logo depois foi para os boxes trocar pneus.

Bottas na brita: primeiro safety-car do dia

Na volta 18, Bottas rodou e foi parar na brita. O safety-car foi chamado. Dos cinco primeiros, Leclerc, em segundo, e Vettel, em quarto, não tinham parado ainda. E, um pouco mais atrás, Alonso, Ocon, Schumacher e Magnussen também não haviam feito pit stops. Claro, aproveitaram e foram aos boxes. Com todos de pneus novos, os dez primeiros eram Verstappen, Hamilton, Pérez, Leclerc, Russell, Vettel, Stroll, Gasly, Alonso e Norris.

A relargada aconteceu na volta 21, mas na 22ª um acidente violento fez o safety-car ser chamado de novo. Alonso foi para cima de Stroll, que jogou o carro para a esquerda de uma forma estapafúrdia — perderá posições no grid do México por isso. Se tocaram. O carro do espanhol decolou, aterrissou, lambeu o guard-rail e ele foi para os boxes ofegante e assustado. Incrivelmente, voltou à prova. Stroll abandonou, com seu Aston Martin todo arrebentado. Nunca é demais lembrar: serão companheiros de equipe no ano que vem.

Depois da corrida, Alonso, que terminou em sétimo com uma atuação exuberante (mas foi punido por causa de um espelho retrovisor que saiu voando e saiu da zona de pontos, como se verá mais adiante), disse que carregou o medo do acidente “no estômago” até o final da corrida. “Eu só queria que terminasse logo”, admitiu. Depois, explicou o episódio com alguma diplomacia. “Acho que foi azar, nem eu nem ele entendemos direito o que o outro iria fazer.”

Alonso decola: susto, medo e grande exibição depois

Mais uma relargada na volta 26 depois de recolhidos os destroços na pista, e nada de muito emocionante aconteceu. Max manteve a ponta, seguido por Hamilton e Pérez. Leclerc, em quarto, era o único que parecia disposto a atacar e brigar por alguma coisa. Os demais pareciam conformados com o que o destino lhes reservara.

Na volta 29, Charlinho partiu para o ataque, passou, mas perdeu o ponto na freada e não concluiu a manobra. Seguiu tentando. Na volta seguinte, mergulhou de novo sobre o mexicano e fez a ultrapassagem. Muito bonita, diga-se.

Na volta 35, Hamilton, que se mantinha em segundo com alguma estabilidade, parou de novo e colocou novo jogo de pneus duros. Voltou em sexto. A Red Bull chamou seu piloto na volta seguinte para uma segunda parada. Só que o pit stop foi lento, com uma complicação rara na hora de prender a roda dianteira esquerda. Leclerc, que parou junto, voltou à frente do holandês. Pérez e Russell eram os primeiros colocados, com o #63 da Mercedes atacando pesado o mexicano. Vettel vinha em terceiro. Hamilton, em quarto. Mas era o líder virtual da prova, porque quem estava à sua frente ainda precisaria parar mais uma vez.

Russell: desculpas a Sainz e melhor volta da corrida

Russell parou na 37 e voltou em sexto. Max, agora em quinto mais de 5s atrás de Hamilton e com Leclerc entre ele e o #44, tinha pneus médios, pelo menos. O bicampeão do mundo, mal-humorado que só ele, reclamou da parada pelo rádio. Eu, se fosse mecânico, ficaria puto com o cara. O ano todo acertando tudo, na hora em que dá um probleminha vem encher o saco? Se enxerga, rapaz!

Pérez parou na volta 39 e Vettel apareceu na liderança. Mas ninguém percebeu, nem deu importância. Porque na mesma hora Verstappen atacou Leclerc, passou e levou o X. Valia a terceira posição. Não desistiu. No fim da volta, foi para cima e superou o monegasco da Ferrari.

Vettel: chegou a liderar, caiu para o fim do pelotão, chegou nos pontos

Lewis passou a sonhar com a vitória, porque Max e Charlinho estavam se pegando lá atrás. Quando isso acontece, em tese os litigantes perdem tempo. Mas ainda tinha muita água para passar debaixo da ponte. Hamilton passou Vettel na volta 41 sem hesitar muito. Só que Max vinha voando, em terceiro. Sebastian foi para sua última parada na volta 42. A Aston Martin se atrapalhou toda no pit stop, estragando a corrida do alemão.

Hamilton, Verstappen e Leclerc, então, se posicionaram nas três primeiras colocações para a parte final da prova. Pérez, Russell, Magnussen, o indestrutível Alonso, Ocon, Albon e Norris eram os dez primeiros a 13 voltas da quadriculada. Max tinha 3s para descontar sobre o inglês da Mercedes.

Com pneus mais duros, seria praticamente impossível para Lewis segurar a liderança. Ele apostava num desgaste maior dos compostos médios de Verstappen, que ia descontando a diferença a conta-gotas. Na volta 49 do total de 56, Max baixou a diferença para menos de 1s. Com a asa móvel, ficou fácil. Na 50ª, enquadrou Lewis calculou o melhor momento, mergulhou no grampo e passou. Hamilton ainda ofereceu alguma resistência. Serviu para deixar a manobra mais bonita. Fez sua parte.

Leclerc: boa corrida, recuperação e pódio em terceiro

Atrás, as coisas também aconteciam com alguma beleza. Vettel, que havia despencado depois do mau pit stop da Aston Martin, se recuperou e voltou aos pontos. Alonso, com o carro todo torto, era o sexto. Magnussen, da sempre claudicante Haas, o oitavo.

Mas pensaram que acabou? Nada. Mesmo depois de ser ultrapassado, Lewis foi para cima de Verstappen. Pelo rádio, ia avisando a equipe: “Ele passou os limites da pista na curva 20! Agora foi na 9! Ele não pagou o condomínio! Ele parou o carro em cima da faixa de pedestres quando tirou a carteira de motorista! Ele colocou sal na cerveja de um amigo num churrasco! Ele mandou nudes pra Kelly!”.

Mas não tem milagre nessa hora. Rapidamente Max descolou de Hamilton e confirmou mais uma vitória. Foi a 33ª de sua carreira. Tornou-se o sexto maior vencedor da história, deixando Alonso para trás nas estatísticas. Hamilton ficou em segundo e Leclerc fechou o pódio, com Pérez, Russell, Norris, Alonso, Vettel, Magnussen e Tsunoda na zona de pontos. Mas o resultado não seria definitivo…

Após a prova, a Haas entrou com um protesto na torre de controle contra Pérez e Alonso. Segundo a equipe, ambos estavam com seus carros em condições insatisfatórias de segurança. O mexicano da Red Bull, porque perdeu uma aleta da asa dianteira no início da corrida; o espanhol da Alpine, por ser devolvido à pista após o incidente com Stroll com o espelho retrovisor direito ameaçando cair. O time americano alegou que havia precedentes e que seus pilotos foram advertidos duas vezes neste ano em situações semelhantes.

E o espelho de Alonso acabou caindo, mesmo. Poderia ter acertado alguém, o que seria bem perigoso. A Alpine argumentou que estava monitorando a situação e que não havia ninguém atrás de Alonso quando o espelho se soltou. Não colou. Os comissários reconheceram que falharam ao não chamar o piloto para os boxes com a bandeira apropriada para isso — preta com círculo laranja no meio, indicando problemas de segurança no carro. E acabaram punindo o piloto do carro azul #14.

Demorou bastante para que tudo isso fosse analisado e discutido, e só às 23h de Brasília, cinco horas depois de terminado o GP, os comissários comunicaram que Alonso teria 30s acrescidos ao seu tempo total de prova, caindo para a 15ª posição e perdendo seus suados pontinhos. Vettel subiu para sétimo, seguido de Magnussen, Tsunoda e Ocon na zona de pontos. Um duro castigo para o asturiano.

Não se pode deixar de registrar a linda disputa entre Magnussen e Vettel na última volta e o mico do CEO da Apple, Tim Cook, dando a bandeirada com o entusiasmo de quem vai fazer exame de sangue. Os troféus foram trazidos naquele carro jeca de Shaquille O’Neal com chifres — o carro, não Shaq. Hamilton deu entrevistas otimista: “Ainda estou aqui. E vamos levar esse carro ao topo de novo no ano que vem”, prometeu.

No pódio, Verstappen chorou. A vitória veio num dia particularmente especial e emocionante para a Red Bull, que ontem perdeu seu fundador Dietrich Mateschitz.

Se estivesse no Brasil, Max diria “valeu, Didi!”.