Blog do Flavio Gomes
F-1

JÁ DEU (1)

SÃO PAULO (quem aguenta?) – Juro que estava nos meus planos escrever uma coluna sobre Angela Cullen. Seria polêmica. Quem me chamou a atenção para a relação foi minha namorada, Laêne, cujo nome tatuei esta semana, mas assim: “É Lá N”. Porque ninguém fala o nome dela direito, e aí um seguidor do YouTube, não […]

Angela Cullen com Hamilton: fim da parceria de sete anos

SÃO PAULO (quem aguenta?) – Juro que estava nos meus planos escrever uma coluna sobre Angela Cullen. Seria polêmica. Quem me chamou a atenção para a relação foi minha namorada, Laêne, cujo nome tatuei esta semana, mas assim: “É Lá N”. Porque ninguém fala o nome dela direito, e aí um seguidor do YouTube, não vou lembrar exatamente quem, sugeriu: “Tatua ‘É Lá N’ que as pessoas não erram mais”. Foi o que fiz. Mas não é uma tatuagem qualquer. Usei a fonte criada por Ariano Suassuna em seu Movimento Armorial, e ficou muito interessante.

Pois Laêne, já tem uns cinco anos, me fala de Angela Cullen. “Ela é uma serviçal do Hamilton. Ele sai do carro, tira o capacete, ela pega. Ela carrega a mala e a pochete dele. A garrafa de água e as luvas. O celular e o guarda-chuva. Os óculos e o relógio. Ele anda sempre na frente, ela atrás. Parece uma escrava seguindo seu senhor. Ninguém fala nada porque ele é preto e ela é loira e branca. Imagine se fosse o contrário.” O tema seria explosivo. Porque talvez alguém pudesse interpretar como algo análogo ao abominável artigo de Antonio Risério publicado na “Folha” em janeiro do ano passado — quem tiver estômago, que leia aqui. Ele defende um indefensável “racismo reverso”, tese tão estúpida que não merece mais do que a mera menção para que o idiota seja esculhambado.

Mas o que incomodava Laêne não era a questão racial. Se fossem dois brancos, dois pretos, dois asiáticos, ou misturas entre todos, ela ficaria indignada do mesmo jeito. O que exasperava minha namorada era uma atitude que ela considerava lacaia de Angela nas imagens que a TV mostrava: ela sempre atrás, Hamilton na frente. Eu argumentava que Cullen cumpria outras funções, mas não tinha jeito. Laêne é torcedora apaixonada de Vettel. E não gosta de Hamilton. “Poser”, diz ela. Sempre achou tóxica a relação entre ele e Angela.

Bom, a coisa anda tão previsível na F-1 que hoje o principal assunto do dia em Jedá foi o fim da parceria entre os dois. Trocaram mensagens carinhosas de despedida pelas redes sociais e, sete anos depois da primeira corrida em que apareceram juntos, acabou. Angela era uma faz-tudo de Hamilton. Pilotos têm figuras como ela a seu serviço. Mas talvez a neozelandesa de 48 anos fosse mais visível porque Lewis é protagonista da F-1 há muito tempo e não caminha um metro num paddock sem uma câmera mostrando qual pé foi na frente. E é claro que do mesmo jeito que centenas de imagens de Angela carregando suas coisas foram vistas nos últimos tempos, outras centenas de cenas de afeição, doçura e ternura entre os dois foram registradas desde 2016.

Mas a Laêne não gosta do Hamilton, não tem jeito. E suas observações fazem algum sentido, apesar de permeadas por um certo viés de antipatia.

Vamos para a pista, então.

Os tempos de hoje em Jedá: Red Bul, Aston Martin e o resto

Os primeiros treinos livres para o GP da Arábia Saudita, apenas a segunda etapa do Mundial, confirmaram tudo aquilo que se viu no Bahrein e que será visto até o fim do ano, com uma ou outra variação em certas pistas. A saber: Red Bull na frente, Aston Martin logo atrás com Alonso, Stroll crescendo, e depois deles o resto. Nesse resto incluam-se Ferrari e Mercedes. Basta olhar os tempos aí em cima. Verstappen, que teve um problema estomacal no começo da semana e só chegou a Jedá ontem à noite, não precisou se esforçar muito para ficar em primeiro. Alonso foi o segundo. Veremos o espanhol ciscando ali a temporada toda, mas ainda sem chances muito claras de vitória. Acho que em algum momento ganha uma corrida. A ver.

A Alpine andou direitinho com seus dois pilotos e a Haas voltou a fazer tempos razoáveis com Hülkenberg, embora em ritmo de corrida o time tenda a despencar. McLaren e AphaTauri ganharam a companhia de Alfa Romeo e Williams na rabeira. Mas o que choca, mesmo, é o time papaia. Muito, muito ruim.

Alpine de Ocon: bom desempenho

A Ferrari já começou o fim de semana informando que Leclerc perderá dez posições no grid por troca da central eletrônica de seu carro. Hamilton, falando sobre a Mercedes e sobre o que o espera neste ano, disse que a energia da equipe, depois da primeira corrida, deve ser gasta em objetivo diferente do esperado antes de começar o campeonato: resolver os problemas do carro é prioridade agora, e não pensar em lutar por vitórias ou para chegar perto da Red Bull, algo considerado impossível.

Lewis foi colocado no centro de especulações sobre uma mudança de equipe, papo de rede social, e tratou de cortar o mal das fake news pela raiz: “A Mercedes é minha família e não vou para lugar algum”, garantiu. Ele também deu uma espetada boa na sede da corrida, a Arábia Saudita. Na coletiva de quinta-feira, os pilotos que estavam ao seu lado — como Pérez, Stroll, Norris, Russell… — disseram se sentir seguros em Jedá, que o esporte pode ajudar o país, aquele papo furado para não ferir suscetibilidades. Quando chegou sua vez, Hamilton falou: “Nada a acrescentar, é tudo que eles falaram, mas ao contrário”. Lembram do ano passado, né? Uma refinaria da Aramco em chamas pertíssimo do autódromo, depois de ataques de drones de rebeldes houthis do Iêmen, apoiados pelo Irã. E o pau comendo na pista como se nada estivesse acontecendo.

Amanhã sai o grid de largada a partir das 14h. É o mesmo horário da corrida. O circuito saudita teve algumas modificações por conta de segurança e deve ficar um pouco mais lento que no ano passado. Mas, ainda assim, é pista de altíssima velocidade, com enorme chance de safety-car no domingo.

Às 19h, como de costume, tem “Fórmula Gomes” lá no YouTube, apareçam!