Blog do Flavio Gomes
F-1

#SOMOSTODOSLOGAN

Logan's on a journey with the team, and we're behind him all the way 👊💙 James addresses this and more in the latest episode of the @krakenfx Vowles Verdict! 👇 pic.twitter.com/KIP79ajwC6 — Williams Racing (@WilliamsRacing) September 28, 2023 SÃO PAULO (a conferir) – Para quem não entende inglês ou não está a fim de ouvir […]

SÃO PAULO (a conferir) – Para quem não entende inglês ou não está a fim de ouvir o chefe da Williams, James Vowles, vamos lá. Esse tuíte — ou esse X — aí em cima é de hoje de manhã. Diante dos boatos, especulações, rumores, mexericos, zunzunzuns e alcovitices que circulam na imprensa sobre o futuro de Logan Sargeant, ele resolveu vir a público expressar seu apoio ao piloto norte-americano. Uma espécie de #SomosTodosLogan, para o menino não entrar em parafuso de vez. Um resumo do que ele disse, primeiro, e volto depois:

“Logan tem objetivos claros até o final do ano e sabe quais são. Queremos que ele consiga atingi-los. Queremos ele no nosso carro no ano que vem. Isso [que está acontecendo neste ano] tem muito a ver com a gente. Pegamos um piloto direto da F-2, sem nenhum teste significativo, demos a ele um dia e meio de testes no Bahrein e dissemos: tenha uma boa temporada. É um desafio terrível para qualquer estreante. Logan tem demonstrado vários sinais positivos. É preciso dizer, antes de mais nada e principalmente, que seu carro não tem as mesmas especificações aerodinâmicas que o de Alex [Albon]. As atualizações que fizemos foram para o carro de Alex, mas não para o dele, por várias razões ligadas ao andamento do campeonato. O progresso que ele está fazendo é visível. Em Suzuka estava andando a um décimo de Alex, numa pista difícil, quando aconteceu o acidente. Vamos continuar a trabalhar com Logan e a investir nele, porque queremos que ele se saia bem como resultado da jornada em que está conosco. A Williams tem um programa de jovens pilotos e vai continuar investindo nele. Só no momento em que todos chegarmos à conclusão de que chegamos ao fim desse caminho é que vamos tomar decisões. Mas ainda não estamos nem perto disso.”

Muito bem. São belas palavras, uma defesa do piloto que, levada ao pé da letra, faz todo sentido. De fato a Williams pegou o garoto muito verde, ele quase não testou e é difícil a vida para quem chega assim na F-1. Mas alguns chegam e se viram. Lawson, por exemplo. E não destroem carros, nem passam vergonha.

Fui olhar o que cada um deles fez antes de sentar num F-1 para seu primeiro GP. Sargeant, 22 anos, andou no carro da Williams pela primeira vez no final de 2021 em Abu Dhabi, no teste de novatos. Foram 486 km percorridos. Na ocasião, tinha terminado sua terceira temporada na F-3. Correu em 2019 (pela Carlin), 2020 (na Prema) e 2021 (na Charouz). Nesse período, conseguiu três vitórias, dez pódios e três poles. Foi terceiro colocado no campeonato em 2020.

Em 2022, foi para a F-2. Fez uma temporada razoável, com duas vitórias, quatro pódios e duas poles. Terminou em quarto. Pela mesma Williams, participou de quatro treinos livres nos GPs dos EUA, México, Brasil e Abu Dhabi, totalizando 96 voltas e 465 km. Encerrado o Mundial, fez de novo um dia de treinos em Yas Marina, mais 433 km. Contratado no começo de 2023 para ser titular, cumpriu um dia e meio de pré-temporada no Bahrein, com mais 1.239 km no lombo. No total, antes de alinhar no mesmo Bahrein para a primeira corrida no meio de gente grande, foram 2.623 km de experiência. É pouco.

Aí a gente vai ver o tal do Lawson, 21 primaveras completadas em fevereiro. Em 2021, fez o teste de novatos em Abu Dhabi pela AlphaTauri, 660 km. No ano passado, participou dos treinos livres nos GPs da Bélgica e do México pela AlphaTauri e de Abu Dhabi pela Red Bull, mais 298 km no total. Pela mesma Red Bull, de novo em Yas Marina, mais 586 km para fechar o ano. Deu 1.544 km. Aí chamam o moleque na Holanda numa fogueira danada, porque Ricciardo quebrou a mão, vai direto para a classificação com chuva, não comete nenhum erro, segue em Monza, Marina Bay e Suzuka, e já tem dois pontos e um Q3 no currículo, obtidos em Singapura. Não quebrou uma asa.

Sargeant disputou 16 GPs, chegou ao Q3 apenas uma vez (na Holanda) e seu melhor resultado até agora é um 11º lugar. Suas inúmeras batidas ao longo do ano já causaram um prejuízo de US$ 3 milhões à Williams em peças de reposição, funilaria e pintura. A franquia do seguro dele é altíssima. Sabe como é, jovem, menos de 25, pouco tempo de carta…

Tudo que Vowles disse é verdade: Sargeant precisa de apoio, a equipe pode ter se precipitado em colocá-lo como titular sem estar preparado para tal, o carro é diferente do de Albon, ele é bonzinho e querido etc. e tal. Mas é fraco. Por isso, por mais que o time tenha saído em sua defesa — e eu faria o mesmo, porque a fritura na F-1 é cruel e nem todo mundo é como Helmut Marko ou Flavio Briatore –, é muito difícil que ele permaneça no ano que vem. Tem prazo até o fim da temporada para, como disse o chefe, atingir certos objetivos.

Não sei quais são. Mas ninguém deve esperar por milagres. O rapaz precisa, antes de tudo, colocar a cabeça no lugar e se acalmar. Depois, mostrar do que é capaz. Receio que não seja de muita coisa. Assim, a vaga continua aberta para 2024. E Felipe Drugovich segue sendo um dos nomes cotados para ela. É a única aberta, inclusive.