Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (vexames mil, porém…) – Eis a imagem divulgada ontem à noite pelos perfis oficiais da F-1 nas redes sociais. A chegada do GP de São Paulo para Alonso e Pérez, terceiro e quarto colocados em Interlagos. Isso aí se chama fotochart (o pessoal na categoria usa “photo finish”), e […]

A IMAGEM DA CORRIDA

Fotochart divulgado pela F-1: apenas 0s053 separando Alonso de Pérez

SÃO PAULO (vexames mil, porém…) – Eis a imagem divulgada ontem à noite pelos perfis oficiais da F-1 nas redes sociais. A chegada do GP de São Paulo para Alonso e Pérez, terceiro e quarto colocados em Interlagos. Isso aí se chama fotochart (o pessoal na categoria usa “photo finish”), e é um método de captação fotográfica semelhante ao usado nas competições de atletismo, por exemplo. Mas nasceu, se minha percepção histórica não está equivocada, nas corridas de cavalos, mesmo. No turfe, falar em fotochart é tão comum quanto citar o VAR hoje em dia no futebol. O fotochart serve para tirar dúvidas. E se alguém tinha alguma sobre a conversão de 53 milésimos de segundo em centímetros, com um carro de F-1 acelerando numa reta, a imagem aí em cima esclarece bastante coisa.

Acho que Alonso já foi suficientemente elogiado aqui ontem. E também lá no canal do YouTube, e por todo mundo que assistiu ao GP de São Paulo. É quase unânime a opinião de que ele salvou a corrida, que não foi das mais empolgantes de todos os tempos. Ao contrário. Tirando as breves confusões pré e pós primeira largada, com o abandono de Leclerc e o acidente de Albon e Magnussen, Interlagos ofereceu uma prova bem standard, tipo Fusca Pé-de-boi ou Vemaguet Caiçara. Ou ainda Gordini Teimoso.

(Um pouco de cultura automotiva. Estão aí embaixo os três: Pé-de-boi, Caiçara e Teimoso. Aos que não sabem do que se trata, sempre tem o Google para ajudar.)

Talvez a melhor imagem do domingo fosse a do abraço entre Fernandinho e Checo na zona mista, a área de entrevistas. Do ponto de vista jornalístico, tem mais significado. O mexicano foi até o espanhol para confraternizarem depois do espetáculo que ambos sabem ter proporcionado ao público no autódromo e pela TV. Mas essa foto foi usada no textão de ontem, então já era. O abraço está aí embaixo, de todo modo, em vídeo.

Alonso chegou a 106 pódios na carreira, como já informado. Igualou Prost. O francês, coitado, viu duas marcas de sua carreira sendo alvejadas na prova de ontem. Além de estar prestes a perder o quarto lugar entre os que mais foram ao pódio na história para o espanhol, viu cair sua posição no ranking dos maiores vencedores. Ele tem 51 vitórias e era o quarto colocado empatado com Verstappen. Que ganhou e foi a 52. Sendo 17 neste ano, em 20 etapas. E é daí que vem…

O NÚMERO DE INTERLAGOS

85%

…de aproveitamento em vitórias tem Verstappen nesta temporada. E um novo recorde já está superado, mesmo que ele não vença nenhuma das duas provas que restam no campeonato. Se ficar com os mesmos 17 triunfos ao final de 22 etapas, bate em 77,3% do total. Se ganhar em Las Vegas e Abu Dhabi, chega a 86,4%. O maior percentual de vitórias na mesma temporada, de 75%, pertencia a Alberto Ascari, que ganhou seis das oito corridas disputadas em 1952.

A cereja do bolo da atuação de Max no fim de semana de vitórias na Sprint e no GP foi essa aí em cima. Aumentem o som. Ele cantarola com seu engenheiro “Green Green Grass of Home“, hit de 1966 de Tom Jones — fiquei surpreso com a escolha no toca-fitas do carro da Red Bull. Mas vocês, os dois ou três que leem este blog, não devem ter ficado tão espantados assim. Eu vivo dizendo que ele tem rádio no carro e ninguém acredita!

Mas vamos seguindo, que tem bastante assunto. Um deles é esse aí embaixo:

Trata-se de um senhor esporro que a FIA deu na organização do GP de São Paulo. Porque houve invasão de pista no final da corrida com carros ainda andando. Uma falha grave na segurança que não passou despercebida. Um baita vexame. Os organizadores têm agora até o dia 30 de janeiro para apresentar um plano de ação detalhado que impeça a repetição dessa insanidade. OK, invasões de pista acontecem em vários autódromos, mas nunca com carro andando. Aí, realmente, não dá.

E, para piorar ainda mais a reputação da corrida — e da parte mais escrota do público brasileiro –, vejam o vídeo abaixo. São os cidadãos de bem que estavam no espaço da Heineken, que fica no interior da sequência Mergulho-Junção-Café, agredindo seguranças e funcionários que apenas faziam seu trabalho para invadir a pista, também.

Um bando de babacas.

Ainda no extrapista, não deixemos de registrar aqui a alegada falha no som de Ludmilla no início do hino nacional e a prisão de um otário que, no sábado, fez ofensas racistas a um médico negro que estava num camarote com um boné do PT. Pena que não divulgaram o nome do criminoso.

E que se destaque igualmente o sucesso das ações de marketing da Porto Seguro, que distribuiu 70 mil bonés ao público no autódromo, montou uma tribuna para quatro mil pessoas com roda-gigante, simuladores e torneio de pit stop (a Vila Porto), e usou e abusou de seus patrocinados Gabriel Bortoleto, Felipe Drugovich e família Barrichello. A Porto também patrocina a vertical de canais do YouTube da qual faço parte. Mas não é por isso que estou falando dela, não. É que o bonezinho azul claro corre o risco de virar marca registrada da corrida de Interlagos. Uma bela sacada que mexeu com o visual das arquibancadas. Pelo jeito, a Porto curtiu o mundo do automobilismo. Que bom. Os pilotos e o público agradecem.

A FRASE DE SÃO PAULO

“Nosso desempenho foi imperdoável. Demos a nossos pilotos um carro miserável que não merece vencer uma corrida.”

Toto Wolff, chefe da Mercedes
Toto Wolff: performance “inaceitável”

É um bom frasista, Toto Wolff. Por isso aparece sempre por aqui, nestes rescaldões. À sua sentença, acrescentaria duas, dos pilotos da Mercedes. Russell, que venceu em Interlagos em 2022: “Um ano atrás, nesta mesma pista, tivemos nosso melhor fim de semana na temporada. Doze meses depois, no mesmo circuito, fazemos o pior do ano. Não tem explicação”. Hamilton, cansado: “Mais duas corridas com essa coisa e espero nunca mais ter de pilotá-lo”. A referência pouco elogiosa ao W14 embute uma preocupação extra. A Mercedes está na estaca zero para fazer o carro de 2024. A melhora de performance recente, pelo jeito, foi casual. Não teve nenhuma base sólida.

Algumas observações agora sobre a pontuação de pilotos e equipes depois de 20 corridas de um campeonato interminável. A AlphaTauri encostou na Williams ao somar pontos em três corridas seguidas. Vai acabar passando, se Tsunoda e Ricciardo se esforçarem. Já a disputa pelo vice entre as equipes segue indefinida, tamanhas as oscilações de Mercedes (382) e Ferrari (362). Na tabela dos pilotos, os 18 x 6 aplicados por Pérez sobre Hamilton em Interlagos, somando Sprint e GP, praticamente definiram o vice-campeonato. Lewis precisa descontar 32 pontos em duas corridas. Só por milagre. Mas a luta entre Alonso, Norris e Sainz está bonita. Vejam abaixo.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS de dois pilotos em particular no pelotão do meio, Gasly e Tsunoda. O francês saiu de 15º para sétimo e correu boa parte da prova com um olho só, porque um cisco fez com que lacrimejasse a prova toda. O japonês veio de 16º para nono e, mais um pouco, poderia atacar Hamilton.

NÃO GOSTAMOS da Ferrari, claro. Leclerc, coitado, nem começou a corrida. Sainz terminou em sexto. O monegasco estava em segundo no grid. O espanhol não conseguiu fazer os pneus funcionarem. Em resumo, uma droga.