A IMAGEM DA CORRIDA
SÃO PAULO (tá acabando) – Apesar da profusão de imagens coloridíssimas e luminosíssimas de Las Vegas, incluindo aquelas da simpática Esfera — a história de proibir luzes vermelhas, amarelas e azuis era cascata –, acho que vou me lembrar dessa corrida, para sempre, pelo trajeto dos três primeiros dos boxes até o hotel Bellagio, onde foi feita a entrevista pré-pódio.
Leclerc, Verstappen e Pérez fizeram caretas ótimas dentro do Rolls Royce. E caiu o mito do luxo e do conforto do carro mais caro do mundo (nem é mais, mas quando eu era criança Rolls Royce era o carro mais caro do mundo e pronto): só cabem dois atrás. Meus DKWs são mais espaçosos.
Estou na correria hoje, então vamos acelerar no rescaldão.
O NÚMERO DE LAS VEGAS
Em 2016, a Mercedes estabeleceu um recorde de vitórias na mesma temporada. Foram 19 em 21 corridas, naquele ano em que Rosberg e Hamilton se engalfinharam pela taça. E Rosberguinho levou. Aproveitamento mercêdico: 90,4%. Pois a Red Bull chegou a 20 vitórias nas mesmas 21 corridas. Já é recorde absoluto, mas temos sempre de levar em conta o percentual em relação ao número de corridas, porque os campeonatos variam de tamanho. Até agora, o que Verstappen (18 vitórias) e Pérez (duas) fizeram bate nos 95,2% de aproveitamento. Mas ainda tem uma prova para fechar o Mundial. Se não ganhar em Abu Dhabi, o time encerra o ano com 90,9% de vitórias. Se vencer, vai a 95,4%. A McLaren de 1988, com 15 vitórias em 16 etapas, teve aproveitamento de 93,7%.
Verstappen ganhou as três provas disputadas neste ano nos EUA — em Miami, Austin e Las Vegas. Sem muitas papas na língua, não economizou críticas ao excesso de penduricalhos do evento do último fim de semana. Detonou o que considerava “1% esporte e 99% espetáculo”, o público “que não entende nada do que fazemos na pista”, os organizadores que deram cupons de compra no valor de 200 dólares aos que foram expulsos das arquibancadas no segundo treino livre (“se fosse comigo, eu quebrava tudo”).
Mas se rendeu à qualidade da prova e admitiu que se divertiu bastante. Ao final da corrida, era um sorriso só. Como muita gente, acabou tendo uma boa surpresa num circuito que, de início, parecia ser um dos mais desinteressantes da temporada. O que nos leva à…
FRASE DE VEGAS
“Não esperava que a pista fosse tão boa. Para todos que foram tão negativos sobre este fim de semana, acho que Vegas provou que estavam todos errados.”
Lewis Hamilton
De acordo com os organizadores, passaram pelas catracas do circuito 315 mil pessoas nos três dias do evento. O contrato de Las Vegas com a F-1 é de dez anos. Viram Verstappen conquistar seu 20º pódio no ano, mais um recorde que o holandês amplia — maior número de troféus na mesma temporada; no ano passado, foram 18. O piloto completou 40 corridas seguidas nos pontos. Hamilton detém esse recorde, com 48 provas pontuando seguidamente, entre Inglaterra/2018 e Bahrein/2020.
Max liderou 951 voltas até agora nesta temporada, 75% das 1.267 cumpridas em 21 corridas. O GP de Abu Dhabi terá 58 voltas. É isso mesmo que vocês estão pensando. Se ele liderar pelo menos 49, chegará à incrível marca de mil voltas em primeiro lugar no mesmo ano. De qualquer forma, ele já tem mais um recorde assegurado: percentual de voltas na liderança em relação ao total de um campeonato. Mesmo se não ficar na ponta em nenhum momento em Yas Marina, ele fecha o ano com 71,7% das voltas lideradas. O recorde anterior era de 1963. Jim Clark, naquele Mundial, liderou 506 das 708 voltas percorridas — 71,4%.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de Esteban Ocon, que largou em 16º e, com apenas um pit stop, terminou em quarto. Na verdade, quinto. Mas com a punição de 5s para Russell, subiu uma posição. Fez uma prova muito madura e encostou em seu companheiro Gasly na classificação: 62 x 58 para Pierre. Com o detalhe importante: nas últimas três provas, Ocon marcou 14 pontos; Gasly, seis. Pierre era o quarto no grid, mas terminou só em 11º, com problemas depois da troca de pneus.
NÃO GOSTAMOS de ver a Williams desperdiçar uma grande chance de pontuar. Albon largou em quinto e Sargeant, em sexto. Terminaram em 12º e 16º, respectivamente. Andaram para trás. O “graining” nos pneus — esfarelamento, granulação, “macarrãozinhamento” — foi apontado como grande vilão para ambos. “No meio da corrida me vi com pneus velhos lutando com um monte de gente de pneus novos”, resmungou Alexander, culpando também a estratégia de uma parada. “O momento do safety-car foi ruim para a gente. Temos de rever alguns cálculos”, disse.
