A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (devia estar gelada…) – Como escrevi domingo, ou falei, ou pensei, foi uma vitória bonita numa corrida feia. Leclerc não tem culpa. Não foi a primeira nem a última prova chata da F-1. E ele construiu essa vitória desde a sexta-feira, sendo rápido logo de cara, determinado a, finalmente, vencer em casa.
Venceu, mereceu a festa e todos os aplausos. Entrou para a seletíssima galeria de monegascos que possivelmente terão suas fotos penduradas no palácio da família Rainier. O outro é Louis Chiron, que venceu o GP de Mônaco de 1931 quando ainda nem existia a F-1. Mas ele ficou muito tempo na ativa, e é até hoje o mais velho a largar em uma corrida da categoria. Tinha 55 anos quando disputou o GP de Mônaco de 1955. E chegou em sexto. Em 1956 e 1958, estava inscrito para a prova mas não alinhou na primeira e não se classificou para a segunda. Não importa. É um herói local. Como Charlinho, agora.
E achei as fotos do mergulho nas águas do porto tão boas que, abaixo, tem uma galeria com elas. Mais adiante neste “Sobre ontem…” há outras que selecionei para ilustrar o êxtase ferrarista. Para ver em tamanho maior, sempre lembro, é preciso clicar na imagem.
A FRASE DE MÔNACO
“Comecei a chorar faltando duas voltas e fiquei com a vista embaçada. Aí falei: ‘Não, Charles, não vai fazer nada errado agora…’. Parecia que a corrida não ia acabar nunca!”
Charles Leclerc
Aí em cima, a classificação dos Mundiais de Pilotos e Construtores. Mas notem o quadro maior. É a comparação da pontuação de 2023 para 2024, já que os pilotos e as equipes são os mesmos. A diferença é que neste ano duas Sprints fizeram parte das primeiras oito etapas, contra uma no ano passado. Alonso e Hamilton despencaram. Norris, Piastri, Sainz e Leclerc decolaram. Verstappen e Pérez caíram um pouco.
O NÚMERO DE MONTE CARLO
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…pilotos venceram o GP de Mônaco desde 1950, quando a F-1 realizou sua primeira temporada — sempre é bom lembrar que a corrida nas ruas do Principado acontecem desde 1929. Leclerc foi o sétimo piloto da Ferrari a ganhar a prova. O recordista é Ayrton Senna, com seis vitórias.
Podemos abusar das caixinhas hoje? Tem bastante coisa que merece ser dita depois desse GP de Mônaco e nem todos os assuntos são correlatos. Preparem-se, pois!
EM QUEDA – A Alpine ficou irritadíssima com a batida de Ocon em Gasly na primeira largada. Bruno Famin, chefe do time, chamou o reserva Jack Doohan para conversar lá mesmo em Mônaco. Falou que “haverá consequências” para o que fez Ocon. O piloto se desculpou publicamente, pelas redes sociais. Mas pode ser suspenso pelo próprio time no Canadá — ameaça que paira no ar, de acordo com a imprensa europeia. Seria uma punição desproporcional ao incidente, ainda mais porque Gasly seguiu na corrida e ainda pontuou. Esteban tem andado melhor que seu companheiro, e foi a primeira encrenca do ano. Não pareceu proposital. Deve estar acontecendo alguma coisa lá dentro para que se cogite algo tão grave quanto tirar o piloto de um GP. Como, por exemplo, Ocon estar negociando sua saída.
McLAREN FELIZ – A McLaren foi a segunda equipe que mais pontuou em Mônaco. Fez 30 pontos, contra 40 da Ferrari. O time italiano, apesar de toda a euforia, já fez uma corrida melhor neste ano. Na Austrália, marcou 44 pontos com a dobradinha Sainz-Leclerc. E ainda levou o ponto extra da melhor volta.
RED BULL MENOS – A Red Bull, por sua vez, amargou o pior resultado desde o GP do Bahrein de 2022, quando ficou no zero após as quebras de Verstappen e Pérez. Foram só oito pontos, graças ao sexto lugar de Max. Desconsiderando o abandono duplo de 2022 e levando em conta apenas as corridas em que pelo menos um carro da equipe chegou ao final, foi o pior GP desde a Hungria em 2021. Lá, foram dois míseros pontinhos com a nona colocação de Verstappen.
SAUBER NA RABEIRA – Também vale lembrar aqui que com o nono lugar de Alexander Albon, a Williams fez seus primeiros pontos no ano. Agora, a única equipe zerada é a Sauber.
SOBREVIVEU – O acidente de Pérez na largada foi feio, destruiu o carro e a Red Bull calcula que o prejuízo pode bater na casa dos US$ 3 milhões — perda total do chassi, e ainda tem o gasto do descarte do lixo. Mas todos se preocuparam mesmo com o fotógrafo Bruno Diodato, atingido por destroços do RB20. A foto acima impressiona porque parece que ele está desmaiado. Mas, felizmente, nada de mais sério aconteceu. Foi levado ao hospital e pediu para voltar à pista para continuar seu trabalho.
BINOTTO NA ÁREA – Esta notícia já é pós-GP. É dada como certa a contratação de Mattia Binotto pela Aston Martin, para ocupar o lugar de Andrew Green — que deixou a equipe em 2023. O cargo seria de diretor-esportivo, respondendo a Mike Krack. Este continua chefiando toda a operação de F-1. Binotto está sem trabalhar desde que foi substituído por Frédéric Vasseur na Ferrari, no início do ano passado.
CONSELHO – Numa entrevista à agência “Reuters”, Mohammed Ben Sulayem, presidente da FIA, aconselhou Michael Andretti a comprar uma equipe existente na F-1 em vez de insistir em se tornar o 11º time do campeonato. No começo do ano, a FIA aprovou o pleito de Andretti e autorizou sua organização a disputar o Mundial. Mas a FOM (empresa que pertence ao grupo de mídia Liberty, dono da F-1), detentora dos direitos comerciais da categoria, vetou. As outras equipes não querem a Andretti, mesmo depois do acordo com a Cadillac para 2026 — leia-se GM. O americano acaba de contratar Pat Symonds, que até outro dia ocupava o cargo de diretor-técnico da F-1 como empregado da Liberty. Tudo indica que vai acabar conseguindo entrar no clubinho. Mas pode ser mesmo que tenha de fazê-lo comprando alguma “franquia”. Ninguém está oficialmente à venda atualmente. Mas há quatro possibilidades no horizonte: a Alpine, que pertence à Renault, a Quer que Parcele?, da Red Bull, a Williams, de um fundo de investimentos dos EUA e Haas, que só dá prejuízo para seu dono.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS de ver até o príncipe Albert entrando na festa pela vitória de Leclerc em seu quintal. Ele pegou uma garrafa de champanhe e, como se diz, quebrou o protocolo. Espirrou espumante em quem estava à sua frente, ainda que meio sem jeito. A pequena galeria abaixo registra alguns dos momentos da alegria vermelha e monegasca para a posteridade.
NÃO GOSTAMOS da corrida.