Blog do Flavio Gomes
F-1

BARCELONETAS (2)

SÃO PAULO (melhor assim) – Lando Norris fez a pole-position para o GP da Espanha hoje em Barcelona. É apenas a segunda de sua carreira, quase três anos depois de largar na frente no GP da Rússia de 2021, em Sochi. Lembrávamos de corridas na Rússia? Pois é. Cinco meses depois daquele GP o país […]

Pole de Norris: segunda na carreira do inglês da McLaren

SÃO PAULO (melhor assim) – Lando Norris fez a pole-position para o GP da Espanha hoje em Barcelona. É apenas a segunda de sua carreira, quase três anos depois de largar na frente no GP da Rússia de 2021, em Sochi. Lembrávamos de corridas na Rússia? Pois é. Cinco meses depois daquele GP o país entrou em guerra com a Ucrânia e foi banido do calendário. O mundo anda muito acelerado. A guerra continua, e a F-1, também. Sem Sochi – ainda bem, a pista era uma chatice.

Não dá para afirmar que foi uma surpresa monumental. A Red Bull continua fortíssima, mas não tanto como no ano passado, quando ganhou 21 das 22 etapas do Mundial. Max Verstappen ficou em segundo no grid. Depois de sete poles seguidas nas sete primeiras corridas do campeonato (oito consecutivas, contando a última de 2023), amarga a terceira prova sem conseguir a primeira posição no grid. Em Mônaco, deu Ferrari com Leclerc. No Canadá, Russell com a Mercedes. Agora, Norris com a McLaren. O pessoal tem se revezado para bater no holandês.

Quando Verstappen cravou 1min12s306 em sua primeira volta rápida no Q1, deu para perceber que venderia caro o favoritismo para a pole já arranhado nos treinos livres. Quem conseguiu batê-lo foi Leclerc, por meros 0s049. Norris, Sainz e Russell vinham a seguir, mas um pouco mais distantes no cronômetro, a mais de 0s1.

Foi só nos últimos segundos que Hamilton virou 1min12s143, pulando para a ponta e se colocando entre os candidatos à posição de honra no grid – ele já tinha fechado a sexta-feira na frente. Na zona de eliminação, Magnussen, Tsunoda, Ricciardo, Albon e Sargeant. Uma certa surpresa a degola da dupla da Cadê a Maquininha?, que vem frequentando Q2 e Q3 com alguma assiduidade nesta temporada. O resto, normal.

O início do Q2 foi alvissareiro, com Gasly, Pérez, Hulk, Ocon, Bottas e Alonso entrando na casa de 1min12s. A pista estava mais rápida, com muitas nuvens encobrindo o sol catalão e temperatura mais baixa no asfalto – 35°C, contra 44°C do começo da classificação. Aí entraram os adultos na pista. Sainz enfiou 1min11s874 na cara dos rivais. Norris fez 1min11s872, 0s002 melhor que o espanhol. Piastri e Leclerc também ingressaram no clube do 1min11s. E Verstappen esfregou 1min11s653 na fuça da patuleia, deixando todos para trás.

Faltava Hamilton. Mas logo na primeira saída o britânico da Mercedes acionou o rádio e avisou: “Estes pneus estão ruins”.

Hamilton: melhor grid desde EUA/2023, onde também saiu de P3

(Sei que não cabe aqui, mas tive a mesma sensação esta semana ao pegar meu Gol GT na oficina, ele que estava parado havia algum tempo. Ainda calça os clássicos e incomparáveis Pirelli P6000, nas medidas 185-60-R14. São pneus que não existem mais. Um deles, o traseiro direito, ficou alguns dias meio vazio e temo que tenha deformado. Terei de trocar, infelizmente, pela idade. Se for de Pirelli de novo, agora o P6000 se chama Formula Energy. Há boas opções Michelin, Goodyear, Dunlop e Continental. São pneus caros. Tem uns chineses mais baratos, mas sou meio conservador com pneus. Quando peguei a Anchieta, minha reação foi igual à do Hamilton. Só não tinha rádio, então falei sozinho.)

Lewis trocou os pneus. E quando acertou sua volta, pulou para segundo, a 0s139 de Max. Russell veio no embalo e foi para terceiro. A briga pela pole seria ótima, com vários pretendentes: as duplas de Mercedes, Ferrari e McLaren, mais Verstappen. Pérez também foi ao Q3, mas ninguém acreditava no mexicano, apesar de pilotar um Red Bull. Alonso, Bottas, Hülkenberg, Stroll e Zhou empacaram no Q2. A Aston Martin segue desabando. E a Alpine levou Gasly e Ocon ao Q3, uma façanha para o time francês – pela primeira vez no ano, foi com os dois carros à fase final da classificação.

Pérez abriu o Q3 com uma volta totalmente bunda em 1min13s061. Verstappen repetiu o desempenho da fase anterior com 1min11s673 – apenas 0s020 pior. Os desafiantes não conseguiram feri-lo: Norris (a 0s123), Hamilton (0s143), Russell (0s167), Sainz (0s242) e Leclerc (0s276) fecharam a turma dos seis primeiros na primeira bateria de voltas rápidas. Piastri só tinha um jogo de pneus macios novos e faria uma volta só. Mas errou em sua tentativa, foi para a brita, voltou aos boxes e ficou em décimo.

Leclerc: Ferrari acreditava na pole, mas larga em quinto e sexto

Sainz e Leclerc melhoraram seus tempos na segunda saída. Mas não superaram o que Verstappen já tinha feito na primeira. E o holandês ainda baixou para 1min11s403, dando pinta de que voltaria à pole. Hamilton também melhorou, assim como Russell. Ambos, porém, longe do tempo de Max, para decepção da Mercedes. Quem brigaria com ele?

Lando Norris.

O inglês da McLaren fez uma volta sensacional em 1min11s383 e bateu o tricampeão mundial por 0s020. Hamilton ficou em terceiro a 0s318 de Lando. Os dois meninos da primeira fila, como se vê, mandaram o equilíbrio às favas. Lewis terá a seu lado na segunda fila o companheiro Russell, que triscou o parceiro a 0s002. Na terceira alinha a dupla da Ferrari: Leclerc em quinto, Sainz em sexto, com 0s005 entre eles. Gasly, Pérez, Ocon e Piastri completaram o top-10. Pérez, porém, larga em 11º porque já chegou a Barcelona punido com três posições no grid por ter voltado aos boxes, no Canadá, com a asa traseira pendurada depois de uma batida.

Os tempos em Barcelona: Pérez perde três posições

A largada será fundamental amanhã, assim como a gestão dos pneus. Não há um favorito destacado. Verstappen, se não ganhar a ponta de cara, o que é mesmo difícil, vai jogar com paciência e estratégia. Não pode deixar Norris escapar. Seu ritmo de corrida, que testou exaustivamente nos treinos livres, foi melhor que o da concorrência. As paradas de box devem definir o resultado.

É uma prova aberta, em resumo. O que é uma ótima notícia para um campeonato que começou muito parecido com o que tinha terminado alguns meses antes, de domínio absoluto da esquadra rubro-taurina. McLaren, Ferrari e Mercedes não se abateram e resolveram partir para a briga. Ainda estão perdendo. Mas de vez em quando acertam uns golpes em Verstappen. Que segue firme, mas está tendo de se defender. No ano passado, era nocaute em toda corrida. Agora, tem de se contentar com algumas vitórias por pontos. E uma ou outra derrota.