Blog do Flavio Gomes
F-1

ELE FICA

SÃO PAULO (menos uma) – Poucas horas depois do anúncio de Carlos Sainz na Williams — óbvio que o espanhol foi avisado antes –, a Red Bull fez vazar a informação de que, em comunicado interno, Sergio Pérez teve seu lugar garantido para o resto da temporada, pelo menos. Seu contrato com a equipe vai […]

SÃO PAULO (menos uma) – Poucas horas depois do anúncio de Carlos Sainz na Williams — óbvio que o espanhol foi avisado antes –, a Red Bull fez vazar a informação de que, em comunicado interno, Sergio Pérez teve seu lugar garantido para o resto da temporada, pelo menos. Seu contrato com a equipe vai até o final de 2026.

O voto de confiança foi dado por Christian Horner após reunião da chefia da organização, que incluiu o pessoal do time B, o Pega Lá a Maquininha. Outra decisão tomada: o também ameaçado Daniel Ricciardo segue até o fim do campeonato como companheiro de Yuki Tsunoda. Liam Lawson vai ter de esperar mais um pouco.

Fim de especulações, portanto.

Muita gente vai contestar a manutenção do mexicano, como já aconteceu na renovação de seu contrato, na altura do GP de Miami. Esses vão berrar para ninguém ouvir. Porque a opção da Red Bull foi pela estabilidade, e não adianta estrilar. Como a coisa deu uma entortada nas últimas corridas, a equipe considerou que pode ser mais fácil endireitar com quem começou bem o ano do que buscar alguém para começar do zero.

A temporada de Pérez é mesmo muito esquisita. Nas primeiras seis corridas de 2024, duas delas com Sprints, Checo somou 103 pontos, contra 136 de seu companheiro Max Verstappen. Era vice-líder do Mundial. A média de 17,2 pontos por etapa era ótima, diante dos 22,6 de Max — um piloto dez vezes melhor. Ele foi segundo no Bahrein, na Arábia Saudita e no Japão. Fez ainda um terceiro lugar na China. Foi quinto na Austrália e quarto em Miami.

A partir do GP da Emilia-Romagna, porém, a maionese desandou. Ficou em oitavo em Ímola, abandonou em Mônaco e no Canadá por conta de batidas, foi oitavo de novo em Barcelona, sétimo na Áustria, Hungria e Bélgica, e 17º na Inglaterra. Em oito GPs, um deles com Sprint, somou 28 pontos. A média caiu para 3,5 pontos por etapa. Sim, um desempenho clamorosamente trágico. Hoje Max tem 277 pontos e segue líder na tabela. Pérez despencou e está sétimo, com 131.

Por causa dessa queda de performance, a Red Bull vê o título de Construtores muito ameaçado. Se após o GP de Miami a equipe tinha 115 pontos de vantagem sobre a McLaren, então terceira colocada, agora são apenas 42. E a curva papaia é ascendente.

Para ser campeã entre as equipes neste ano, a Red Bull sabe que não dá para pontuar com apenas um carro. Em 2023, daria. Verstappen fechou a temporada com 575 pontos. A Mercedes, vice-campeã de Construtores, fez 409. Se Pérez tivesse passado o ano comendo guacamole, bordando sombreiros e tocando violão com mariachis, o time seria campeão do mesmo jeito. Mas a situação mudou e agora é preciso somar pontos com os dois pilotos. Com frequência.

Pérez vai conseguir? Segundo a Red Bull, as dez pistas que receberão os GPs da segunda parte do campeonato são mais favoráveis ao piloto. É conversa fiada, claro. Os circuitos são tão distintos e variados quanto os 14 que já receberam corridas neste ano. Mas é uma forma de incentivar Checo, e também de tranquilizá-lo. Pérez recebeu o apoio explícito de Verstappen ontem, depois do GP da Bélgica. “Nossa prioridade tem de ser melhorar o carro, e não discutir o futuro dele”, falou. Max não é bobo. Sabe que o atual estágio de performance do RB20 não se compara ao das primeiras corridas do ano. Decaiu — talvez pelo afastamento de Adrian Newey –, enquanto outros times, como McLaren e Mercedes, deram largos passos em desenvolvimento e desempenho.

Outra coisa que ficou muito clara com a decisão da Red Bull: quis resolver logo a questão. Ficar cozinhando Pérez em fogo brando durante as férias só faria piorar a cabeça do piloto. Sabendo, agora, que está assegurado seu lugarzinho até o fim do campeonato, quem sabe o rapaz não entra nos eixos?

É o que a equipe espera. Coloca um ponto final nas especulações e se prepara para o próximo assunto. Sempre tem um próximo assunto.