Blog do Flavio Gomes
F-1

SAINZ & WILLIAMS

SÃO PAULO (sei não…) – Carlos Sainz destravou hoje o mercado de pilotos. O espanhol, que desde fevereiro procurava onde correr, assinou com a Williams por dois anos, com mais um de opção. No começo do ano, quando Lewis Hamilton revelou que iria para a Ferrari, o espanhol saiu procurando lugar. Bom piloto, era uma […]

SÃO PAULO (sei não…) – Carlos Sainz destravou hoje o mercado de pilotos. O espanhol, que desde fevereiro procurava onde correr, assinou com a Williams por dois anos, com mais um de opção. No começo do ano, quando Lewis Hamilton revelou que iria para a Ferrari, o espanhol saiu procurando lugar. Bom piloto, era uma opção interessante para muita gente. Mas ele alimentou, até o fim, a esperança de correr na Mercedes no lugar de Hamilton, ou na Red Bull — contando com uma prematura demissão de Sergio Pérez, que ainda não aconteceu.

Como carta na manga, Sainz sempre teve o projeto da Audi, que comprou a Sauber. Mas deixou a montadora alemã como segunda opção, nunca uma prioridade. Isso irritou um pouco o pessoal de Ingolstadt.

Ao assinar com a Williams, Sainz dá alguns recados. Primeiro, que a Mercedes já fez sua escolha — e será mesmo Kimi Antonelli, o jovem que faz 18 anos em agosto e está na F-2. Segundo, que a Red Bull, mesmo mandando Pérez embora, não pensa numa solução fora de casa para essa vaga eventual — Liam Lawson e Daniel Ricciardo são os nomes cotados para o caso de uma demissão do mexicano. Terceiro, que não leva muita fé nos planos da Audi.

Aí, sobrou a Williams, que vai dispensar Logan Sargeant no fim do ano (deve ir para a Indy) e já renovou com Alexander Albon — a exemplo de Sainz, cria da base da Red Bull. O espanhol acredita na reestruturação de um time que, nos últimos seis campeonatos, ficou quatro vezes na última colocação. Nesta temporada, está em penúltimo. É preciso ter muita fé. A Williams tem uma história linda e vitoriosa, é verdade, mas suas glórias estacionaram no final da década de 90. Depois disso, foram campanhas erráticas até as portas da falência, em 2020. Em agosto daquele ano, a família vendeu a equipe para um fundo de investimentos dos EUA, o Dorilton Capital. E, sendo bem sincero e usando termos razoavelmente chulos, continuou a mesma merda.

Mas Sainz confia que James Vowles, que assumiu o comando da operação no começo do ano passado, vindo da Mercedes, vai transformar a Williams de novo numa potência. Essas coisas na F-1 demoram, como se sabe. Muitas vezes não acontecem nunca.

Acho que Carlos fez bobagem. Eu assinaria com a Audi no primeiro momento, ainda que seja uma aposta. Mas seria uma aposta em algo que pode dar certo. Na Williams, Sainz aposta em algo que vem dando errado, e faz bastante tempo.

Boa sorte pra ele.

A Williams será a quinta equipe de Carlos Sainz, que completa 30 anos em 1º de setembro. Ele estreou pela Toro Rosso em 2015, onde ficou até 2017. No mesmo ano, disputou as últimas etapas pela Renault, equipe que defendeu em 2018 também. Em 2019 e 2020, correu pela McLaren. Desde 2021 está na Ferrari. Tem 196 GPs disputados, com três vitórias, cinco poles e 23 pódios.

Oficialmente, quatro vagas estão abertas para 2025: uma na Mercedes, uma na Alpine, uma na Sauber/Audi e uma na Essa Maquininha Cai Sempre o Sinal. Palpites deste blogueiro, pela ordem: Antonelli, Doohan, Bottas e Lawson. Ricciardo corre por fora na Audi. Garotos egressos da F-2, Drugovich incluído, não estão em alta. Mas não devem ser descartados.