AS IMAGENS DA CORRIDA

SÃO PAULO (felicidade sim) – Vamos, como se diz, quebrar o protocolo. Em vez de uma, cinco imagens da festa de Leclerc e da Ferrari em Monza. Quando essa equipe ganha em casa, é sempre muito especial. Foi a 246ª vitória da história do time de Maranello, que agora está apenas 39 pontos atrás da Red Bull na classificação. O “apenas” é por conta da imprensa italiana, que acredita piamente que os vermelhos podem lutar pelo título de construtores. Eu não acho. Mas que mal tem sonhar?
No GP da Itália, a Ferrari fez 37 pontos. Mais que McLaren (34), Mercedes (16) e Red Bull (12). No placar de vitórias em 2024, sete para a Red Bull e três para cada uma de suas rivais, McLaren, Mercedes e Ferrari. Só que os rubro-taurinos não ganham desde junho, na Espanha.
Sim, temos um campeonato. Talvez dois…
Eis as classificações:
E as “regras papaia”, hein? A McLaren tem o melhor carro do grid pelo menos desde o GP de Miami, vencido por Norris. Se não o melhor em todas as corridas, hegemônico e dominante, pelo menos em condições de vencer. São 11 etapas. E só três vitórias nesse período.
Dá para ser campeão assim?
A verdade é que Norris, para conquistar o título, teria de aproveitar melhor as chances de ganhar GPs. E a McLaren precisa ser realista. Na Hungria, o inglês perdeu sete pontos porque o time mandou inverter as posições para Piastri vencer. E o australiano nem merecia — cometeu um erro e tomou um undercut do parceiro; isso faz parte, sorte de quem não errou e acertou na estratégia. Ontem poderia, no fim, ter trocado as posições dos dois, já que Oscar não iria alcançar Leclerc. Seriam mais três pontos para Landinho.
Hoje, a diferença é de 62 pontos para Max Verstappen. Poderiam ser 52. Se Norris perder esse campeonato por dez pontos, chapéu de burro para todo mundo em Woking. Sempre digo: ordem de equipe é algo bem chato, na maioria das vezes. Mas se justifica em algumas ocasiões. Era o caso em Budapeste. Era o caso em Monza.
Piastri deveria ter atacado Norris na primeira volta ontem? Talvez não. Mas isso é algo que tem de ser discutido antes da corrida. As “regras papaia” terão de ser ajustadas se o time ainda quiser buscar a taça de pilotos — entre as equipes, acho que leva, com regras papaia ou normas tangerina. E Norris precisa ter mais sangue nos olhos, se impor internamente, deixar a mansidão de lado. A F-1 nunca teve campeões mansinhos.
E também precisa estudar o que acontece em suas primeiras voltas. Vejam o quadrinho abaixo, da “Autosport”. Norris tem sete poles, incluindo duas em provas Sprint — que não valem para as estatísticas oficiais, mas cabem aqui para determinar um padrão. Em nenhuma das corridas em que largou na frente o rapaz fechou a primeira volta em primeiro.
Não dá.
O NÚMERO DA ITÁLIA
100.018
…quilômetros percorridos em 348 GPs Lewis Hamilton completou ontem. É o segundo a superar a marca dos três dígitos. Fernando Alonso, na lida desde 2001, lidera esse ranking com 107.086 km em 394 corridas.
Foram dois personagens do GP da Itália, os meninos aí em cima. A Argentina está em êxtase com a estreia de Franco Colapinto, 12º colocado. “Se eu soubesse que ele estava atrás de mim, deixaria passar”, brincou Fernando Alonso, o 11º, que apoiou a carreira do piloto quando ele saiu do kart para os monopostos. O textinho do perfil do “La Capital” não mente: Colapinto conseguiu, em uma corrida, posição melhor que Logan Sargeant em 13 das 14 provas que disputou nesta temporada. O americano teve como melhor resultado em 2024 um 11º lugar na Inglaterra.
Já Max…
Bem, ele falou tanto depois da corrida, que não poderia ser de outro a…
FRASE DE MONZA
“Em seis meses saímos de um carro dominante para um monstro inguiável. É muito estranho. Temos de virar esse carro de cabeça para baixo. Desse jeito, não é realista falar em títulos. Nenhum dos dois.”
MAX VERSTAPPEN
O domingo só não foi mais trágico para Verstappen porque Norris não venceu nem chegou em segundo. Assim, marcou apenas oito pontos mais que o holandês — 16 x 8, já que fez a melhor volta. Nesse campeonato particular, é como se tivesse ganhado o GP da Itália, com Max em segundo. Combinação que, se for repetida até o fim do ano, dá o título ao piloto da Red Bull, incluindo as três Sprints. Verstappen tem 303 pontos. Se chegar em segundo nas oito provas restantes, marca mais 144. Em segundo nas Sprints, 21. Total: 468. Se Norris ganhar tudo, chega a 465. Nessa conta não entram os oito pontos extras das melhores voltas. Só falta isso decidir o Mundial.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS da valentia de Kevin Magnussen, que mesmo tendo de pagar um pênalti por tocar em Gasly conseguiu levar a Haas ao décimo lugar, marcando um ponto.
NÃO GOSTAMOS do rigor dos comissários na punição ao dinamarquês. As consequências foram pesadas: dois pontos na carteira e suspensão por um GP. O próprio Gasly ficou surpreso com a decisão e disse que “não aconteceu nada”. “O que eu puder fazer para ajudar a reverter essa injustiça, vou fazer”, falou o francês da Alpine.