Blog do Flavio Gomes
F-1

TORTILLAS (1)

SÃO PAULO (ufa!) – Foi uma longa sexta-feira na Cidade do México. A Pirelli escolheu o autódromo Hermanos Rodríguez para fazer os testes com os pneus do ano que vem, esticando a segunda sessão de treinos livres em meia hora. Já vão longe os tempos em que os treinos livres tinham 90 minutos de duração. […]

SÃO PAULO (ufa!) – Foi uma longa sexta-feira na Cidade do México. A Pirelli escolheu o autódromo Hermanos Rodríguez para fazer os testes com os pneus do ano que vem, esticando a segunda sessão de treinos livres em meia hora. Já vão longe os tempos em que os treinos livres tinham 90 minutos de duração. Hoje, é muito caro andar tanto. E a limitação de motores por temporada, principalmente, não permite isso. Se andar demais, motor gasta e quebra, basicamente.

O segundo treino livre foi o escolhido para ser estendido, fazendo com que as atividades na capital mexicana terminassem às 17h30 pelo horário local, 20h30 de Brasília. O sol já se punha quando a bandeira quadriculada foi mostrada e ninguém aguentava mais andar.

No final do dia, o mais rápido foi Carlos Sainz, da Ferrari, com 1min17s699. Piastri ficou em segundo, 0s178 atrás. Depois vieram, nas dez primeiras posições, Tsunoda, Leclerc, Norris, Magnussen, Hamilton, Bottas, Pérez e Lawson.

E foi uma sessão interrompida por 23 minutos depois de uma batida besta de George Russell no início das atividades. Outro que teve problemas foi o líder do Mundial, Max Verstappen. Depois da primeira sessão, a Red Bull percebeu que seu assoalho estava todo arrebentado. Passou em cima de alguma coisa — uma estatueta asteca, um prato de tacos, uma garrafa de tequila. Já tinha tido problemas no turbo antes. Resultado: seu carro ficou o tempo inteiro nos boxes. Não marcou tempo.

Quem também não fez tempo foi Albon, por conta de uma batida no primeiro treino que estragou bem o carro da Williams (veja nas caixinhas abaixo).

Red Bull de Verstappen: problemas sérios

Sem Verstappen, com testes de pneus para 2025, bandeiras vermelhas e muitos novatos no primeiro treino livre, não dá para tirar muitas conclusões desta sexta-feira, não. Além de tudo, o asfalto recapeado em alguns trechos estava muito sujo e empoeirado. Foi um daqueles dias chatos, muito mais agitado do lado de fora do que dentro da pista. Por isso, vamos às caixinhas mágicas.

PRIMEIRO TREINO – Deu Russell, mas a sessão foi interrompida duas vezes. No comecinho, por poucos minutos. Kimi Antonelli, andando com o carro de Hamilton na Mercedes, passou em cima de algum objeto na pista e quebrou a asa dianteira. Mais tarde, a bandeira vermelha foi mais longa: quase 20 minutos. O sinistro ocorreu depois que Alexander Albon, numa volta rápida, encontrou Oliver Bearman lento pelo caminho. Bearman estava treinando pela Ferrari, com o carro de Charles Leclerc. Foi uma pancada e tanto. O carro de Albon ficou bem danificado. Ninguém se machucou.

DRUGOVICH, 18 – Outro novato que andou no primeiro treino livre foi o brasileiro Felipe Drugovich, pela Aston Martin. Foi a primeira experiência dele com o modelo deste ano da equipe. Terminou a sessão em 18º. Drugovich andou com o carro de Fernando Alonso.

ALONSO, 400 – Falando nele, o espanhol completa neste final de semana seu 400º GP. Ele estreou em 2001, pela Minardi. Alonso disse que ainda vai disputar mais umas 50 corridas – deve permanecer no time mais dois anos. Ainda sobre ele, Christian Horner, da Red Bull, contou em entrevista que quase o contratou em 2009 e chegou a conversar com o bicampeão mundial, vejam só, no começo desta temporada. Esta aqui mesmo, a de 2024. “Fernando tem menos títulos do que merece”, falou o dirigente.

MARKO, O INDISCRETO – O guru da Red Bull disse ontem que o empresário de Oscar Piastri, Mark Webber, vive procurando o time austríaco para conversar. Webber foi piloto da Red Bull. Piastri, no entanto, negou que esteja sendo oferecido à equipe rival. “Estou muito feliz na McLaren”, garantiu.

MAX FILÓSOFO – À ESPN americana, frase de Max Verstappen comentando a longevidade de Alonso: “Eu poderia correr até os 40 anos, mas não vou. Não quero chegar aos 80, olhar para trás e perceber que passei 40 anos da minha vida correndo. Quero aproveitar bem o tempo que tiver nas pistas, e quando chegar aos 80 olhar para trás e saber que vivi uma boa vida”.

Verstappen: até os 40, não

CADILLAC FRANCESA – A Cadillac, que teve sua proposta para ser fornecedora de motores da F-1 aceita – mas só a partir de 2028 –, está conversando com a Renault. Como a marca francesa desistiu de desenvolver motores para o novo regulamento, que entra em vigor em 2026, os americanos querem comprar a propriedade intelectual do que já foi feito até agora. Assim, não partiriam do zero absoluto para tocar o projeto de suas próprias unidades de potência. Pegariam o espólio da Renault e trabalhariam em cima. A Renault, dona da Alpine, vai usar motores Mercedes a partir de 2026.

RECURSO – A McLaren pretende recorrer da punição de Norris em Austin. A equipe diz ter “fatos novos” para reverter os 5s que o piloto levou por ultrapassar Verstappen por fora da pista. Se conseguir provar alguma coisa, Lando fica com o terceiro lugar e Max cai para quarto. É pouco provável, porém.

BAND X GLOBO – A Bandeirantes divulgou comunicado ontem dizendo que não atrasou pagamentos à Liberty e que pretende continuar transmitindo a F-1 no ano que vem, cumprindo o contrato em vigor. A Liberty não se manifestou, nem a Globo. Mas o fato de ambas negociarem indica que a Bandeirantes está mentindo. O mercado todo (e a Liberty também) sabe que a emissora do Morumbi está inadimplente. Ou estão todos malucos. Em todo caso, apurou o Grande Prêmio, a Globo continua tocando seus planos para retomar os direitos da categoria. Só não está falando nada publicamente. Gato escaldado tem medo de água fria, como se diz.