SÃO PAULO (cumprindo tabela) – Sendo bem franco, a conquista do título de Verstappen em Las Vegas deixou nos fãs da F-1 aquela sensação de “precisa mesmo?”, no que diz respeito às duas últimas etapas do ano. Hoje começaram as atividades em Lusail, no Catar. Acho a pista sem graça, sem sal, sem alma, sem nada. E se eu disser que a definição do Mundial de Construtores me empolga amiúde, estarei mentindo descaradamente. McLaren e Ferrari estão na briga.
Mas vamos lá. Hoje teve um treino livre e a definição do grid da Sprint, minicorrida que será disputada amanhã às 11h pelo horário de Brasília. Norris fez a pole e Russell larga em segundo. Piastri, Sainz, Leclerc, Verstappen, Hamilton, Gasly, Hülkenberg e Lawson ficaram com as dez primeiras posições.
Agora, no entanto, Inês é morta para Landinho. O inglês da McLaren, pode-se dizer, reagiu tarde. E ainda corre o risco de perder o vice para Leclerc, embora eu considere meio difícil descontar 21 pontos em duas etapas. São 60 em jogo, OK, mas o monegasco da Ferrari não anda lá muito animado.
A classificação para a Sprint escancarou mais uma vez as deficiências de Pérez, apenas 16º no grid, e teve como destaque o 13º de Bottas, da Sauber. Para quem tem andado o ano inteiro em último ou penúltimo, um 13º acaba sendo quase um milagre. Sauber que foi notícia com a confirmação de que o QIA, fundo soberano de investimento do Catar, comprou parte da equipe que já é de propriedade da Audi. Uma grana boa, forte, que diz mais sobre o pé no breque que o Grupo Volkswagen meteu no projeto de F-1 do que propriamente sobre as perspectivas do novo time. Audi e QIA (Qatar Investment Authority) serão sócios na equipe. A participação do fundo é, de acordo com as informações oficiais, “minoritária e significativa”.
A gente conhece esse fundo mais por ser dono do Paris Saint-Germain do que por qualquer outra coisa, mas os caras têm participações na Volkswagen, na Porsche, em empreendimentos imobiliários de Londres e Nova York, aeroportos como Heathrow, bancos espalhados pelo mundo e sabe-se lá mais o quê. É dinheiro infinito.
O acordo significa que Gabriel Bortoleto terá sheiks como patrões, a exemplo do que já acontece com Neymar, Jorge Jesus e Cristiano Ronaldo. Boa sorte a todos. A F-1 está empolgadíssima com o dinheiro árabe. Tem corridas no Bahrein, em Abu Dhabi, no Catar e na Arábia Saudita — de onde vem igualmente um de seus maiores patrocinadores, a petroleira Aramco, que por sua vez também é dona de parte da Aston Martin.
Que sejam muito felizes e que Alá abençoe seus negócios. Inshalá.
Depois de vencer o GP de Las Vegas, Russell acabou sendo a surpresa da noite desta sexta em Lusail, andando muito perto da favorita McLaren. “Queremos uma dobradinha!”, vibrou Norris, o pole. Uma animação um pouco fora de hora, mas é o que temos para hoje.
Na Red Bull, além de mais um fracasso de Pérez, chamou a atenção o modelito “sou tetra” de Max, com estrelinhas em profusão nas sapatilhas e no capacete.
Por fim, notícia que vem da Mercedes: Mick Schumacher será dispensado da função de piloto reserva e vai ficar só na Alpine no WEC. Foram dois anos ao lado de Toto Wolff nos boxes, aparecendo na TV. Ninguém se interessou.
Seu lugar deverá ser ocupado por Bottas, que não tem emprego para o ano que vem.
