
SÃO PAULO (faz parte) – Com as palavras carinhosas de sempre, porque alguém pagou e outro alguém recebeu, Red Bull e Sergio Pérez anunciaram hoje o divórcio. O contrato do mexicano ia até o fim de 2026, mas sua péssima temporada de 2024 tornou a situação insustentável. Pérez foi o único piloto das quatro grandes que não ganhou corrida. Liderou uma única volta (em Monza), contra 560 de seu companheiro Max Verstappen. Fez 152 pontos, diante de 437 do holandês. Subiu ao pódio apenas quatro vezes; Max, 14.
Pérez chegou à Red Bull em 2021 depois de um período frenético de troca de pilotos da equipe austríaca. Quarto colocado em 2020 pela Racing Point, estava credenciado para dar uma certa estabilidade ao time, para que as atenções pudessem ser dirigidas a Verstappen. E assim foi em 2021, 2022 e 2023. Foi quarto, terceiro e segundo colocado no Mundial de Pilotos nos três primeiros anos. Ganhou cinco corridas e fez três poles. Subiu ao pódio 25 vezes. Estava de bom tamanho.
Mas neste ano foi um fracasso. Terminou o Mundial em oitavo. Levou para casa apenas quatro taças, a última delas em abril na China. Foi um bom companheiro enquanto Verstappen brilhava, sem grandes confusões e com algumas atuações interessantes. Suas cinco vitórias pelo time aconteceram em circuitos de rua. Ganhou até uma tímida alcunha de rei das pistas urbanas, mas a verdade é que nunca fez sombra para o parceiro. E nesta temporada pode-se dizer que a Red Bull deixou de lutar pelo título de construtores por causa de sua ineficácia. Virou equipe de um carro só.
Se continuasse como estava até 2023, Checo ficaria. Mas 2024 foi abaixo da crítica. Várias vezes ficou no Q1, envolveu-se em muitos acidentes, foi o piloto que mais prejuízo causou a uma equipe no ano, com despesas de mais de US$ 5 milhões para consertar seu carro batido em pelo menos cinco pancadas consideráveis.
Pérez leva com ele seus patrocinadores mexicanos. Custava pouco ou quase nada para a Red Bull, já que seus salários vinham desses apoiadores. Não se sabe qual será seu futuro. Creio que para de correr. Mas pode ser que abra negociações com a futura Cadillac. Na Red Bull, o substituto será Liam Lawson, salvo alguma grande surpresa. Na filial Racing Bulls, é provável que Isack Hadjar seja promovido. Eu já disse: tentaria Colapinto. Mas a gente sabe como são as coisas nas hostes de Horner & Marko.
Dizer que a F-1 vai sentir saudades de Pérez seria um exagero. Mas ranqueá-lo como uma porcaria de piloto, também. Ele foi, neste ano. Mas quem fica 14 anos na F-1 não pode ser considerado ruim. Tem um currículo respeitável de 281 GPs, seis vitórias, 39 pódios, três poles e 12 voltas mais rápidas. Sua maior vitória foi a do GP do Sakhir em 2020 com a Racing Point, ex-Force India, depois de cair para a última colocação no início da prova. Uma façanha e tanto. Foram dois anos na Sauber (2011 e 2012), um na McLaren (2013) e sete na Force India (Racing Point a partir de 2019) antes de desembarcar na turma dos energéticos.
Eu diria que cumpriu sua missão. Se permanecer, numa possível transação com a Cadillac para 2026, vai virar um morto-vivo como Ricciardo, Bottas, Magnussen e tantos outros. O tempo passa para todo mundo. Pérez faz 35 anos em janeiro. Pode muito bem buscar outros caminhos se quiser continuar correndo.
Ou, então, que vá para casa curtir a família.