
SÃO PAULO (chuva no deserto?) – Sim, choveu no deserto. No segundo dia da pré-temporada da F-1 no Bahrein, choveu na metade da sessão matinal. Sim, no deserto. E tem gente que acha que o planeta está normalzinho da silva.
Bom, a chuva no deserto tem alguma relevância, assim como os 15°C registrados na região do autódromo, porque deu uma atrapalhada nos treinos. Quem se deu bem foi Kimi Antonelli, que não participou da primeira sessão porque tinha aula de natação. A mãe dele, que é muito brava, não deixou o menino faltar. Mas ficou louca da vida porque ele, de novo, esqueceu a touca no vestiário.
Com a pista molhada por um tempinho, quem estava escalado para a primeira parte dos treinos acabou andando menos que os colegas que foram para a pista de tarde. Um desses foi Lewis Hamilton. Que registrou, de manhã, 1min29s379, o melhor tempo do período. Completou 45 voltas. Seu parceiro na Merce…, digo, na Ferrari, Chaleclé, deu 84 no período vespertino/noturno. Pelo menos, enquanto ficou parado nos boxes, o inglês tinha com quem conversar, sua faz-tudo Angela Cullen.
Foram 18 os pilotos hoje na pista. Dois tiraram folga: Max Verstappen, da Red Bull, e Alexander Albon, da Williams. Quem treinou pelo time dos energéticos, o dia todo, foi Liam Lawson. Na Williams, Carlos Sainz. Que aproveitou bem a disponibilidade do automóvel e acabou com o melhor tempo do dia.
A equipe inglesa já está colhendo os frutos de ter um adulto como Sainz num de seus carros. O espanhol virou 1min29s348 na melhor de suas 126 (!) voltas. Entregou a viatura limpa e sem riscos. Disparado, nesta quinta-feira, foi quem ficou com a bunda mais quadrada de tanto sentar naqueles bancos duros da F-1. Lawson fechou 91 voltas e também rodou bastante. Os tempos estão aí embaixo, junto com as velocidades máximas registradas no dia e os pilotos que dominaram os três setores da pista barenita.
Uma curiosidade em relação a Lando Norris, o mais rápido de ontem: ele tem o segundo melhor setor e no fim do dia estava baixando o tempo de Sainz, até recolher para os boxes. Provavelmente ficaria com a melhor volta do dia, e a McLaren tem mostrado um carro muito equilibrado nesses dois dias de testes. Aliás, é o que dizem por lá: McLaren equilibrada, Ferrari agradável de dirigir, Mercedes mais ou menos igual ao ano passado e Red Bull à espera de Max.
A Williams, depois de 16 horas de atividades motorizadas, desponta como uma possível “melhor das outras”, a saber: tirando as quatro grandes, mencionadas no final do parágrafo acima, estaria um pouco melhor que as demais. Esse pelotão intermediário vai ser bem apertado, como no ano passado. Williams, Alpine, Aston Martin e É Senha ou Aproxima? vão brigar pelas migalhas que sobrarem. Na rabeira, Haas e Sauber se encarregarão de levar a lanterna. Dessas duas, quem conseguir um pontinho milagroso a cada três meses pode dar uma festa.
Amanhã termina a pré-temporada e a segunda sessão, das 9h às 13h pelo horário de Brasília (das 15h às 19h pelo horário local), será a mais interessante. É quando teoricamente todo mundo vai tirar gasolina do tanque e espetar pneus macios para aferir seu desempenho real, sem muitos testes aerodinâmicos ou coisa que o valha. É a hora de saber quanto cada um anda de verdade, em resumo. Minha maior curiosidade é ver esse carro “que faz o que eu quero que ele faça” de Verstappen. E, também, Hamilton na segunda sessão (até agora ele só andou no primeiro período), quando a pista, em tese, está mais rápida.
Aí sim a gente vai poder dizer alguma coisa mais concreta sobre 2025.