Blog do Flavio Gomes
F-1

PREZINHO (3)

SÃO PAULO (falta muito?) – O olhar de Max Verstappen mete medo, não? Principalmente na turma da Red Bull, que deixou o holandês mais de uma hora parado nos boxes hoje na segunda sessão de treinos do último dia da pré-temporada da F-1 no Bahrein. Max estava escalado para andar o dia todo, e fê-lo. […]

Verstappen: problemas no último dia

SÃO PAULO (falta muito?) – O olhar de Max Verstappen mete medo, não? Principalmente na turma da Red Bull, que deixou o holandês mais de uma hora parado nos boxes hoje na segunda sessão de treinos do último dia da pré-temporada da F-1 no Bahrein. Max estava escalado para andar o dia todo, e fê-lo. Mas o que me pareceu ser um vazamento de água acabou tirando um pouco do tempo de pista do holandês.

No fim das contas, ele terminou o dia em segundo, 0s021 atrás de George Russell, o mais rápido da sexta-feira com 1min29s545. O melhor tempo dos três dias foi de Carlos Sainz, da Williams, ontem: 1min29s348.

Isso significa que Sainz vai ser o campeão mundial?

Não chegaria a tanto, mas ver seu companheiro Alexander Albon em terceiro hoje reforça a percepção de que o time azul deve abrir a turma do pelotão intermediário no começo da temporada, depois das quatro grandes — acho que todos sabem quem são, mas vá lá: Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull em ordem alfabética, para não ferir suscetibilidades.

Tem gente que está sentindo falta de informações sobre Gabriel Bortoleto. Afinal, é o primeiro brasileiro na F-1 desde 2017 etc. Bem, ele mesmo não tem muito o que dizer, e não sou em quem diz isso, é ele. A Sauber é uma equipe em fase de transição para Audi e neste ano nada vai acontecer. Se conseguir ficar perto da Haas e de outras duas que terminaram mal o ano — e parece que estão começando mal de novo –, Aston Martin e No Débito Tem Desconto, está bom.

Mas não tem milagre na F-1. Faltava um monte de coisa no carro da Sauber de 2024, vai continuar faltando em 2025. Tanto que até os integrantes do time, do chefe ao motorista do caminhão, dos pilotos ao cozinheiro, evitam juntar quatro letras que serão ditas às expensas no ano que vem: A, U, D e I. A Audi, dona da equipe, não quer ver seu santo nome ligado à falta de desempenho do carro que leva as cores do América Mineiro. Em 2026 tudo será diferente. Não adianta ficar olhando para os tempos e as voltas de Bortoleto tentando achar coisas positivas e extraordinárias. Simplesmente não haverá. E ele não tem nada com isso.

O que é bom, até. Gabriel não será pressionado internamente por resultados porque todos sabem que o momento da Sauber é muito particular. Nem seu companheiro, Nico Hülkenberg. A preocupação do brasileiro tem de ser preservar o equipamento que tem na mão — em português bem claro, não bater — e tentar andar perto do veterano alemão. É isso que será observado pela equipe e seus integrantes. Não o que escreverão seus fãs e produtores de conteúdo no Instagram. Ontem, por exemplo, já mandaram em vários perfis das redes sociais coisas como “Borto tá metendo tempo no Hulk! Tá acontecendo!”. Fãs são muito bobocas, fãs de qualquer um. Piores ainda quando vestem a capa patriota. Nada mais tosco.

Gasly: consistente com a Alpine

Vamos contar agora como foi esse terceiro dia de testes. De manhã (estou chamando de “manhã” a sessão que aconteceu, pelo horário local, das 10h às 14h, entrando no período da tarde; é para facilitar o entendimento) aconteceram algumas coisas esquisitas. Primeiro, fez sol com frio — só 18°C. Mas foi melhor que ontem, que teve até chuva no deserto.

Depois, Oliver Bearman perdeu um pedaço de seu carro, deixando as entranhas da Haas expostas na lateral. Bortoleto teve um problema hidráulico e acabou andando menos do que queria. Teve vento e areia na pista, que estava mais lenta que no dia anterior. Uma bandeira vermelha interrompeu a sessão porque estourou o vidro da cabine de largada e tiveram de recolher os cacos. Verstappen mandou o dedo do meio para alguém na mureta.

E na Mercedes Andrew Shovlin, o engenheiro que comanda a equipe técnica na pista, viu um moleque com uniforme do time nos boxes e perguntou, irritado, quem era o pai daquele menino. O menino era Kimi Antonelli, que ficou chateado (a sequência de fotos não me deixa mentir) e telefonou para a mãe, que é muito brava e não acreditou na história que o filho contou, que estava andando de carro de corrida (“Você tinha dentista hoje, esqueceu?”, deu a bronca). Aí Kimi pediu para Russell tirar uma foto e mandar para a mãe para provar que estava dizendo a verdade, e foi o que George fez, mas reclamou com Toto Wolff no fim do dia que não é pago para ser babá de ninguém. Aí o chefe da Mercedes pegou a mochilinha de Antonelli, chamou o menino e disse “vamos embora que vai começar o Castelo Rá-Tim-Bum”, e deixou todos falando sozinhos.

Quem não impressionou muito foi Lewis Hamilton, que fechou o dia na sexta posição. Mas só andou de tarde/noite, quando a pista estava um pouco melhor. Por isso ficou à frente de seu companheiro Geor…, digo, Chaleclé, o mais rápido de todos na parte da manhã.

Com 458 voltas no total, a Mercedes foi a equipe que mais andou, no balanço dos três dias. Depois vieram Haas (457), Aproxima? (454), Alpine (405), Williams (395), Ferrari (381), McLaren (381), Sauber (354), Aston Martin (306) e Red Bull (304). Entre os pilotos, Esteban Ocon foi quem mais trabalhou, com 260 voltas, e Liam Lawson o que menos andou, com 149.

A impressão geral, encerrada a pré-temporada, é que a McLaren começa o ano na frente. Foi consistente nas simulações de corrida e não se esforçou muito para impressionar ninguém no cronômetro. Escondeu o jogo, em outras palavras.

Agora todos voltam para casa e se encontram nos simuladores das fábricas para os últimos ajustes, durante o carnaval. No fim da outra semana, embarcam para a Austrália, onde finalmente começa o Mundial, no dia 16 de março, em Melbourne.

E como bom blogueirinho, pergunto: pra você, quem vai ser o campeão?