Blog do Flavio Gomes
F-1

FAST FOOD

SÃO PAULO (sem pena) – O troca-troca está feito. Liam Lawson volta para a Débito ou Crédito, Yuki Tsunoda vai para a Red Bull. Como escrevi domingo, um exagero. Apenas duas corridas para fritar o neozelandês, ainda que ele mereça — porque se enfiou num buraco e é metido demais; está pagando pelo dedo do […]

SÃO PAULO (sem pena) – O troca-troca está feito. Liam Lawson volta para a Débito ou Crédito, Yuki Tsunoda vai para a Red Bull. Como escrevi domingo, um exagero. Apenas duas corridas para fritar o neozelandês, ainda que ele mereça — porque se enfiou num buraco e é metido demais; está pagando pelo dedo do meio que mandou a Pérez no México (NO MÉXICO!) ano passado.

Opiniões pessoais à parte, detonar um cara depois de duas corridas é um pouco demais até para os padrões da Red Bull. Nos últimos dez anos, a fritura de rubrotaurinos (vou adotar sem hífen) foi um pouco mais longa, em fogo brando: Pierre Gasly foi chutado após 12 GPs, Daniil Kvyat levou 21, Alexander Albon aguentou 26.

De qualquer maneira, está feito. E talvez seja melhor mesmo para Lawson, que sem a pressão da Red Bull e sem ter de lidar com um carro difícil de pilotar — “extremo”, é como definem muitos — pode conseguir resultados interessantes na filial. O carrinho branco é bom, inclusive. Mas é sempre uma porrada, o rebaixamento. Corre o risco de entrar em depressão. Se Lawson superar mentalmente o baque, termina o ano sorrindo. Mas pelo perfil do cara, sei não…

Tsunoda, agora. Foi incorporado à creche da Red Bull no fim de 2018, depois de conquistar a F-4 Japonesa com sete vitórias e, sei lá, 300 pódios. Seguiu para a Europa e em 2019 e terminou em nono na F-3, com uma vitória em Monza (Lawson, curiosamente, ficou em segundo naquela corrida). Em 2020, subiu para a F-2, foi terceiro colocado e ganhou três corridas. Com apoio da Honda, ascendeu à F-1 em 2021 como companheiro de Gasly na AlphaTauri.

Estreou bem, com um nono lugar no Bahrein. Fechou o campeonato com 32 pontos em 14º. Depois foi 17º em 2022 (12 pontos), 14º em 2023 (17) e no ano passado acabou em 12º (30), já com o time rebatizado.

Yuki tem só 24 anos e não é bobo, não. Amadureceu bastante desde a primeira temporada e se tornou mais do que um baixinho engraçado. Como vai lidar com o RB21 é a pergunta. Max Verstappen gosta de carros, de novo, “extremos”. No seu caso, frente presa e traseira solta. Não é fácil guiar assim, mas não é impossível. E nada impede que um piloto, no segundo carro do time, atenue essa tendência. Não é inguiável. Sergio Pérez fez bons campeonatos como companheiro de Verstappen. Não estamos falando de um disco-voador.

Yuki estreia na Red Bull em Suzuka, na frente de sua torcida. Vai ser interessante, muito interessante. Quanto a Lawson, que baixe o topete. Às vezes é bom.

Dezoito pilotos japoneses já disputaram GPs de F-1. O mais bem sucedido é Kamui Kobayashi, que correu entre 2009 (quando estreou pela Toyota e fez as três últimas provas do ano) e 2014. Passou a maior parte da carreira na Sauber, de 2010 a 2012, quando conquistou seu único pódio — em Suzuka/2012, com uma terceira colocação. Sem grana, ficou fora da temporada seguinte e voltou em 2014 pela fraca Caterham. Depois foi cuidar da vida fora da F-1, especialmente no WEC com a Toyota. Kobayashi marcou 125 pontos na categoria e disputou 75 GPs. Menos que os 89 de Tsunoda, que acumula 94 pontos, mas nenhum pódio. O japonês com mais participações foi Ukyo Katayama, que largou em 94 corridas entre 1992 e 1997 pela Larrousse, Tyrrell e Minardi. O pódio de Kobayashi não é o único do Japão. Takuma Sato foi terceiro nos EUA em 2004, pela BAR, e Aguri Suzuki conseguiu outro terceiro em Suzuka/1990, com a Larrousse. Naquela corrida, a dobradinha foi brasileira com Nelson Piquet e Roberto Moreno, da Benetton.