Blog do Flavio Gomes
F-1

SOBRE ONTEM À TARDE

A IMAGEM DA CORRIDA SÃO PAULO (sem emoção) – Foram muitas as fotos de Oscar Piastri, hum, comemorando a vitória no GP do Bahrein. Chama a atenção como esse rapaz recebe com naturalidade qualquer resultado numa corrida. Não demonstra emoções e trata a vitória como regra, não exceção. Pode não agradar todo mundo, mas ele […]

A IMAGEM DA CORRIDA

O animado Piastri: vitória é regra, não exceção

SÃO PAULO (sem emoção) – Foram muitas as fotos de Oscar Piastri, hum, comemorando a vitória no GP do Bahrein. Chama a atenção como esse rapaz recebe com naturalidade qualquer resultado numa corrida. Não demonstra emoções e trata a vitória como regra, não exceção.

Pode não agradar todo mundo, mas ele não é o primeiro. O mais célebre a cultivar tal estilo talvez seja Kimi Raikkonen, apelidado de “Homem de Gelo”. Lembro quando ganhou o título em Interlagos, em 2007. Saiu do cockpit, subiu no carro e antes de erguer o punho, socar o ar, gritar qualquer coisa, o que fez? Abaixou a joelheira.

Piastri é desses.

Norris (esq.): quatro pódios em quatro corridas

Lando Norris, por sua vez, chegou em terceiro e conseguiu seu quarto pódio em quatro corridas — antes fora primeiro na Austrália e segundo na China e no Japão. É o primeiro piloto da McLaren a levar quatro taças para casa nas quatro primeiras etapas de um campeonato desde Lewis Hamilton em 2007. Mesmo assim, saiu chateado do Bahrein. “Cometi muitos erros”, resumiu.

Erros também podem ser atribuídos à Ferrari, que estabeleceu para Charles Leclerc e Hamilton uma estratégia diferente, de largar com pneus médios — 15 dos 20 que estavam no grid partiram com macios. No fim, mais uma corrida sem pódio. A última vez que o time italiano passou em branco nas quatro primeiras etapas de um Mundial, sem uma tacinha, foi em 2021.

Mas a equipe atribuiu o resultado apenas discreto ao azar. A entrada do safety-car na volta 32 inviabilizou o pulo do gato que seus estrategistas imaginaram para o fim da prova. Paciência. De qualquer maneira, a Ferrari saiu de Sakhir com 22 pontos, menos apenas que a McLaren, que marcou 40. O time papaia venceu pela primeira vez no Bahrein.

Falando em pontos, reforce-se que a Alpine marcou pela primeira vez no ano com o sétimo lugar de Pierre Gasly, e que a Haas ultrapassou a Williams com o oitavo de Esteban Ocon e o décimo de Oliver Bearman. O time americano tem sido a grande surpresa do campeonato, com pontos em três das quatro corridas, depois de um mau início na Austrália.

E no Bahrein o resultado teve ares de heroísmo. No sábado, Ocon arrebentou o carro na classificação. A equipe conseguiu reconstruí-lo sem que precisasse largar dos boxes. Estava em 14º no grid. Já Bearman foi muito mal na classificação e ficou em último. Mesmo assim, terminou nos pontos resistindo aos ataques de uma Mercedes, de Kimi Antonelli, por mais de dez voltas no fim.

As estratégias foram diferentes para cada piloto. Ocon largou de macios, ganhou duas posições na primeira volta, parou logo na oitava, colocou médios e foi trocar de novo para duros na volta 27. Nem aproveitou o safety-car. Já Bearman partiu também de macios, pulou de 20º para 14º na primeira volta, colocou duros na 14ª e voltou aos macios na 32ª, quando o safety-car foi acionado.

Uma volta por cima e tanto do time comandado pelo discreto Ayao Komatsu.

A FRASE DE SAKHIR

“Não tivemos medo de nada.”

Ayao Komatsu, chefe da Haas
Pit stop de Ollie: coragem para ousar com estratégias diferentes

Houve punições depois do GP do Bahrein, não registradas ontem no relato da corrida. A primeira a Nico Hülkenberg, que perdeu o 13º lugar porque a prancha sob o assoalho de seu carro teve desgaste maior que o permitido. Algo semelhante ao que resultou na eliminação de Hamilton do GP da China. Não muda o preço do dólar, porque o alemão da Sauber ficou fora dos pontos, de qualquer maneira.

Já Carlos Sainz foi considerado culpado por jogar Antonelli para fora da pista e perderia três posições no grid da Arábia Saudita. Perderia, mas não perdeu. A Williams pediu para que a decisão dos comissários fosse revista, isso foi feito e a direção de prova voltou atrás depois de poucos minutos.

O NÚMERO DO BAHREIN

141

…dias se passaram desde a última vez que a Red Bull tinha pontuado com seus dois pilotos em um GP. Foi em Las Vegas em 23 de novembro do ano passado. Lá Max Verstappen ficou em quinto e Sergio Pérez foi o décimo. Depois daquela prova vieram os GPs do Catar e Abu Dhabi, onde Max ficou, respectivamente, em primeiro e sexto. O mexicano zerou. Neste ano, o holandês foi segundo na Austrália, quarto na China, primeiro no Japão e sexto no Bahrein. Liam Lawson zerou nas duas primeiras e o mesmo aconteceu com Yuki Tsunoda em Suzuka. Ontem, finalmente, um companheiro de Verstappen marcou pontos. O japonês terminou a prova em nono.

Tsunoda: pontos em sua segunda prova pela Red Bull

E a coisa anda esquisita na Red Bull. Ontem, depois da corrida, o agente de Verstappen, Raymond Vermeulen, foi flagrado por jornalistas ingleses e holandeses aos berros com Helmut Marko. Depois, à imprensa alemã, o guru da equipe admitiu que para segurar Max no time será preciso entregar a ele, antes de mais nada, um carro capaz de ganhar corridas. E o diagnóstico interno é de que o RB21 não está nesse patamar — apesar da vitória em Suzuka. Depois, convencê-lo de que o projeto de 2026 pode ser vitorioso.

Verstappen falou a jornalistas de seu país que o que tem nas mãos neste ano é suficiente apenas para disputar o campeonato. Vencer, não.

Toto Wolff adorou. O chefe da Mercedes sonha em tirar Max da Red Bull. O contrato de George Russell termina no final deste ano — embora seu desempenho nas primeiras corridas do ano tenha acelerado o processo de renovação. O de Verstappen, apenas em 2028. Mas ele tem cláusulas de performance que permitem uma rescisão a qualquer momento. Aston Martin, com Honda e Newey? Pode ser, também.

Essa novela vai longe.

GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS

GOSTAMOS… de ver como Russell lidou com as inúmeras dificuldades que teve na corrida para terminar em segundo e levantar seu terceiro troféu no ano — foi terceiro na Austrália e na China. O maior problema foi no sistema de freios nas últimas 12 voltas. Entrou em pane eletrônica e a cada freada o rapaz tinha de adivinhar se precisava pisar mais forte ou não no pedal. Ainda teve um problema no DRS. Uma hora apertou o botão do rádio e a asa móvel abriu. Tirou o pé do acelerador para fechar na hora — os comissários entenderam que não levou vantagem esportiva quando isso aconteceu. Se segurou assim, cheio de perrengues, na frente de um Norris que vinha babando nas últimas voltas. Nem por isso foi tratado como herói nas redes sociais — sim, o recado é para os patriotas que acharam que Gabriel Bortoleto tinha de ser recebido pelo presidente da República depois dos problemas de freio que teve na Austrália. E saiu sorrindo do carro, feliz com o que conseguiu. Principalmente por ter dado 24 voltas de pneus macios após a segunda parada sem detonar a borracha.

NÃO GOSTAMOS… da eleição de Hamilton como “Piloto do Dia”. O amigo internauta tinha Gasly, Ocon e Bearman se quisesse premiar aqueles que surpreenderam chegando nos pontos. Ou até Russell, pelos problemas ao longo da prova. No limite, o impecável Piastri. OK, Lewis largou em nono e chegou em quinto. Mas também não foi assim uma Brastemp.