
Rubens Barrichello não ganhava uma corrida em Interlagos desde 16 de dezembro de 1990. Sim, isso mesmo: quase 35 anos atrás. Foi na F-3 Sul-americana/Brasileira, prova avulsa (não disputou o campeonato), antes de voltar à Europa para correr na F-3 Inglesa. Não ganhou na F-1 nem na Stock, embora tenha conquistado um título da categoria em 2022 na pista paulistana, que fica no bairro onde cresceu. Mas vitória, não. Até ontem, na terceira rodada da NASCAR Brasil. Venceu com Thiago Camilo em segundo, resultado que se repetiu hoje na segunda prova do fim de semana. Até que enfim. Ele merece.
A vitória de Barrichello na F-3 em 1990 foi conturbada e acabou nos tribunais. Na pista, ele passou Oswaldo Negri Jr. na linha de chegada, num final emocionante. Antes, na primeira volta, teria passado o mesmo Negri sob bandeira amarela, e foi desclassificado por causa disso. A equipe recorreu. Negri Jr. também foi desclassificado por causa de uma briga de socos nos boxes envolvendo membros de seu time. Leonel Friedrich foi declarado vencedor no dia, com Pedro Paulo Diniz em segundo. A confusão deu o título das duas competições a Christian Fittipaldi — muitas etapas valiam pelo campeonato nacional e continental ao mesmo tempo. Naquele fim de semana, Interlagos teve F-3, Stock e Marcas. E quem foi ao autódromo ver tudo de perto foi Ayrton Senna, menos de dois meses depois de conquistar seu segundo título mundial na F-1. Barrichello tinha sido campeão europeu de F-Opel naquele ano e veio ao Brasil disputar essa corrida, diziam na época, só para ajudar Fittipaldi.