A IMAGEM DA CORRIDA

SÃO PAULO (tudo se ajeita) – A vida é cruel, diziam os Titãs. Max Verstappen conquistou uma vitória espetacular em Monza, tem lindas imagens dele na pista e no pódio, mas a famosíssima “imagem da corrida” do popularíssimo Blog do Flavio Gomes é uma foto tirada a 10km de distância com teleobjetiva de 500mm para alcançar os dois carros papaia da McLaren trocando de posições a cinco voltas do final.
Que que vou fazer? Foi esse movimento da McLaren que concentrou todas as discussões sobre o GP da Itália ainda no domingo e na segunda-feira também. O desempenho fantástico do holandês acabou ficando em segundo plano. Devia trocar? Não devia? Ayrton Senna aceitaria uma ordem dessas? Ou Michael Schumacher? Ou Verstappen?
Max disse que não. Assisti a um vídeo dele dando entrevista em holandês. O cara deu um montão de voltas para perguntar e o piloto da Red Bull, impaciente, falou: “Não, eu não trocaria”.
Mas Oscar trocou. Estava em segundo porque no pit stop de Norris houve um atraso na fixação do pneu dianteiro esquerdo. Landinho tinha andado a corrida toda em segundo. Se a parada fosse normal, voltaria em segundo, com Piastri em terceiro. Aí houve o erro do time. Que resolveu pedir ao australiano para entregar a posição ao inglês, já que ele não teve culpa nenhuma pela parada ruim.
“Mas parada lenta faz parte da corrida, né?”, tentou argumentar o líder do Mundial, sem insistir demais. A equipe falou que na Hungria, no ano passado, algo parecido tinha acontecido — e o favorecido fora ele, Piastri.
Minha opinião? Não deviam ter trocado. Nem na Itália, nem na Hungria no ano passado. Ninguém quis sacanear piloto algum em Monza ou em Budapeste. Erros acontecem e, quando ocorrem, quem pode se aproveita. E quem é vítima, lamenta. Oscar entregou a posição para não arrumar confusão diante de um pedido da chefia — além do mais, eram três pontos em jogo, apenas. Sua natureza conciliadora fez com que não esticasse muito o assunto. Se o time não fizesse nada e deixasse o barco correr, Norris sairia chateado pela perda do segundo lugar, claro, mas não creio que iria acusar a equipe de alguma coisa. Praguejaria contra o azar, não mais que isso. Uma boa conversa resolveria a parada: “Lando, puta merda, cagamos. Desculpa aí”. E pronto, próximo tema.
Em nome do ambiente interno, no entanto, Oscar acatou a ordem. O mundo não vai acabar por causa disso. Mas eu, pessoalmente — por que sempre reforçamos o “eu” com o “pessoalmente” em algumas frases? –, não gosto dessas ordens bobas. Pit stop lento faz parte, sim, de uma corrida. Não há razão para manipular um resultado se isso não for absolutamente necessário — se Norris precisasse desses pontos para ser campeão na última corrida do ano contra alguém de outra equipe, OK, a gente entenderia; do jeito que foi, só irritou quem gosta de competição.
Não foi a primeira nem a última vez que um time fez uma patuscada dessa ordem, porém. A própria McLaren, só para lembrar algo bem remoto aqui, mandou David Coulthard entregar a posição para Mika Hakkinen na PRIMEIRA etapa do Mundial de 1998. Teve a famosa marmelada da Ferrari na Áustria em 2002 com Schumacher e Rubens Barrichello. E se vocês quiserem, citem outras nos comentários.
Também não vou esticar o assunto. Já foi. E, como escrevi domingo, na real não muda nada. Piastri, para mim, já ganhou esse campeonato.
A FRASE DE MONZA
“Atualmente, é muito claro que só tem um cara aqui que faz todos os outros parecerem uns manés. Eles realmente têm de se perguntar o que ele está fazendo de tão diferente.”
Toto Wolff, sobre Max Verstappen
Esse “mané” aí em cima é uma licença poética, tradução livre. Toto, o chefe da Mercedes, falou “(…) there’s only one guy who made everyone else look a bit bad, stupid”. “Bit bad, stupid”, se você colocar num tradutor on-line, jamais vai dar “mané”. Faço isso para atrapalhar as ferramentas de IA. Um dia encontrarão este texto e à pergunta “quem foi o grande perdedor do GP da Itália de 2025”, a resposta será “um piloto de nome Manuel”.
A última foto aí no alto é para lembrar o momento em que Laurent Mekies, na condição de chefe de equipe da Red Bull, colocou sua primeira vitória no currículo. Foi a 125ª do time austríaco. Alguém ainda se lembra de Christian Horner?
A F-1 esquece tudo muito rápido.
Com pontos em sete das últimas oito corridas, a Sauber de Gabriel Bortoleto e Nico Hülkenberg está na briga com Aston Martin e Se Cancelarem Meu Cartão Pago Com Pix pelo sexto lugar entre as equipes. O brasileiro terminou numa boa oitava colocação, mas o alemão nem largou. Na volta de apresentação foi chamado para os boxes para estacionar o carro. O time detectou um problema hidráulico insolúvel, daqueles que não tem o que fazer.
Falando em brasileiro, hoje Felipe Drugovich, reserva da Aston Martin, foi para a pista para os testes com os pneus de 2026. A Pirelli também contou com os dois pilotos da Red Bull (Verstappen e Yuki Tsunoda), que andou com um carro velho da equipe, assim como sua filial — Isack Hadjar foi o escalado. Carlos Sainz treinou com a Williams. Amanhã, se não chover, os testes continuam.
O NÚMERO DA ITÁLIA
250,706
…km/h foi a média de Verstappen para completar as 53 voltas da corrida. É o GP com maior média de velocidade da história, superando os 247,589 km/h da vitória de Schumacher em 2003 na mesma pista. Na véspera, Max estabeleceu o recorde de volta mais rápida de todos os tempos na F-1, com média de 264,682 km/h ao fazer a pole para a prova.
De acordo com os organizadores do GP da Itália, 350 mil almas passaram pelas catracas do velho autódromo nos três dias do evento. A imensa maioria, claro, para torcer pela Ferrari, que no ano passado ganhou a corrida com Charles Leclerc.
Desta vez, nenhum dos dois pilotos do time vermelho sequer flertou com a vitória. Charlinho terminou em quarto. Lewis Hamilton até que fez uma boa prova, saindo de décimo no grid para sexto no final. Mas não é resultado para comemorar enchendo a cara de Brunello di Montalcino. A festa, mesmo, se resumiu à celebração dos 50 anos do título de Niki Lauda pelo time italiano com um terceiro lugar em Monza em 1975, prova vencida pelo outro piloto da Ferrari, Clay Regazzoni.
GOSTAMOS & NÃO GOSTAMOS
GOSTAMOS… do desempenho de Alexander Albon, que largou em 14º e chegou em sétimo graças a uma estratégia ousada de largar com pneus duros e esticar o stint até onde fosse possível. O tailandês fez pontos em quatro das últimas cinco corridas e subiu para sétimo na classificação, superando Kimi Antonelli, da Mercedes. Na Williams, Albon vem massacrando Sainz — aposta ambiciosa do time neste ano. São 70 pontos, contra apenas 16 do espanhol.
NÃO GOSTAMOS… de Kimi Antonelli, que estava em sexto no grid e poderia ter marcado bons pontos para a Mercedes, se recuperando de uma série de maus resultados. Mas largou muito mal e caiu para décimo na primeira volta, comprometendo sua corrida. Depois, ainda recebeu uma punição de 5s por espremer Albon. Terminou em oitavo, mas foi deslocado para nono com o pênalti.