FORTALEZA (calada noite preta) – Lando Norris fez sua terceira pole consecutiva na temporada, sétima neste ano, e segue dando as cartas (ui) na reta final do Mundial de F-1. Ele larga na frente no GP de Las Vegas, antepenúltima etapa do campeonato. Pode até não ser o favorito na madrugada do domingo (largada para 50 voltas à 1h pelo horário de Ceilândia), mas deve chegar à frente de seu companheiro de McLaren, Oscar Piastri, quinto no grid — o que basta em sua jornada rumo ao título. Já está 24 pontos à frente do australiano. Qualquer pontinho que fizer a mais do que o adversário caseiro tampa de vez o caixão.
Considerando o histórico da McLaren em Las Vegas e as boas performances recentes da Red Bull com Max Verstappen, é lícito dizer que o holandês é o maior candidato à vitória nessa corrida. Ele também tem chances matemáticas de ser campeão, mas são remotíssimas. Está 49 pontos atrás de Norris na tabela e há apenas 83 pontos em jogo até o GP de Abu Dhabi, prova que fecha a competição. Max precisa, por etapa, tirar 17 pontos do rival. Grosso modo, depende de abandonos/quebras/acidentes/hecatombes do inglês em duas dessas três corridas. Não têm sido muito frequentes para o piloto papaia, tais infortúnios. Lando só zerou em duas das 21 provas disputadas neste ano. Piastri, numa só. Aliás, abandonos/quebras/acidentes/hecatombes não têm sido frequentes para ninguém que anda na ponta, ultimamente.
A 16ª pole da carreira de Norris foi anotada de noite, com chuva e 11°C de temperatura. Numa pista de rua sem graça, ondulada e com uma reta gigantesca onde se chega a 350 km/h.
Não era o melhor dos cenários, pois, o que se via na abertura dos boxes quando começou a classificação. O asfalto, um sabão. Alguns carros foram à luta com pneus para chuva forte. Outros, com intermediários. Fernando Alonso e Lance Stroll foram os primeiros a marcar tempos, com os pneus “wet”: 2min03s249 para o espanhol, cerca de meio minuto mais lento do que vinham virando no seco.
Estava muito molhado. Então, os que tinham “inters” voltaram para os boxes e colocaram os pneus de faixa azul, mais apropriados para dilúvios. Com os de faixa verde, não conseguiam parar na pista sem rodar.
Oliver Bearman foi o primeiro a baixar de 2min no Q1. Na medida em que os carros percorriam os mais de 6 km do circuito montado na cafonérrima cidade americana, a água ia se espalhando, já que a chuva diminuíra de intensidade. Formava-se o que nós, no automobilismo, chamamos de “trilho”. Não sei se vocês já ouviram esse termo.
Pilotos que não costumam frequentar a primeira posição em treinos ou classificações apareceram lá na frente em algum momento da primeira parte da classificação. Alonso, Carlos Sainz, Stroll e Esteban Ocon foram alguns deles. A única batida naquela situação crítica foi de Alexander Albon, que no finalzinho do Q1 tocou no muro. Estava perto da entrada do box e conseguiu levar o carro para a garagem. Foi quem abriu a fila dos eliminados, que teve ainda Kimi Antonelli, Gabriel Bortoleto, Yuki Tsunoda e Lewis Hamilton. Mercedes, Red Bull e Ferrari degoladas. O brasileiro também, frente a um ótimo sétimo lugar de seu companheiro Nico Hülkenberg no Q1. “Não consegui extrair tudo do carro”, admitiu Gabriel à repórter Mariana Becker, da TV Bandeirantes. Na primeira posição, George Russell, com 1min53s144 – um tempo cerca de 20s pior do que no seco.
Hamilton em último. É isso mesmo que vocês viram aí em cima. Sem bater, sem quebrar, sem ter volta anulada, sem punição, sem nada. Último mesmo. O pior dos 20 pilotos que foram para a pista hoje em Las Vegas.
(Até quando a Ferrari vai tolerar os vexames de Hamilton? Até quando Hamilton vai suportar o inferno que tem sido sua primeira temporada na Ferrari?)
Ninguém arriscou intermediários na abertura do Q2. A chuva tinha parado, mas a pista seguia molhada e escorregadia — mais escorregadia do que molhada. Quando faltavam 5min para o fim, Stroll tentou os “inters”. Naquele momento, estava fora da zona de classificação para o Q3. Não funcionou. Hülkenberg, Stroll, Ocon, Bearman e Franco Colapinto ficaram no Q2. E, de novo, Russell terminou o segmento como o mais rápido: 1min50s935 foi o tempo dele.
Avançaram as duplas de McLaren e Usa o QR Code que Passa. Junto com eles, foram para o Q3, avulsos, pilotos de Ferrari, Williams, Aston Martin, Red Bull, Alpine e Mercedes. Oito equipes diferentes, pois. Fora da festa, apenas Haas e Sauber.
Na fase decisiva da classificação, os intermediários foram os escolhidos pelos dez que partiram para a disputa da pole. As condições da pista já eram um pouco melhores e dava para usar os de faixa verde. Difícil era conseguir colocar temperatura nesses pneus, com o asfalto gelado – 12°C na pista, a mais baixa do ano.
Os primeiros tempos com “inters” ficaram acima dos anotados com os “wets” pouco antes. Mas depois foram caindo. Sainz logo virou em 1min50s880, marca melhor que a primeira colocação de Russell no Q2. Norris e Piastri, na sequência, entraram na casa de 1min49s.
A pista seguia melhorando, e como era possível fazer várias voltas sem trocar pneus, os tempos continuaram despencando até os instantes finais do Q3. Sainz e Verstappen chegaram a ficar com a pole provisoriamente assim que receberam a quadriculada. Mas Norris estragou os prazeres de ambos com uma volta em 1min47s934, ficando com a posição de honra na terra dos cassinos. Verstappen, 0s323 atrás, larga ao lado dele na primeira fila. Depois vieram Sainz, Russell, Piastri, Liam Lawson, Alonso, Isack Hadjar, Charles Leclerc e Pierre Gasly.
A previsão para a corrida é de tempo seco. Lando talvez tenha alguma dificuldade para se manter em primeiro nessas condições. O circuito da jogatina não é o melhor do mundo para a McLaren, normalmente. Por isso, Verstappen é uma aposta (ui) mais segura para quem quer jogar alguns cobres nessa corrida. Ele e Russell. O que parece uma certeza é a decadência definitiva de Piastri nesta temporada. O australiano apagou.
