CAPITAL PAULISTA (frio, aqui) – Bastidores. Essa é a palavra mágica usada por veículos de comunicação e, claro, influencers e produtores de conteúdo para descreverem o que farão nos eventos dos quais participarão. Os dicionários trazem várias definições bastante óbvias para tão batido substantivo, mas gosto particularmente dessa aqui, que traz o sentido figurado da […]
Flavio Gomes
“Esperando a chuva”: foto será inscrita em concursos internacionais
CAPITAL PAULISTA (frio, aqui) – Bastidores. Essa é a palavra mágica usada por veículos de comunicação e, claro, influencers e produtores de conteúdo para descreverem o que farão nos eventos dos quais participarão. Os dicionários trazem várias definições bastante óbvias para tão batido substantivo, mas gosto particularmente dessa aqui, que traz o sentido figurado da palavra:
“Ambiente fora do alcance público, em que resoluções são tomadas e ações são empreendidas.”
Quem ainda não ouviu a expressão “os bastidores do poder”? Fico imaginando gabinetes fechados onde são feitas tenebrosas transações como, sei lá, “só votamos a isenção de impostos para quem ganha até cinco mil se aprovarem a anistia para o degenerado”.
Mas “bastidores” podem ser bem mais que isso. E hoje tirei o dia para mostrar a vocês os bastidores da F-1 em Interlagos. Sou um fotógrafo de rara sensibilidade, como já devem ter notado. Meu olhar enxerga o que os outros não veem. Carros, pilotos? Nada, só fiz uma foto do Alonso, mas o contexto é outro — mostrar os jornalistas entrevistando o sujeito. O resto é arte pura.
Sem mais delongas, como se dizia antigamente, vamos às imagens que você nunca verá na TV ou em lugar algum. Para vê-las em tamanho maior, clique nas ditas cujas que elas explodem em sua tela. Podem fazer pôsteres, se quiserem.
O TEMPO E O VENTO
À esquerda, o relógio oficial do evento. É um TAG Heuer gigantesco instalado num painel no final do pit-lane. A marca pertence à LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy), que paga à F-1 150 milhões de trumps por ano para ser a cronometrista oficial da categoria. O contrato, assinado no começo desta temporada, é de dez anos. Até o ano passado, o relógio oficial da F-1 era Rolex. Na foto da direita, o vento bate nas árvores que encobrem a antiga Curva do Sol, mas como foto não é vídeo, não dá para ver.
LUZ NO FIM DO TÚNEL
Coloquem no Google: “Mão com Esfera Refletora” de M.C. Escher, A referência à litografia do artista holandês, impressa em 1935, é óbvia na primeira foto da esquerda. Uma imagem com muitas camadas. Faz refletir sobre a esfericidade da Terra e do universo. E sobre o bom uso de polidores de metal. Na segunda foto, a pergunta: o que há depois daquela luz? Faz refletir sobre a eternidade. E sobre esse monte de fios e cabos suspensos sobre nossas cabeças. Na terceira, questiono: o que é que esse moço está fazendo com o microfone tão longe do entrevistado? Faz refletir sobre o momento atual do planeta: muita gente falando, ninguém ouvindo. E sobre o emprego do homem do microfone.
O TREM AZUL
Neste púlpito, protegido das intempéries, alguém vai começar e outro alguém vai acabar a corrida de domingo. O relógio do meio reforça o conceito: tudo tem hora para começar e para acabar. A terceira foto está aí só porque a placa é azul, mesmo, pra combinar com as outras.
OPERÁRIOS-PADRÃO
O primeiro se dependura na escada sem capacete ou equipamentos de segurança, o segundo organiza os pneus. Sem eles, uma corrida de Fórmula 1 simplesmente não aconteceria. Todos são CLT.
ERGUE E DESTRÓI COISA BELAS
São de vários tamanhos, utilizam várias tecnologias. As gruas no estacionamento erguem aos céus antenas para telemetria, celulares, radares, comunicação interplanetária. No centro, o singelo macaco que levanta os carros da Haas numa troca de pneus que dura dois ou três segundos. A empilhadeira acaba de depositar nos boxes da Mercedes um caixote gigantesco que cruzou os oceanos para, quem sabe, elevar o time à glória da vitória (essa é, sem dúvida, a pior legenda que fiz na vida).
GUARDIÕES DA GALÁXIA
“Daqui ninguém passa”, parece dizer, com sua postura austera, o mecânico da McLaren. Lá dentro estão os carros que já deram um título à equipe, o de Construtores, e buscam o segundo, de Pilotos. A alguns metros de distância, os Mercedões que acodem e protegem os desafortunados — sempre os há.
MINHA ARTE
A filial está em construção permanente. Muda de nome, de cores, de pilotos, de tudo. A matriz já não tem mais onde expor suas glórias, mas se precisar de um espacinho para mais uma, encontra. E Sebastian Vettel, que já correu nas duas, ensina Valtteri Bottas a usar lápis de cor, a reciclar lixo, a salvar as abelhas e as florestas, e já que está aqui deveria ir à COP30.